Os 20 melhores jogos de videogame de 2026 até agora
A indústria tem enfrentado um período turbulento, mas já há muitos candidatos fortes ao prêmio de Jogo do Ano — de franquias consagradas a novas propriedades intelectuais.
Para dizer o mínimo, 2026 tem sido um ano difícil para a indústria de jogos. Em meio a demissões em massa e fechamento de estúdios, títulos muito aguardados — como o retorno de Prince of Persia, da Ubisoft — foram cancelados. Ao mesmo tempo, jogos de serviço online de longa duração, como Destiny 2, foram encerrados, deixando comunidades dedicadas sem um desfecho. Só nesta semana, surgiram notícias de que o Xbox dissolverá várias equipes — incluindo uma cujo novo jogo havia sido anunciado apenas alguns dias antes. E isso tudo antes de chegarmos à batalha ideológica em curso sobre inteligência artificial generativa, que não apenas afeta o desenvolvimento de jogos, como também contribui para a alta de preços de praticamente todo o hardware.
E, embora esses problemas sejam cruciais, eles se somam a questões mais corriqueiras que os fãs enfrentam. Por mais um ano, o fantasma de Grand Theft Auto VI paira no ar, e uma série de lançamentos se espalha por janelas cada vez mais apertadas para evitar o impacto. Grandes jogos como o aguardado RPG Crimson Desert e o jogo de luta baseado em quadrinhos Invincible VS não corresponderam às expectativas. Completando seu primeiro ano, o Switch 2 já entrou em uma das fases de baixa produção da Nintendo, sem nada para mostrar em comemoração ao 40º aniversário do Mario — e com apenas um remake de Star Fox no horizonte.
Como tem acontecido cada vez mais nos últimos anos, os maiores sucessos de 2026 estão profundamente enraizados na cena independente, onde pequenas equipes de criadores apaixonados trabalham incansavelmente para manter viva a essência artística dos jogos AAA. O jogo de plataforma pixelado e misterioso Love Eternal combina imagens assombrosas e controles precisos para satisfazer perfeitamente a sede por ação. Forbidden Solitaire une sequências de vídeo em movimento completo a uma abordagem conceitual do jogo de cartas mais simples do mundo, resultando em uma experiência meta e alucinante. Até mesmo franquias clássicas recebem seu destaque peculiar, com Battlestar Galactica: Scattered Hopes dando um toque roguelike — apropriadamente estressante — à estratégia espacial.
E, olha só: também tivemos sucessos de bilheteria impressionantes este ano. A Capcom tem se desdobrado para provar que é uma das melhores desenvolvedoras terceirizadas do mercado, mantendo franquias consagradas como Resident Evil em alta e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para o surgimento de novas séries. Os fãs de James Bond presenciaram um dos retornos mais impactantes dos últimos tempos. Até o Batman voltou após um longo hiato para mostrar, de novo, como se faz um bom jogo de super-herói.
Então, vamos dar o devido crédito e apresentar os títulos que mais se destacaram até aqui. De simuladores de escalada meditativos a delírios febris experimentais, estas são as escolhas da Rolling Stone para os melhores jogos de 2026 até agora.
Cairn
https://www.youtube.com/watch?v=6Ejphz8fY0A
A ideia de desafio como meditação aparece em muitos jogos; o estado de fluxo do Tetris ou a destreza dos dedos em Guitar Hero são projetados para manter mente e corpo presos naquele espaço nebuloso entre estresse e relaxamento. Cairn alcança esse mesmo equilíbrio — em um ritmo muito mais lento, mas ainda eletrizante. É um simulador de escalada com um objetivo simples: chegar ao topo da montanha. Sem pressão.
A jogadora controla Aava, uma alpinista profissional que quer ser a primeira pessoa a alcançar o cume do lendário Monte Kami. Auxiliada por um assistente automatizado chamado Climbot, ela precisa escalar cada parede rochosa com cuidado, controlando com precisão a posição de cada membro. É necessário administrar resistência, fome e sede, além de detalhes como passar magnésio nas mãos ou monitorar a condição dos pitons restantes. Cada passo e cada alongamento podem causar ansiedade, especialmente quando os sons da natureza dão lugar à respiração ofegante e às pernas trêmulas de Aava, a centenas de metros do chão. A alegria sutil de Cairn está numa sequência inebriante de pequenas vitórias, em que a paisagem majestosa e o estado meditativo da sobrevivência geram um estresse diabólico — e irresistível — de superar.
