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A vida em Zaporíjia, a 50 km do front na guerra com a Rússia

4 mai 2026 - 10h10
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A ameaça dos drones é constante na região ao sul da Ucrânia. Civis vivem sob medo, enquanto o exército local tenta expulsar os russos - que ocupam 75% do território.Redes de proteção cobrem as rodovias da região de Zaporíjia, no sul da Ucrânia. Os detectores de drones, a cerca de 30 a 40 quilômetros de distância do front, disparam os alarmes o tempo todo. Constantemente, uma dessas pequenas armas voadoras surge no céu - seja do lado russo ou do ucraniano. Enquanto isso, helicópteros patrulham a área e tentam neutralizar os inimigos. Ao longo das estradas, nas periferias, tropas ucranianas aguardam em diferentes formações.

Redes de proteção antidrones ao longo da estrada até a região
Redes de proteção antidrones ao longo da estrada até a região
Foto: DW / Deutsche Welle

Pelo menos 800 ataques inimigos são registrados diariamente na região de Zaporíjia, contabiliza o governador Ivan Fedorov à DW. "A situação se agravou no mês passado. No final de março, tivemos o pior dia, em que o inimigo atacou mais de mil vezes", diz ele.

Fedorov acompanha a situação militar da região em tempo real em um iPad especial fornecido pelo Ministério da Defesa da Ucrânia. Ele vê os movimentos das tropas no solo, os ataques aéreos e seus desdobramentos, o número de alvos destruídos e os alvos que não foram atingidos. As informações não são divulgadas. "Três bombas planadoras se aproximam", diz ele à repórter da DW, apontando para o mapa.

Em Zaporíjia, os russos utilizam essas armas com maior frequência. As bombas planadoras podem ser facilmente interceptadas por sistemas estrangeiros de defesa antiaérea, especialmente do tipo Patriot, ou por aeronaves. Ainda assim, falta à Ucrânia capacidade para garantir o controle do espaço aéreo nas zonas de combate.

O governador de Zaporíjia está convencido de que, na região, onde as tropas russas se entrincheiraram em quase 75% do território, a defesa aérea deve ser continuamente reforçada com sistemas de médio e longo alcance. Só assim, diz ele, será possível destruir a logística do inimigo. "Não estamos recebendo apoio internacional suficiente. Precisamos fechar nosso espaço aéreo e precisamos de mais sistemas de defesa aérea", apela ele aos parceiros da Ucrânia.

A Rússia considera toda a região de Zaporíjia como parte do seu território. Em setembro de 2022, Moscou anunciou a anexação deste e de outros três territórios ucranianos - Donetsk, Lugansk e Kherson. A comunidade internacional, no entanto, não reconheceu essa medida.

Mas está claro que o exército da Rússia não vai parar sozinho. "A única coisa que podemos fazer é expulsar os russos e libertar nossa região", diz Ivan Fedorov à DW. "A Ucrânia precisa de mais drones, mais recursos e uma ação mais rápida de seus aliados", ressalta ele.

Resultados positivos

O Ministério da Defesa da Ucrânia já declarou como prioridade o desenvolvimento de um sistema de defesa aérea em várias camadas - um "domo antidrones". Segundo o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, esse sistema deve eliminar a ameaça "já na aproximação".

Na defesa aérea, a Ucrânia já apresenta os primeiros resultados, mesmo que sejam em pequena escala. Os drones interceptadores desempenham um papel fundamental nesse contexto. Graças a eles, diz o Ministério da Defesa, foi possível neutralizar, em fevereiro, um número recorde de mais de 10 mil drones inimigos, principalmente dos tipos Shahed e Gerbera.

Segundo o comandante de uma equipe de defesa contra drones cujo apelido é "Balu", a defesa aérea em Zaporíjia melhorou, apesar do aumento dos ataques inimigos. Ele conta à DW que, do lado ucraniano, há agora mais equipes combatendo essas pequenas aeronaves. Ao menos, não faltam drones de interceptação à sua tropa.

A DW conversa com "Balu" em um abrigo subterrâneo. Ele mostra drones de interceptação e quadricópteros usados para derrubar drones russos Shahed, Gerbera, Molnija e FPV. Um mapa do espaço aéreo é exibido ao vivo em uma tela portátil. O comandante explica que várias camadas de defesa são responsáveis pela proteção do espaço aéreo de Zaporíjia e arredores - unidades eletrônicas de guerra, baterias de defesa antiaérea, equipes com drones de interceptação e outros drones de combate, bem como grupos de intervenção móveis. De repente, o detector de drones Dsyga dispara o alarme. "Balu" vê na tela um drone russo Molnija sendo interceptado a 30 quilômetros de distância.

"A maioria dos drones já não chega até nós; a maioria nem sequer chega a Zaporíjia. Assim que aparecem na linha de frente, são abatidos", garante ele à DW. No entanto, a tropa dele ainda não dispõe de drones interceptadores capazes de atingir os drones Shahed a jato, que voam em alta velocidade.

A produção em série desses interceptadores já foi anunciada. Além disso, os operadores esperam contar em breve com novos meios para destruir drones com tecnologia de fibra ótica.

Civis abandonam "zona cinzenta"

Segundo Ivan Fedorov, que chefia a administração regional de Zaporíjia, os russos agora utilizam drones modernizados com fibra ótica. "Eles têm um alcance de até 35 quilômetros. Por isso, nas localidades próximas ao front, na chamada 'zona cinzenta', o perigo para a população aumentou significativamente", alerta.

Isso compromete profundamente a vida civil num raio de até 50 quilômetros ao redor do front. Drones conectados à estação terrestre por meio de um cabo de fibra ótica extremamente fino - e que pode ser desenrolado - oferecem uma transmissão de vídeo sem interferências e são praticamente imunes ao bloqueio eletrônico de sinais.

A 40 a 50 quilômetros da linha do front fica a vila de Mychajlo-Lukaschewe. Desde o início do ano, ela vem sendo atacada principalmente por drones Shahed russos. Cerca de 53 casas já foram atingidas, ficando parcialmente ou totalmente destruídas. Muitas famílias fugiram.

"Ouve-se um zumbido e um assobio por toda parte! Principalmente à noite. Em algum lugar distante, algo explode. Explosões e impactos como esses não existiam antes em nossa vila", conta à DW Ljudmila Skrypnyk, que mora em Mychajlo-Lukaschewe. Desde que, em fevereiro, um drone Shahed destruiu a casa do vizinho que mora em frente, ela dorme sempre vestida e está sempre pronta para se refugiar no porão.

A vizinha dela, Tetiana Vinnitschenko, mostra à DW um aplicativo de radar em seu celular. Neleo, é possível ver vários drones inimigos localizados em um raio de 10 a 30 quilômetros. A mulher está nervosa, pois seus filhos moram com suas famílias a 15 quilômetros de distância. "Os drones perseguem carros. Não podemos ir até nossos filhos e netos", diz ela, chorando. "Nossa família não comemora nada juntos há dois anos", acrescenta.

Vinnitschenko tem um emprego na região e não quer abandonar sua casa. No entanto, ela sabe que está ficando cada vez mais perigoso viver nessa "zona cinzenta", que a guerra dos drones pode rapidamente transformar em uma "zona de morte".

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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