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BPC, o 'vilão do orçamento', quem diria, poupa o SUS e muitas vidas

22 out 2026 - 19h45
(atualizado às 20h10)
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Resumo
Apesar de visto como vilão fiscal e alvo de propostas de corte, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) evitou 571 mil mortes e 13 milhões de internações no SUS em 30 anos, segundo estudo do ISGlobal. A pesquisa revela que cada R$ 1 investido no programa gerou economia de R$ 3,81 aos cofres públicos, além de reduzir a mortalidade infantil. O benefício atende 6,5 milhões de idosos e pessoas com deficiência vulneráveis, custando 1% do PIB, cifra inferior aos gastos anuais com o Poder Judiciário.

Estudo do ISGlobal assinado por 13 cientistas - inclusive uma professora e pesquisadora brasileira que trabalha em duas universidades federais do Nordeste - mostra que o Benefício de Prestação Continuada evitou 571 mil mortes e 13 milhões de internações pelo Sistema Único de Saúde em 30 anos. Segundo a pesquisa, cada R$ 1 investido no BPC fez o governo deixar de gastar R$ 3,81. Enquanto isso, economistas desenham um novo programa "para conter aumento de gastos com o BPC", chamado de 'Integração', que pagaria a idosos uma fração do salário mínimo.

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Faz tempo que o Benefício de Prestação Continuada (BPC) é apontado como um 'vilão do orçamento' obrigatório do governo federal. Relembrando, é o programa que paga um salário mínimo a pessoas com deficiência e idosos que vivem em extrema vulnerabilidade porque não conseguem trabalhar. Tem atualmente 6,5 milhões de usuários e, segundo o 'Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF)' publicado em março de 2026 pelo Senado, custa R$ 127,2 bilhões, o equivalente a 1,0% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para comparação, o custo anual do Poder Judiciário brasileiro atingiu recorde de R$ 146,5 bilhões, o que equivale a 1,2% do PIB, sendo que 89% dos recursos são destinados ao pagamento de salários e aposentadorias, segundo o relatório oficial 'Justiça em Números' do Conselho Nacional de Justiça. São 19 mil magistrados e 275 mil servidores (294 mil pessoas). Em divisão simples, cada um custa cerca de R$ 498 mil por ano ou 307 salários mínimos.

Enquanto isso, os economistas Fabio Giambiagi, Gabriel Leal de Barros e Matheus Caliano propõem a criação de um novo programa social, o 'Integração', já a partir de 2027, para "conter o crescimento das despesas do governo" com o BPC. A ideia é que idosos entre 65 e 69 anos que podem entrar no BPC passem a receber 50% do salário mínimo, chegando a 100% aos 70 anos. Não afetaria pessoas com deficiência (saiba mais).

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Documento

Thirty Years Of Brazil's Benefício De Prestação Continuada (BPC) And Projections To 2030 (115 páginas)

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E temos agora a publicação preliminar de um estudo do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) mostrando que, num período de 30 anos, o BPC evitou 571 mil mortes e 13 milhões de internações hospitalares pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O trabalho é assinado por 13 cientistas e tem como primeira autora Daniella Medeiros Cavalcanti, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Segundo a pesquisa, cada R$ 1 investido no Benfício de Prestação Continuada fez o governo poupar R$ 3,81. E cada ponto percentual de aumento na cobertura do BPC reduziu em 2,9% as internações hospitalares, em 0,6% as mortes e em 3,9% os anos de vida saudável perdidos. Houve também redução de 5% na mortalidade de crianças de 0 a 4 anos a cada ponto percentual de aumento em beneficiários do BPC, porque os avós são, muitas vezes, os cuidadores principais de crianças na primeira infância, especialmente entre as faixas mais pobres da população. E ainda uma melhora na saúde geral de crianças em famílias beneficiadas pelo BPC.

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Estadão
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