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Você disse autonomia? Como as tecnologias assistivas auxiliam pessoas com deficiência

Dispositivos, softwares e sistemas têm sido projetados para ajudar as pessoas com deficiência

10 set 2023 - 05h00
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Deives, creator, palestrante e ativista
Deives, creator, palestrante e ativista
Foto: Acervo pessoal / Divulgação

Vivemos em um mundo em constante evolução tecnológica, onde cada avanço traz consigo

a promessa de transformar vidas. Entre as áreas que mais têm se beneficiado dessas inovações estão as tecnologias assistivas, que têm proporcionado uma autonomia renovada para pessoas com deficiência. Por meio de inovações que vão desde aplicativos móveis até dispositivos de alta tecnologia, as barreiras que antes limitavam a participação plena de pessoas PcD na sociedade estão sendo gradualmente superadas.

Desvendando as “Tecnologias Assistivas”: mais próximas do que se imagina

As tecnologias assistivas englobam um vasto espectro de dispositivos, softwares e sistemas projetados para ajudar as pessoas com deficiência a realizarem tarefas cotidianas, comunicarem-se e participarem plenamente da sociedade. Desde próteses modernas e cadeiras de rodas inteligentes até aplicativos de reconhecimento de voz e dispositivos populares, essas tecnologias atuam como facilitadoras da independência.

A influencer Marina Melo, de apenas 18 anos, é uma figura ativa na comunidade de pessoas com deficiência. Marina tem fraqueza muscular, causada por uma condição chamada Atrofia Muscular Espinhal tipo 2 (AME II) e busca, em suas redes sociais, falar sobre suas vivências e compartilhar o máximo de informações. Para o nome “tecnologias assistivas” ela destaca: "As tecnologias assistivas que eu uso,

não são nem vendidas com esse nome. Por conta da fraqueza muscular, durante o ensino médio (o que a gente mais faz nessa época é escrever) eu não estava conseguindo acompanhar o professor e desenvolvi uma inflamação no pulso. A solução que eu encontrei foi substituir o caderno e caneta pelo tablet, porque eu não precisaria virar a página, coisa que não consigo e não tem o atrito do papel com a caneta, assim eu faço menos força.”

Um simples tablet, como destacou Marina, é apenas um exemplo do poder das tecnologias assistivas. Essas inovações não apenas restauram habilidades físicas, mas também proporcionam um senso renovado de identidade e o poder de transformar vidas. Para indivíduos com deficiência, essas ferramentas representam muito mais do que meras “gadgets” - são portais para um mundo onde a autonomia é o objetivo principal.

Redefinindo Limites com Mobilidade Avançada

Desde pessoas com deficiências motoras até aquelas com dificuldades de comunicação, as tecnologias assistivas se adaptam às necessidades individuais, abrindo um horizonte de possibilidades, como é o caso de Beatriz Rocha, ou “Bibs” como é mais conhecida nas redes, é produtora de Eventos e influenciadora de mídia social, e em 2021, passou por uma situação que a fez mudar de vida. Devido a um acidente na estação de metrô, precisou amputar a perna.

Hoje, ela é uma defensora apaixonada pela utilização de tecnologias assistivas para expandir sua autonomia. "É engraçado chamar de tecnologia o que pra mim e tantos outros é necessário para um cotidiano comum. Infelizmente PcD's foram levados por muito tempo como "atraso" em vários aspectos da sociedade e essas tecnologias na verdade apenas nos ajudam a mostrar que nós somos capazes de fazer o que for desde que tenhamos as ferramentas certas. Hoje, como uma influenciadora que fala sobre a realidade do PcD em uma grande metrópole posso falar que essas inovações me ajudam a motivar pessoas a terem vontade de sair de casa para viver, para conhecer novos lugares e se sentirem pertencentes a sociedade como um todo.", diz Beatriz.

Ela utiliza uma prótese que permite navegar facilmente em diferentes ambientes e reforça: "Minha prótese é o maior dos exemplos, é uma tecnologia que permite me aproximar minimamente do que era minha vida anterior ao momento da amputação, me permite maior locomoção, economia de tempo e independência.”

Entenda por que usar a palavra "deficiência" fora de contexto é ofensivo:

“Falar de acessibilidade é também falar de autonomia”

Natural de Porto Alegre, Deives Picáz é uma pessoa com deficiência, atuante como ativista anticapacitista e atualmente estudante de publicidade. “Desde que entrei para a internet, foi com o intuito de influenciar para o bem, mostrar que a deficiência não passa de uma característica humana e que o que precisamos é de mais acessibilidade e inclusão, tanto no meio corporativo, quanto no acadêmico.”

No ano de 2020, o jovem iniciou a produção de materiais com o propósito de educar e sensibilizar o público a respeito das realidades que ele enfrenta diariamente. Com a viralização de algumas dessas criações, Deives passou a ser reconhecido, e a partir desse momento, sua conta no Instagram (@deives) transformou-se em sua principal plataforma de atuação na causa.

“Falar de acessibilidade é também falar de autonomia, afinal, se os lugares fossem adaptados, conseguiríamos mostrar muito melhor o potencial que temos. As barreiras foram criadas pela própria sociedade que nunca nos enxergou como consumidores de espaços públicos e privados e que sempre acreditou na teoria de que pessoas com deficiência nasceram apenas para inspirar pessoas sem deficiência a não reclamarem da vida.” afirma.

“Apenas 1% das 45 milhões de PcDs do Brasil assumem vagas de regime CLT”

Apesar dos avanços notáveis nas tecnologias assistivas e na conscientização sobre a inclusão, é fundamental reconhecer que o caminho para a igualdade ainda inclui desafios significativos, especialmente no âmbito do emprego. Muitas pessoas com deficiência enfrentam barreiras ao tentar ingressar ou avançar em suas carreiras devido a preconceitos e falta de compreensão.

Enquanto as tecnologias assistivas abrem portas para a autonomia individual, as empresas também têm um papel vital a desempenhar na promoção da igualdade de oportunidades. “As tecnologias assistivas são a oportunidade que todas as empresas deveriam adotar para que possam ver como a diferença que a inclusão faz. É triste saber que apenas 1% das 45 milhões de PcDs do Brasil conseguiram se inserir em vagas de regime CLT, e falo isso pensando que não sei como está sendo a realidade dessas pessoas dentro das empresas que elas atuam.” enfatiza Deives.

Ainda há um caminho a percorrer para garantir que todas as pessoas com deficiência tenham acesso adequado às tecnologias assistivas. Questões como custo, infraestrutura e conscientização continuam a ser desafios significativos em muitas regiões do mundo, como aponta o influenciador “O principal desafio para que as pessoas com deficiência possam acessar as soluções que correspondem às suas demandas é puramente um fator social. Nossa luta possui interseccionalidade de gênero, etnia, renda, idade e tantas outras. Para uma pessoa com deficiência acessar tecnologias assistivas tendo nascido em berço de uma família com boas condições financeiras é mais simples do que para pessoa com deficiência que às vezes mal tem condições de acessar uma cadeira de rodas, que fica meses e meses indo atrás de ajuda para conseguir o que era para ser mínimo.”

As tecnologias assistivas estão desempenhando um papel vital na promoção da autonomia e inclusão das pessoas com deficiência,mas a mudança estrutural na sociedade precisa acompanhar os avanços tecnológicos. Enquanto continuamos a avançar em direção a um futuro mais inclusivo, as vozes e experiências dos influenciadores PcD nos lembram da importância de investir em tecnologias que capacitam e transformam vidas.

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Fonte: Redação Nós
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