PUBLICIDADE

"O racismo estrutural não mata só os filhos, ele mata as mães também"

Débora Maria da Silva, líder do movimento Mães de Maio, participou da Virada ODS 2023 para discutir racismo e xenofobia

22 jun 2023 - 05h00
Compartilhar
Exibir comentários
"O Brasil precisa lapidar a democracia para ela ser de raça, de classe e de genêro", diz Débora Maria da Silva:

Débora Maria da Silva, ativista de direitos humanos e principal líder do movimento Mães de Maio, não mediu palavras para começar seu poderoso discurso: "Se o Brasil fosse acolhedor, eu não estaria aqui. O Brasil precisa lapidar a democracia para ela ser de raça, de classe e de gênero. Essa democracia preta é a que nós precisamos para acabar com o racismo no nosso país", disse.

A ativista participou de uma das palestras da Virada ODS 2023, evento que aconteceu no último domingo, 18, com o objetivo de conscientizar a população sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A morte e a cor da pele

Com uma democracia "branca de asfalto", nas palavras de Débora, é preciso continuar trabalhando no significado de um Estado Democrático de Direito. "Se nós temos um Estado Democrático de Direito, por que a política do genocídio é vigente?", indagou.

Débora também abordou o descaso da sociedade sobre a morte violenta da população negra. Para ela, barrar essa "política de morte" é uma prioridade. "É uma política da morte perversa que quando a gente vê não é só brasileiros que morrem pela cor da pele e pela sua classe. Estamos falando também dos imigrantes, que vêm do Haiti e do Congo", disse a líder do movimento Mães de Maio.

Desobedecer a hierarquia de uma instituição é crime, mas matar jovens negros aparentemente não é, de acordo com Débora. "Matar os meninos não é crime e não podemos aceitar isso. O racismo estrutural não mata só nossos filhos, ele mata as mães também", ressaltou.

"Nós estamos falando de mães que perdem os filhos e elas perdem a vida", disse Débora. "Então é violência de gênero, sim, porque quem vai à luta geralmente são as mulheres, mães, e nós não podemos aceitar essa situação."

Perseguidos

Débora ainda explicou que o racismo, até hoje, mata pessoas negras e, por isso, não é possível dizer que a abolição da escravatura foi "perfeita". "Nós, negros, somos perseguidos o tempo todo como negros fujões", afirmou Débora, que ainda destacou que as instituições precisam ouvir as mães para acabar com o racismo estrutural.

"Falar em segurança pública é pedir a abolição dessa polícia que mata. Falar em segurança pública é abolir o sistema prisional. Falar em segurança pública é investir na educação, que é a arma melhor contra esse sistema fascista e racista do nosso país", disse Débora Maria.

A palestra “Combate ao racismo e à xenofobia” foi mediada por Elisa Lucas, secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania, e contou ainda com a presença de Hortense Mbuyi, membro titular no Conselho Municipal de Imigrantes da cidade de São Paulo, Liliana Jubilut, doutora e mestre em Direito Internacional, Ismália Afonso da Silva, analista de programa de Gênero e Raça do PNUD Brasil, e Marcelo Haydu, co-fundador do Instituto Adus.

"Brasil precisa lapidar a democracia para ela ser de raça, de classe e de gênero", disse Débora Maria
"Brasil precisa lapidar a democracia para ela ser de raça, de classe e de gênero", disse Débora Maria
Foto: Virada ODS 2023
Fonte: Redação Nós
Compartilhar
Publicidade
Publicidade