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Prefiro jogos experimentais, conta desenvolvedora de Journey

16 mai 2014 - 14h00
(atualizado às 18h11)
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Kellee Santiago, thatgamecompany
Kellee Santiago, thatgamecompany
Foto: Divulgação

Muito antes de decidir trabalhar com games, Kellee Santiago perambulou pelo teatro, cinema e artes performáticas. Talvez por isso, ela faça questão de salientar que games são obras de arte por definição.

Essa crença pauta o trabalho de Kellee desde que ela fundou, junto com o sócio Jenova Chen, o estúdio de games Thatgamecompany. A empresa ganhou destaque depois que três produtos chamaram a atenção de gamers em todo o mundo: Flow, Flower e Journey (todos para Playstation 3). Esse último, inclusive, arrebatou diversos prêmios especializados, como "Game do Ano" pela Game Developers Choice Awards.

“São jogos que privilegiam uma experiência de jogabilidade diferente. Foram importantes para mostrar também certa expressão artística dos games”, conta Kellee Santiago.

Além de produtora e designer de games, Kellee sabe é boa administradora de equipes. Foi considerada uma das dez mulheres mais influentes na indústria de games da última década pelo programa TED Fellows.

Em sua casa em Los Angeles, Califórnia, Kellee conversou com o Terra sobre os bastidores da indústria de games, os desafios de ser mulher em uma área ainda dominada por homens e sobre a criação de jogos que mexam com a emoção dos gamers mundo afora.

O que mais te motiva na indústria de games?

O game é uma mídia jovem, sem muitas regras e com muito potencial a ser explorado. Isso me fascina. Me fascinou desde o começo quando desisti de seguir a carreira em Artes para focar em games. Então eu fui estudar e, como eu nunca fui boa em trabalhar em grandes empresas como funcionária, acabei abrindo minha própria companhia de games. 

E como explorar esse potencial de que você fala na área de criação de jogos?

A mistura de tecnologia e arte me encanta até hoje. É uma forma de usar a tecnologia para criar conexão sobre pessoas que você nem conhece. Eu acredito que o game pode ser arte. Eu realmente acredito nisso. Então, trata-se de criar games que sejam acessíveis ao maior número de pessoas possível e que ao mesmo tempo convide os gamers para ter uma experiência interessante. Prefiro isso ao tipo de desenvolvedor que puna os gamers quando eles fazem algo que não queremos que eles façam. Prefiro os jogos inspiradores e, em certa medida, experimentais.

Kellee Santiago, thatgamecompany
Kellee Santiago, thatgamecompany
Foto: Divulgação
Em que você acha que os jogos experimentais possam contribuir para o avanço dos games como um todo?

Eu acho que os jogos experimentais fazem parte de um pensamento que não é a maioria da indústria. A experimentação traz inovações como a experiência de quem joga. Você ajuda as pessoas a terem uma experiência e viverem aquilo de um modo inesperado, inovador.

E quais são os riscos em produzir jogos experimentais para a empresa desenvolvedora?

É que nós nunca sabemos como as pessoas vão responder aos jogos. Podem adorar e ser um sucesso, como podem também ignorar completamente. Além disso, varia muito. Pode ser que na mesma época ocorra um mega lançamento de outro jogo que torne seu produto irrelevante da noite pro dia. Não dá pra controlar a resposta do público. O que dá para controlar é a qualidade do produto que você cria.

Como é trabalhar diariamente com games? Você se diverte o tempo todo?

Olha, tem os dois lados. Um lado é trabalhar com pessoas maravilhosas e divertidas. Mas que também são bastante questionadoras. Estão sempre se perguntando se algo pode ser feito de outra forma ou como se pode fazer diferente. Por outro lado, essa é uma indústria complicada, a indústria de games. Tem muita coisa envolvida, muitos interesses e muito ego também. Quando Journey ganhou como Jogo do Ano, muitas pessoas vieram falar com pessoas do nosso time e sempre tinha um comentário sutil do tipo: “Legal que o jogo tenha sido sucesso de crítica, mas eu só trabalho em games que vendam bem”. Coisas assim.

Foto: Divulgação
Ser mulher nesse ambiente de tecnologia, ainda dominado por homens, foi um problema para você?

De fato ainda vemos a hegemonia do tipo macho alfa que domina as áreas tecnológicas. Isso acontece. Ainda sofremos essa cultura machista na sociedade como um todo. Muita gente acha que se você é mulher você não deve entender bem de tecnologia. Mas talvez por ter fundado minha própria empresa, eu não vivenciei problemas desse tipo. Ao menos não diretamente. Mas certamente ainda há problemas trabalhando em uma área dominada por homens. Mas eu não deixo me influenciar por esse tipo de coisa.

Quais são seus próximos passos no mercado dos games?

Iniciei recentemente um trabalho na Ouya, onde comando grupos de desenvolvedores para criação de conteúdo original e exclusivo. Acredito que existe um potencial de causar impacto na indústria de games como um todo. O que me fascina nesse novo console é a visão diferenciada sobre a criação de games em si e na democratização desse espaço de plataforma aberta. Não há mais a barreira de distribuição. Todos podem fazer um jogo para jogar com os amigos. Isso não é genial?

Fonte: Terra
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