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Carro elétrico: o que é? Como funciona? Quanto custa?

Respondemos as principais dúvidas do público em relação aos carros elétricos, que estão cada vez mais populares no Brasil e no mundo

22 abr 2024 - 06h00
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Novo Porsche Taycan Turbo GT
Novo Porsche Taycan Turbo GT
Foto: Porsche/Divulgação

Antes vistos como uma realidade distante, os carros elétricos estão atraindo cada vez mais a atenção do público brasileiro. Somente no ano passado, foram vendidos 19.310 carros 100% elétricos (BEV) no Brasil. Um crescimento de 128% em relação aos 8.458 exemplares comercializados em 2022. Ou seja, os carros elétricos nunca foram tão populares no Brasil como agora. 

Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Embora ainda não sejam maioria, depois da chegada das marcas chinesas BYD e GWM, cresceu a oferta de modelos totalmente elétricos a preços mais acessíveis, inclusive de marcas tradicionais, que foram forçadas a baixar os valores para se manterem competitivas. 

Plataforma modular elétrica Ultium, da GM
Plataforma modular elétrica Ultium, da GM
Foto: GM/Divulgação

Com isso, surgem as dúvidas: como funciona um carro elétrico? Quais são os tipos de carros elétricos? Como surgiram? Quais são as vantagens? Como funciona a recarga de carros elétricos? Quanto custam os principais carros elétricos no Brasil? Para descobrir essas e outras respostas, preparamos um guia especial para você ficar por dentro do mundo dos carros elétricos. Confira:

O que são os carros elétricos? E como eles funcionam?

Os carros elétricos são veículos que utilizam energia elétrica para o funcionamento do motor e de todas as suas funções de mobilidade. Ao contrário dos carros a combustão, eles não utilizam combustíveis fósseis como a gasolina ou o diesel, e nem de origem vegetal como o etanol. 

Motor elétrico do Volkswagen ID.3
Motor elétrico do Volkswagen ID.3
Foto: VW/Divulgação

De forma básica, o funcionamento dos carros elétricos envolve ao menos quatro componentes essenciais: a bateria, que armazena energia necessária para o motor. Ela é recarregável e possui um sistema inteligente de gerenciamento de energia, que também comanda sistemas de segurança e de carga em casos específicos.

Outro componente importante é o inversor, que converte a corrente elétrica contínua (DC) para corrente alternada (AC). Essa energia gera uma espécie de campo magnético no estator (carcaça), que gera um movimento do rotor – que é uma parte giratória do motor. Além disso, ao frear, o motor elétrico ainda consegue recuperar parte da energia cinética, carregando a bateria.

Também há outros sistemas atrelados ao funcionamento dos carros elétricos, como sistemas de controle de voltagem, de potência, de carregamento e centrais eletrônicas. Apesar dos carros elétricos dispensarem a necessidade de uma caixa de câmbio, algumas montadoras trabalham em soluções que simulem as tradicionais marchas.    

Plataforma MEB, da Volkswagen
Plataforma MEB, da Volkswagen
Foto: VW/Divulgação

Quais são os tipos de carros elétricos?

Além dos carros elétricos que utilizam toda a energia proveniente de uma bateria para mover um motor elétrico, também há carros que combinam este recurso a propulsores a combustão em diferentes níveis. Confira:

Toyota Corolla é um dos híbridos mais vendidos do Brasil
Toyota Corolla é um dos híbridos mais vendidos do Brasil
Foto: Toyota/Divulgação
  • Híbridos-leves: Contam com sistemas elétricos que apenas auxiliam o motor a combustão na economia de combustível. Não contam com força de tração e nem modo de direção 100% elétrico, não sendo considerados híbridos de fato por algumas montadoras. 
  • Híbridos plenos: São carros que não podem ser recarregados na tomada, e geralmente possuem baterias de menor capacidade. O funcionamento do motor a combustão e do(s) elétrico(s) é definido de forma automática pelo sistema do próprio carro, e podem ser acionados de forma separada ou simultânea para economizar combustível. Também há carros em que os motores a combustão funcionam apenas como gerador de energia para os propulsores elétricos. Ex: Toyota Corolla e Corolla Cross, Honda Civic.
  • Híbridos plug-in: São o tipo mais avançado de híbridos e mais próximos dos carros elétricos. Neste caso, as baterias contam com maior capacidade e alcance, e podem ser recarregadas na tomada. Contam com um ou mais motores elétricos que tracionam o carro sozinhos, além de um propulsor a combustão que pode ser utilizado em situações específicas, como em viagens longas.

Quando surgiram os primeiros carros elétricos?

Embora os primeiros carros elétricos tenham surgido com os primeiros automóveis a combustão ainda no século XIX, os primeiros carros elétricos modernos se tornaram comerciais a partir dos anos 90, com o GM EV1, o primeiro a ser produzido em escala. No entanto, por conta da pressão da indústria do petróleo e a falta de infraestrutura, o modelo durou pouco tempo no mercado.

GM EV1
GM EV1
Foto: GM/Divulgação

E por ser oferecido apenas por leasing, teve todas as unidades recolhidas anos depois – e a maioria destruída. No Brasil, o primeiro carro elétrico foi o Gurgel Itaipu E150 (1974), que tinha apenas 4,2 cv de potência e alcance de até 50 km. Teve somente 27 unidades produzidas.

Já nos anos 2000, os carros da Tesla colocaram os elétricos em alta novamente, junto com a preocupação em torno do aquecimento global. Com leis de emissões de poluentes cada vez mais rígidas, muitos países já decidiram proibir a venda de carros novos a combustão a partir de meados da próxima década, motivando muitas montadoras a investirem em novos veículos elétricos.