Resident Evil Requiem
https://www.youtube.com/watch?v=hYcpNzFNZrk
A Capcom já deveria ter atingido o auge com Resident Evil, mas, de alguma forma, a franquia de ação e terror continua prosperando. Desde 2017, a empresa lançou seis títulos principais, alternando entre sequências inéditas (Resident Evil 7, 2017, e Village, 2021) e remakes modernizados (Resident Evil 2, 2019, e Resident Evil 4, 2023).
Resident Evil Requiem é o nono título principal da série e incorpora plenamente essa abordagem dupla. A história apresenta dois protagonistas, com estilos de jogo bem diferentes. A novata Grace é uma analista tímida do FBI, cujos capítulos se concentram nos elementos de horror de sobrevivência que tornaram os primeiros jogos tão angustiantes. Já o veterano Leon oferece uma experiência mais voltada ao poder, com sequências repletas de ação e habilidades de combate absurdas. Há ainda a opção de alternar entre a perspectiva em primeira pessoa (como nas entradas recentes) e em terceira pessoa (como nos remakes). Na melhor das hipóteses, esse contraste cria tensão antes de soltar o jogador em uma explosão gloriosamente violenta. Na pior, parece um menu degustação de tudo o que Resident Evil tem a oferecer — o que, por si só, já seria memorável.
Esoteric Ebb
https://www.youtube.com/watch?v=hPXwfbVvyDk
Dungeons & Dragons está mais popular do que nunca. Entre o crescimento das campanhas transmitidas online e o enorme sucesso de Baldur's Gate 3 (2023), o RPG de mesa invadiu a cultura pop — levando muitos fãs a buscar alternativas menos convencionais. Embora Esoteric Ebb seja apenas inspirado, de forma não oficial, em D&D, ele está profundamente enraizado nas mecânicas centrais e na construção de mundo do gênero. O destino do jogador ainda depende da rolagem de um dado de 20 lados.
E vai ser preciso muita sorte. Em vez de acompanhar um grupo completo de heróis competentes, esta aventura solo segue um clérigo amnésico e extremamente inepto, tropeçando numa investigação política muito além da própria capacidade de compreensão. Inspirado por jogos como Disco Elysium (2019), Esoteric Ebb usa caminhos narrativos ramificados e testes de habilidade para conduzir o personagem por cenários repletos de diálogos — a maioria deles terminando mal de um jeito ou de outro. Escrito com inteligência, consistentemente engraçado sem perder densidade temática, o jogo encontra seu próprio espaço num cenário saturado de experiências inspiradas em D&D e funciona maravilhosamente como uma fantasia charmosa sobre ser a pessoa mais perdida de qualquer sala.
Marathon
https://www.youtube.com/watch?v=ckI_m8bbXfw
Raramente um título foi tão apropriado quanto Marathon, da PlayStation. Revelado em 2023, o multiplayer teve dificuldade para gerar entusiasmo e ainda foi marcado por demissões em massa na Bungie em 2024. Quando finalmente ficou jogável em alfa no ano passado, passou quase despercebido. Mesmo após o lançamento, sua base de usuários cresce lentamente. Marathon está vivendo com tempo emprestado.
É uma pena, porque o produto final é fantástico. O jogo de tiro com extração coloca esquadrões de três jogadores — ou participantes solo — uns contra os outros (e contra ondas de inimigos controlados por IA) em mapas extensos, onde é preciso encontrar saques valiosos e escapar antes que o tempo acabe; morrer significa perder tudo. A jogabilidade é elegante e metódica, e cada partida vem carregada de tensão, já que adversários podem surgir de qualquer esquina, prontos para esvaziar seus bolsos. É, sem dúvida, uma experiência de nicho, voltada a um público mais dedicado em busca de ação intensa e impiedosa, em vez das disputas casuais de jogos como Call of Duty. Jogue agora, porque o melhor multiplayer online de 2026 talvez não chegue vivo a 2027.
