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O Nintendo 64 tinha uma porta misteriosa embaixo que quase ninguém usou

Conector escondido no console foi desenvolvido para receber um dos acessórios mais ambiciosos, e raros, da história da Nintendo

1 out 2026 - 08h08
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O Nintendo 64 tinha uma porta misteriosa embaixo que quase ninguém usou
O Nintendo 64 tinha uma porta misteriosa embaixo que quase ninguém usou
Foto: Reprodução

Quem já teve um Nintendo 64 provavelmente conhece praticamente todos os detalhes do console. O cartucho na parte de cima, os quatro controles na frente, a entrada para a fonte e o cabo de vídeo na traseira e até aquela pequena tampa na parte superior que escondia o Expansion Pak.

Mas existe uma peça do N64 que provavelmente passou despercebida por muita gente: uma porta localizada na parte de baixo do console, identificada como EXT. Para quem cresceu com o videogame no Brasil ou em outros mercados ocidentais, ela parecia não servir para absolutamente nada. E, de certa forma, para esses jogadores realmente não serviu.

A curiosidade é que a Nintendo não colocou aquele conector ali por acaso. Ele foi criado para receber um dos acessórios mais ambiciosos da empresa naquela geração: o Nintendo 64 Disk Drive, ou simplesmente 64DD.

Uma porta que parecia não ter função

O manual do Nintendo 64 identificava claramente o conector localizado na parte inferior como Expansion Connector. Diferentemente do slot de memória localizado na parte superior, porém, aquela entrada não era destinada a um acessório que o jogador pudesse simplesmente comprar em qualquer loja.

Ela fazia parte de um plano muito maior da Nintendo. O conector EXT foi projetado para permitir a conexão do N64 com uma unidade de expansão chamada 64DD. O próprio material técnico da Nintendo descrevia o dispositivo como uma unidade de disco magnético conectada à parte inferior do console.

O problema é que o 64DD demorou tanto para chegar que, quando finalmente apareceu, a realidade do mercado já era bem diferente daquela imaginada pela Nintendo alguns anos antes.

O 64DD foi anunciado pela Nintendo em 1995, antes mesmo do lançamento comercial do Nintendo 64. A ideia era interessante para a época. Enquanto Sony e Sega apostavam cada vez mais nos CDs, a Nintendo continuava defendendo os tradicionais cartuchos no N64. Eles ofereciam vantagens como carregamento rápido e dificuldade maior de pirataria, mas tinham uma desvantagem importante: capacidade de armazenamento limitada e custo elevado de produção.

O 64DD surgiria como uma espécie de complemento. Em vez de substituir os cartuchos, ele adicionaria ao N64 uma unidade capaz de ler discos magnéticos proprietários com 64 MB de capacidade, sendo uma parte considerável desse espaço reutilizável para gravação de dados.

Isso permitia imaginar coisas que eram difíceis de fazer apenas com um cartucho. Jogos poderiam armazenar grandes quantidades de dados criados pelo próprio jogador, receber expansões e até compartilhar informações entre diferentes discos.

Era uma ideia bastante ousada para a segunda metade dos anos 1990.

O problema foi o lançamento atrasado

O periférico Nintendo 64 Disk Drive, lançado apenas no Japão
O periférico Nintendo 64 Disk Drive, lançado apenas no Japão
Foto: Reprodução

É aqui que a história começa a ficar curiosa. O 64DD foi anunciado em 1995, mas seu lançamento demorou vários anos. O projeto passou por sucessivos atrasos até finalmente chegar ao mercado japonês no fim de 1999.

Isso significa que o Nintendo 64 passou praticamente toda a sua vida comercial com aquela porta instalada embaixo, esperando por um acessório que a maioria dos proprietários jamais veria. E havia outro agravante: o 64DD nunca foi lançado oficialmente na América do Norte ou na Europa.

Portanto, para quem comprou um Nintendo 64 no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa ou em mercados que receberam versões semelhantes do console, a porta EXT realmente não tinha uma utilização prática durante a vida comercial do aparelho.

Foi uma preparação para um futuro que simplesmente não chegou para esses jogadores. Quando o 64DD finalmente chegou ao Japão, em dezembro de 1999, ele se encaixava justamente naquela misteriosa entrada inferior.

O periférico era colocado embaixo do Nintendo 64 e conectado diretamente ao EXT. O conjunto transformava o console em uma espécie de estação multimídia, com acesso aos discos magnéticos e às funções adicionais do aparelho.

O pacote também podia envolver outros acessórios, como modem, mouse, teclado e dispositivos especiais utilizados por determinados softwares. Era praticamente uma segunda vida para o Nintendo 64. O problema é que pouquíssimos jogadores tiveram acesso a ela.

Um dos acessórios mais raros do Nintendo 64

Foto: Reprodução

O 64DD acabou tendo uma existência bastante curta. Estima-se que apenas cerca de 15 mil unidades tenham sido vendidas, e o periférico permaneceu restrito ao Japão. A biblioteca também foi extremamente pequena quando comparada à do próprio Nintendo 64.

Entre os títulos lançados estavam experiências bastante diferentes do que normalmente associamos ao console, como Mario Artist: Paint Studio, Mario Artist: Talent Studio, SimCity 64, Doshin the Giant e F-Zero X Expansion Kit.

O serviço online Randnet também teve vida curta, sendo encerrado em 2001. Assim, aquele conector que estava presente em milhões de Nintendo 64 pelo mundo acabou sendo utilizado oficialmente por um único grande projeto — e esse projeto sequer chegou à maioria dos mercados.

Uma promessa que sobreviveu no hardware

O mais curioso é que a Nintendo não precisou remover a porta quando o 64DD fracassou. Ela simplesmente permaneceu ali. Por isso, décadas depois, é perfeitamente possível encontrar um Nintendo 64 funcionando normalmente e ainda observar na parte inferior aquele conector identificado como EXT.

Era uma porta para um futuro que a Nintendo imaginou em 1995, mas que chegou tarde demais para se tornar parte da experiência da maioria dos donos do Nintendo 64. E talvez seja por isso que, entre todos os pequenos segredos escondidos no console, essa seja uma das portas mais curiosas da história do videogame.

Com o fracasso do projeto, ela virou um mero detalhe de design, um fóssil tecnológico de uma época em que a Nintendo tentou desafiar o padrão dos CDs com discos magnéticos.

Hoje, o slot esquecido do N64 tornou-se um item de colecionador e um prato cheio para entusiastas de engenharia reversa e modders, que ocasionalmente criam adaptadores personalizados para ela. Mas para quem viveu a era de ouro do 64 bits, ela continua sendo aquele lembrete curioso de que o passado dos videogames ainda guarda segredos sob a carcaça de plástico.

Fonte: Game On
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