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Aluno autista desmaia ao ser agredido por colega em sala de aula no interior de São Paulo

Criança levou três socos na cabeça e precisou ser socorrido por uma ambulância depois de desmaiar; não é a primeira vez que ele é agredido

29 set 2026 - 04h57
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Aluno autista desmaia ao ser agredido por colega dentro de sala de aula em Paulínia (SP)
Aluno autista desmaia ao ser agredido por colega dentro de sala de aula em Paulínia (SP)
Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Um estudante de 11 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1, desmaiou após ser agredido com soco nas cabeça por um colega, dentro da sala de aula de uma escola municipal em Paulínia, no interior de São Paulo. Ao Terra, o pai da criança contou que não é a primeira vez que ele sofre agressões por parte de outros alunos. 

A denúncia foi feita à Polícia Civil pelos pais do menino e a reportagem teve acesso ao boletim de ocorrência. O caso ocorreu no último dia 23, na EMEF Professora Maria Aparecida Caputti Beraldo. O maquinista ferroviário Adriano Gomes da Silva, de 39, contou que sua esposa, a técnica de enfermagem Priscila Main Salaro, de 42, recebeu a ligação de um funcionário da escola para comparecer ao local pois se tratava de algo grave. 

Priscila chegou ao local primeiro que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Lorenzo estava recobrando os sentidos. Foi então que soube que o filho havia sido agredido com três socos na cabeça por um colega de sala e desmaiou. A agressão teria ocorrido dentro da sala de aula, no momento em que a professora de apoio estava fazendo a sua pausa de 15 minutos. 

“O menino o xingou de ‘gengivudo’ e o Lorenzo falou: ‘É teu pai’. Quando falou, ele [o colega] foi para cima. Pelo que as crianças falaram foram três socos na cabeça que ele já virou o olho”, descreveu Silva. 

O menino foi socorrido e encaminhado para um pronto socorro da cidade, onde recebeu o primeiro atendimento. Depois, os pais decidiram levá-lo a outro hospital, desta vez particular, para fazer os exames completos e se certificar que estava tudo certo. Após uma tomografia, foi constatada uma pequena densificação das partes moles fora do crânio, mas não teve nenhuma lesão grave. 

Não foi a primeira agressão

Em 20 de agosto, os pais já haviam ido até a delegacia da cidade para registrar que Lorenzo havia sido agredido por outro aluno, da mesma sala, e apresentado lesões na boca, braço e ombro esquerdo, e até teve a lente do óculos danificada. 

Silva explica que o filho frequenta essa unidade de educação desde o início do ano e, desde o começo, enfrentava episódios violentos, que incluem também bullying. Por várias vezes, o pai procurou a Secretaria de Educação de Paulínia para solicitar uma professora de apoio, tanto para dar suporte quanto para evitar que ele sofresse agressões. 

Em uma delas, ouviu que o laudo de TEA que o médico do menino havia emitido não valia e que era necessário fazer uma nova avaliação pela equipe da Pasta. Ele chegou a ir ao Conselho Tutelar da cidade para tentar uma providência, já que o profissional de apoio é um direito de crianças autistas. 

“Cheguei lá e falei que ele está apanhando na escola. Tem quatro crianças que estão maltratando ele, não só ele, mas como outras crianças também. Está pesado”, relembra. 

Na ocasião, o conselheiro chegou a ligar no Centro de Referência Educacional e Apoio à Inclusão (Creapi) de Paulínia para checar a situação e lhe informaram que já havia sido autorizada a contratação. No entanto, a profissional só chegou em meados de agosto. 

Em uma das vezes que procurou a pasta, lhe foi informado sobre uma reunião, mas chegando no dia, deu de cara na porta. “Ninguém me entendeu, tinha uma secretária lá e ela pediu para eu explicar a situação. Falei: ‘vocês estão esperando eu sair da escola com um atestado de óbito’”, declarou. 

Diante da situação, Lorenzo foi afastado por seu médico por 90 dias. “Não vou pagar para ver meu filho sair agora com o IML buscando ele”, desabafou. 

A reportagem solicitou um posicionamento da EMEF Professora Maria Aparecida Caputti Beraldo e para a Secretaria de Educação de Paulínia, mas não teve retorno até o momento. 

Fonte: Portal Terra
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