Pokémon Pokopia
https://www.youtube.com/watch?v=-zpr21HzJ9Q
É impressionante que, 30 anos depois, a febre Pokémon continue tão forte. Mas popularidade não é sinônimo de qualidade, e a maioria dos jogos recentes da eterna série de captura de monstros da Nintendo não foi exatamente boa. Enquanto Mario, Zelda e até Donkey Kong já foram revitalizados diversas vezes, os títulos principais de Pokémon permaneceram estagnados, ultrapassados tanto visualmente quanto em suas mecânicas.
Pokémon Pokopia parece ser o choque de renovação de que a franquia precisava. Abandonando as mecânicas tradicionais de RPG baseadas em capturas e batalhas, o jogo é essencialmente um simulador de construção de cidade com um charme fofo que o aproxima de Animal Crossing. Os jogadores assumem o papel de um Ditto metamórfico que apenas finge ser um treinador em forma humana, preso em uma ilha desolada onde humanos e Pokémon viviam em harmonia. A missão é reconstruir a infraestrutura local, reunindo outros monstrinhos de bolso para formar uma comunidade adorável. Encantador do começo ao fim, Pokopia certamente agradará quem adora organizar e administrar um exército de criaturas para completar listas de tarefas e pequenas atividades.
Sol Cesto
https://www.youtube.com/watch?v=92gKawuQ3zQ
Em qualquer roguelike em que áreas e inimigos são gerados aleatoriamente, a probabilidade exerce algum papel no sucesso do jogador. Mas, fora dos jogos de cartas e dados, poucos dependem tão explicitamente da sorte quanto o indie Sol Cesto. Um dungeon crawler com espírito de cassino de Las Vegas, ele desafia o jogador a descer um sistema de cavernas aparentemente infinito, andar por andar, com cada movimento determinado inteiramente pelo acaso.
Cada partida começa com a escolha de um herói, com vantagens e desvantagens específicas — de um mago fisicamente fraco a um guerreiro de um braço só, com alta resistência. Em seguida, o jogador avança por grades 4×4 repletas de monstros, armadilhas e tesouros. O objetivo é selecionar uma das quatro linhas a cada turno, pousando em uma casa correspondente — cada uma marcada pela porcentagem de chance de ser atingida. Os inimigos podem ser derrotados se os atributos do herói permitirem, mas há pouquíssimo controle além de bônus temporários e palpites. Acertar quadrados suficientes para abrir a porta sem morrer leva ao próximo andar. Parece complicado, mas não poderia ser mais simples: aponte, clique e torça para sobreviver. Depois, repita mais algumas milhares de vezes — porque cada tentativa é uma descarga de dopamina.
Dosa Divas: One Last Meal
https://www.youtube.com/watch?v=2g0OUSPghBI
Após o sucesso de jogos como Metaphor: ReFantazio e Clair Obscur: Expedition 33, os RPGs tradicionais por turnos voltaram com força. Mas nem toda fantasia precisa ser grandiosa; às vezes, uma refeição menor tem tanto sabor quanto um banquete. Com menos de 10 horas de duração, Dosa Divas oferece uma experiência rápida e encantadora, repleta de personagens carismáticos e uma narrativa emocionante — sem os excessos de muitos épicos inflados.
Desenvolvido pela Outerloop Games (cujo lançamento de 2023, Thirsty Suitors (2023), ajudou a ampliar a representação sul-asiática nos games, ao lado de Venba e do recém-lançado Saros), Dosa Divas acompanha duas irmãs afastadas que embarcam numa missão para reunir a família por meio do amor pela comida. No caminho, há dramas familiares intensos, conflitos contra corporações e trajes mecânicos movidos por energia espiritual — tudo costurado num belo mosaico narrativo. As mecânicas são simples — inspiradas diretamente em Super Mario RPG e em diversos minijogos culinários —, mas o que falta em profundidade sistêmica sobra em coração.
Mouse: P.I. for Hire
https://www.youtube.com/watch?v=N5aA150iHkw
Para quem curte o lado detetivesco de Uma Cilada para Roger Rabbit, Mouse: P.I. for Hire, da Fumi Games, oferece uma história noir repleta de animais antropomórficos e uma atmosfera clássica de investigação. Situado na cidade cartunesca de Mouseburg, em 1934, o jogador controla o detetive particular Jack Pepper, que investiga o desaparecimento de um rato — e, obviamente, acaba revelando uma conspiração muito maior.
