Estratégia de manipulação contra mulheres: você sabe o que é DARVO?
A dinâmica DARVO é frequentemente relacionada a contextos de abuso físico e psicológico contra mulheres, crimes sexuais e homofobia
DARVO é um acrônimo que descreve a reação de uma pessoa diante de acusações ou críticas. É formado pela inversão da vítima e do agressor, passando por negação, ataque e inversão dos papéis.
DARVO é um acrônimo que descreve a reação de uma pessoa quando confrontada com acusações ou críticas. Essa dinâmica é frequentemente relacionada a contextos de abuso físico e psicológico contra mulheres, crimes sexuais e homofobia. No entanto, não se limita apenas a esses cenários específicos e pode ocorrer em outras situações onde indivíduos se veem diante de situações desfavoráveis.
O termo DARVO representa uma estratégia que, traduzida para o português, significa: negar, atacar e reverter vítima e agressor (em inglês: deny, attack, and reverse victim and offender). É uma abordagem utilizada para manipular situações e relações, alterando a percepção de culpa e responsabilidade. Ela foi observada primeiramente pela professora e pesquisadora Jennifer J. Freyd em 1997.
“Isso pode ocorrer quando um perpetrador realmente culpado assume o papel de ‘falsamente acusado’ e ataca a credibilidade do acusador e culpa o acusador de ser o autor de uma falsa acusação”, escreveu a pesquisadora em sua pesquisa sobre DARVO.
As 3 fases
Na primeira fase da abordagem, a da negação, a pessoa acusada nega a ocorrência dos fatos ou comportamentos que estão sendo apontados contra ela. É uma estratégia defensiva inicial para descredibilizar a acusação.
Em seguida, vem o ataque, quando o acusado direciona as críticas e a culpa para a denunciante. Nessa fase, o acusado pode tentar desqualificar a mulher que fez a denúncia, rotulando-a como ciumenta ou mentirosa.
Por fim, ocorre a etapa de inversão da vítima e do agressor. Nessa etapa, o acusado manipula a situação afirmando que, na verdade, ele não é culpado, mas, sim, a verdadeira vítima. Essa fase é caracterizada por uma troca de papéis, onde o acusado busca se apresentar como injustiçado ou prejudicado pela outra pessoa.
Para a pesquisadora Jennifer J. Freyd e sua colega Sarah Harsey, a estratégia funciona. Seus estudos revelaram que a exposição a uma resposta DARVO estava ligada a uma diminuição na credibilidade da vítima e um aumento na culpa imposta à ela.
“A exposição ao perpetrador DARVO tornou as pessoas menos propensas a acreditar que ele deveria ser disciplinado ou punido” escreveram em um estudo sobre a influência de negar, atacar e reverter vítima e agressor, em 2023.
Jennifer J. Freyd
Pesquisadora, professora de psicologia, palestrante e autora, Jennifer J. Freyd inseriu o termo pela primeira vez em 1997 no estudo “Violações do poder, cegueira adaptativa e teoria do trauma de traição”. Essa pesquisa retrata situações em que alguém em quem se confia ou que tem poder sobre a outra pessoa prejudica ou maltrata essa pessoa de alguma forma.
“O agressor cria rapidamente a impressão de que o abusador é o ofendido, enquanto a vítima ou observador interessado é o ofensor. O infrator está na ofensa e a pessoa que tenta responsabilizar o infrator é colocada na defesa”, escreveu Jennifer.
Jennifer é fundadora e presidente do Centro de Coragem Institucional e também foi professora de psicologia da Universidade de Oregon, tendo sido bolsista duas vezes do Centro de Estudos Avançados em Ciências do Comportamento de Stanford.
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