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6 em cada 10 delegados da Polícia Civil de SP têm trabalho extra

Pesquisa do Sindpesp revela que 60% dos delegados paulistas buscam ocupações paralelas; metade dos profissionais com dupla jornada relata impacto negativo na saúde e desempenho laboral

2 out 2025 - 17h14
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Uma pesquisa recente encomendada pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) aponta para uma realidade enfrentada pela Polícia Civil paulista. O estudo revela que seis em cada dez delegados de São Paulo precisam de renda complementar e mantêm trabalhos fora da função policial para suprir suas necessidades financeiras.

42% dos delegados aposentados continuam exercendo alguma atividade remunerada
42% dos delegados aposentados continuam exercendo alguma atividade remunerada
Foto: Assessoria de Imprensa Fiamini – Soluções Integradas em Comunicação / Perfil Brasil

Os dados são provenientes do estudo "Raio-X da Carreira de Delegado de Polícia", conduzido pelo Instituto Datapim. A pesquisa entrevistou 711 delegados, abrangendo tanto profissionais ativos quanto inativos em todo o estado.

A necessidade de uma segunda jornada, somada à crônica sobrecarga de plantões e ao déficit de pessoal nas delegacias, tem gerado um cenário de exaustão. O estudo indica que o déficit de policiais na Polícia Civil de São Paulo ultrapassa os 15 mil cargos vagos, afetando não apenas a posição de delegado, mas também investigadores, escrivães, peritos criminais, papiloscopistas e agentes.

Dentre os profissionais na ativa que mantêm outras ocupações, metade relata sentir um impacto negativo decorrente do excesso de trabalho. Este impacto se manifesta no rendimento profissional e, alarmantemente, na saúde física e mental dos delegados.

A presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares, classifica a situação como insustentável, citando que São Paulo possui o quarto pior salário para delegados entre os 27 estados brasileiros. "Infelizmente, as carreiras da Polícia Civil bandeirante são pouco atrativas e se observa, em paralelo, grande evasão para Polícias de outros estados, que pagam melhor, e até para outros órgãos públicos e ocupações," alertou a presidente, mencionando a "desvalorização remuneratória" e a falta de uma carreira estruturada.

A necessidade de complemento de renda também atinge os inativos. A pesquisa revela que 42% dos delegados aposentados continuam exercendo alguma atividade remunerada, o que, por vezes, os expõe a riscos.

Um caso recente que ilustra essa situação é o do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes. Pioneiro no combate ao crime organizado, Fontes estava aposentado, mas continuava trabalhando como Secretário Municipal de Administração na Prefeitura de Praia Grande-SP, onde foi executado em uma emboscada há cerca de duas semanas. Fontes era historicamente jurado de morte pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) desde 2006.

O sindicato está cobrando do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), a concretização de promessas de campanha feitas em 2022, que incluíam a valorização e modernização da instituição. A expectativa é que essas mudanças sejam incorporadas à Nova Lei Orgânica da Polícia Civil, que está em fase de elaboração.

O Sindpesp espera que o novo texto legal corrija distorções salariais e garanta direitos básicos, como o pagamento de hora extra, adicional noturno e auxílio-saúde. A conclusão da Nova Lei Orgânica, no entanto, está atrasada: prevista inicialmente para maio, foi adiada para o início de outubro, mas o texto final ainda não foi compartilhado com a categoria.

*Informações da Assessoria de Imprensa Fiamini - Soluções Integradas em Comunicação.

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