Gurgel Itaipu: primeiro carro elétrico brasileiro
Gurgel Itaipu: primeiro carro elétrico brasileiro
Foto: Reprodução/Internet

Quanto custa um carro elétrico no Brasil?

Atualmente, o carro elétrico mais barato do Brasil é o Renault Kwid E-Tech. Lançado em 2022, o hatch já chegou a custar R$ 149.990, mas teve o preço reduzido para R$ 99.990. Ele é importado da China em versão única com um motor elétrico de 65 cv e roda até 185 km com uma carga completa. Além dele, também há o BYD Dolphin Mini (R$ 115.800) e Caoa Chery iCar (R$ 119.990) como exemplos de carros elétricos de entrada. 

Renault Kwid elétrico
Renault Kwid elétrico
Foto: Renault/Divulgação

No entanto, há opções de diferentes segmentos e preços no Brasil. É o caso do Porsche Taycan (R$ 1.155.000) e do Mercedes-AMG EQS (R$ 1.453.900), que ocupam a faixa de carros elétricos esportivos e de luxo. Já o recém-lançado Ford E-Transit (R$ 542.000), que é oferecido em versões furgão e picape-chassi para empresas.

Quais são as vantagens de um carro elétrico?

Dentre as vantagens mais evidentes de um carro elétrico, estão o fato de não emitir gases poluentes ao dirigir e o silêncio a bordo – já que o motor não emite ruídos como os propulsores a combustão. No entanto, outro ponto positivo é a entrega máxima de torque de forma imediata ao acelerar, o que auxilia em situações de retomada e ultrapassagem.

BYD Dolphin
BYD Dolphin
Foto: BYD / Guia do Carro

E apesar do preço de compra ser mais elevado, o custo por quilômetro rodado é bem mais baixo com um veículo elétrico. Para efeito de comparação, a Renault estima um custo de R$ 0,10 por km rodado do Kwid elétrico em São Paulo (SP). Já o Kwid a combustão custa cerca de R$ 0,30 por km rodado, nas mesmas condições. Outro ponto positivo são as manutenções preventivas, que chegam a ser 50% mais em conta, uma vez que os carros elétricos possuem menos peças de desgaste.

Qual é a infraestrutura de recarga no Brasil em 2024?

De acordo com a Bright Consulting, há 4.230 carregadores públicos em todo o Brasil atualmente. Grande parte deles (1.121) está no estado de São Paulo. Deste total, a maioria é de carregadores de corrente alternada (AC) e de até 22 kW, que costumam demorar mais tempo para realizar uma recarga completa. Já os carregadores rápidos, de corrente contínua (DC) e de potência mais alta, tem menos de uma centena de unidades pelo país. 

Volvo XC40 elétrico
Volvo XC40 elétrico
Foto: Volvo/Divulgação

Quais são os desafios e possíveis soluções?

Como a infraestrutura de carregadores públicos ainda é bem pequena no Brasil, o uso de um carro elétrico fora dos grandes centros urbanos ainda é inviável na maioria dos casos no Brasil. Além disso, ainda há poucos "corredores elétricos" – trechos onde há a cobertura de carregadores elétricos de um determinado ponto a outro – como a rodovia Presidente Dutra, que liga as cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). 

VW ID.Buzz no Rio de Janeiro
VW ID.Buzz no Rio de Janeiro
Foto: VW/Divulgação

Mesmo com a possibilidade de instalar um carregador doméstico, o preço de um Wallbox ainda é bastante elevado. Outro fator importante é o valor de compra de muitos carros elétricos e a desvalorização e o descarte das baterias, que ainda pesam muito no bolso.

Dentre as possíveis soluções, seria o investimento de empresas de energia e montadoras na instalação de novos carregadores elétricos públicos, além do incentivo para a produção de carros elétricos no Brasil.

Qual é o atual mercado global para carros elétricos?

Em 2023, foram cerca de 9,5 milhões de carros 100% elétricos vendidos em todo o mundo, segundo dados da Jato Dynamics. Do total, aproximadamente 5,1 milhões de unidades foram vendidas somente na China, que tem 57% das vendas representadas por carros elétricos, que também são maioria em alguns países da Europa, como a Noruega.

Tesla Model Y foi o carro mais vendido do mundo em 2023
Tesla Model Y foi o carro mais vendido do mundo em 2023
Foto: Tesla/Divulgação

E pela primeira vez na história, o carro mais vendido do mundo foi um elétrico, o Tesla Model Y. No ano passado, o SUV emplacou 1,07 milhão de unidades, desbancando o Toyota Corolla.  

Quais são as perspectivas para o futuro dos carros elétricos?

Para os próximos anos, as montadoras esperam reduzir os custos de produção dos carros elétricos e das baterias, equiparando aos valores necessários para fabricar um veículo a combustão. Ao mesmo tempo, isso também deve tornar os carros elétricos mais acessíveis, com opções tanto de marcas tradicionais como novas empresas. 

BYD Dolphin Mini
BYD Dolphin Mini
Foto: BYD / Guia do Carro

Em mercados como a Europa e os EUA, a transição elétrica pode demorar mais do que o previsto inicialmente, mas deve ocorrer nos próximos anos. Já para o Brasil, a solução a curto prazo serão os carros híbridos-flex, mas também com a chegada de novos carros elétricos a preços mais baixos e produção local nos próximos anos.

Guia do Carro
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