Embora seja, tecnicamente, um jogo de tiro em primeira pessoa na linha de Doom, a ação de Mouse: P.I. é relativamente simples. Os jogadores exploram áreas lineares em busca de pistas que fazem a história avançar e desbloqueiam novas missões, sendo frequentemente lançados em confrontos armados contra ondas de capangas que reproduzem os maiores clichês da era da Lei Seca. É uma diversão despretensiosa, que se beneficia de um visual cel-shading cheio de humor até nos menores detalhes. Mesmo depois de revirar os olhos diante do enésimo trocadilho envolvendo ratos, ainda dá prazer dissolver um inimigo com ácido e ver seu esqueleto animado desmoronar em desespero.
Pragmata
https://www.youtube.com/watch?v=oncaa_fMsyw
Nos últimos ciclos de consoles, houve muita discussão sobre a enxurrada de jogos protagonizados por "pais tristes", com sucessos AAA como The Last of Us e God of War perpetuando o clichê de homens emocionalmente reprimidos que descobrem a própria humanidade por meio da paternidade. Pragmata, da Capcom, propõe uma alternativa: uma figura paterna substituta que fica genuinamente feliz ao encontrar uma filha robótica.
Ambientado em um futuro próximo, numa colônia mineradora lunar em crise, o jogo de ficção científica acompanha Hugh, um engenheiro astronauta que encontra uma androide adolescente precisando de ajuda. Mas a garota, Diana, é muito mais capaz do que aparenta, e consegue hackear praticamente qualquer coisa com circuitos eletrônicos — habilidade que sustenta a principal mecânica do jogo.
Em sua essência, Pragmata é um jogo de tiro em terceira pessoa que funciona como um jogo de ação da era do PS3 — até que as habilidades de Diana entram em cena. Quase todos os inimigos são resistentes a tiros convencionais, exigindo que o jogador realize invasões digitais durante os combates para expor pontos fracos. É preciso pensar de forma criativa, movimentar-se em tempo real para desviar de robôs e alinhar disparos, enquanto resolve simultaneamente miniquebra-cabeças na tela para maximizar o dano. Como híbrido de quebra-cabeça e jogo de tiro, seus sistemas se complementam de modo harmonioso, transformando o que poderia ser apenas uma aventura competente em algo genuinamente inovador.
Vampire Crawlers
https://www.youtube.com/watch?v=nnzDrXtYuxA
É difícil imaginar como um spin-off de Vampire Survivors (2022) baseado em construção de baralhos poderia funcionar. O jogo de tiro de 2022 se tornou onipresente, inspirando inúmeros imitadores que tentaram reproduzir o design "bullet heaven" que transformou o original em um dos indies mais bem-sucedidos da última década. Ainda assim, Vampire Crawlers: The Turbo Wildcard from Vampire Survivors, apesar do nome complicado, consegue pegar tudo o que funcionava no antecessor focado em ação e repetir o sucesso.
Assim como Survivors, Vampire Crawlers é um roguelike em que melhorias geradas proceduralmente concedem novas armas e habilidades para enfrentar hordas de inimigos em masmorras. Mas, em vez de caminhar em círculos destruindo tudo ao redor, o jogo adota uma abordagem mais estratégica, permitindo que o jogador construa um baralho de cartas de ação para desferir golpes em combates por turnos cada vez mais difíceis. E, embora seja baseado em turnos, o "turbo" do título faz sentido: à medida que o jogador domina as habilidades das cartas e suas combinações, as batalhas passam a fluir rapidamente, quase de forma automática. Em determinado ponto, o jogo se transforma em uma experiência terapêutica, em que os controles parecem naturais — mesmo exigindo decisões o tempo todo.
Titanium Court
https://www.youtube.com/watch?v=1wEQGSvTonM
Se existisse um prêmio para o jogo que combina mais gêneros em um único pacote coeso, Titanium Court seria um forte candidato. No nível mais básico, é um jogo de estratégia point-and-click com um campo de batalha em constante transformação — ou seja, com elementos roguelike — no qual o jogador manipula o cenário eliminando peças em um sistema de combinação ao estilo Bejeweled ou Candy Crush. Quando a batalha começa, ele vira um jogo de defesa de torres. Mas também envolve gerenciamento de recursos — e construção de baralhos. Além disso, toda a narrativa é apresentada como uma visual novel abstrata, baseada em texto, com aparência de um software dos primórdios do MS-DOS.
Entender Titanium Court pode ser difícil no começo, mas, quando suas partes começam a se encaixar, impressiona a quantidade de sistemas que um único jogo consegue unir com sucesso. A história surrealista, que brinca com a própria realidade, é envolvente; há um mistério no centro da trama, escondido sob páginas de diálogos absurdistas e piadas visuais. É uma experiência desconcertante, que acerta em cheio no tom excêntrico — e vira uma das viagens febris mais memoráveis dos games em 2026.
Diablo IV: Lord of Hatred
https://www.youtube.com/watch?v=Qu1PmW-Qzxk
Embora não seja um jogo independente, Lord of Hatred é uma expansão robusta que reformula Diablo IV e finalmente entrega todo o potencial do RPG de ação. Lançado originalmente em 2023, o dungeon crawler da Blizzard foi visto por muitos como um retorno às origens — especialmente por quem buscava um tom mais sombrio do que o de Diablo III e uma jogabilidade mais próxima das raízes mais exigentes da franquia. O jogo base atingiu esses objetivos de forma irregular, mas geralmente bem-sucedida, e já havia sido aprimorado pela primeira grande expansão, Vessel of Hatred (2024).
No geral, Lord of Hatred corrige retroativamente muitos dos maiores problemas do jogo como serviço. A progressão de personagens e as árvores de habilidades foram simplificadas, mas também ganharam novas opções de personalização para aperfeiçoar construções específicas. O conteúdo de fim de jogo agora depende menos de repetição excessiva e oferece caminhos mais claros para a evolução contínua, sem cair na monotonia. A nova campanha é facilmente a melhor já vista em Diablo IV e conclui a narrativa principal de modo satisfatório. A expansão também adiciona duas novas classes — Paladino e Bruxo — extremamente divertidas de jogar e experimentar. Com Lord of Hatred, Diablo IV alcança um novo auge e atrai, com mérito, tanto veteranos quanto novos jogadores.
Saros
https://www.youtube.com/watch?v=rj_1CzKUR4w
Mesmo se aproximando de seu sexto aniversário, o PlayStation 5 ainda não tem uma grande quantidade de exclusivos que realmente pareçam representar a nova geração. Um dos poucos destaques foi Returnal (2021), um jogo de tiro em terceira pessoa no estilo bullet hell que parecia um salto tecnológico e de experiência. Agora, a desenvolvedora Housemarque busca tornar sua marca de ação um pouco mais acessível com seu sucessor espiritual, Saros.
Assim como Returnal, Saros coloca o jogador em um planeta alienígena hostil onde tudo está pronto para matar — inclusive a própria paisagem, em constante mutação. A história acompanha Arjun Devraj, agente de uma corporação cuja equipe foi quase totalmente exterminada durante uma missão de reconhecimento no planeta Carcosa. Arjun guarda segredos, assim como o próprio planeta, e o jogador precisa atravessar múltiplos biomas, desviando de projéteis e enfrentando hordas de inimigos para descobrir a verdade. Saros exige reflexos rápidos e determinação, mas se mostra menos intimidador que o antecessor graças a um conjunto de modificadores que permite ajustar a dificuldade. Talvez não alcance os mesmos picos de excelência, mas ser quase tão bom quanto um dos melhores jogos de tiro já feitos continua sendo uma conquista enorme.
Mixtape
https://www.youtube.com/watch?v=aQoEd5rnxiQ
Cada geração tem sua própria versão de uma história de amadurecimento, mas existe algo universal no desejo de reviver os dias de verão interminável antes de a vida adulta chegar para acabar com a festa. Mixtape faz um excelente trabalho ao transportar para os videogames essa nostalgia compartilhada que tornou filmes como Curtindo a Vida Adoidado e Superbad tão marcantes.
Ambientado em uma cidade suburbana fictícia da Califórnia dos anos 1990, Mixtape acompanha o último dia das férias de verão de três melhores amigos que se preparam para a festa definitiva. O território é familiar, recriando a atmosfera de qualquer filme de John Hughes. Os adolescentes falam compulsivamente sobre música, brigam por traições pessoais e desafiam figuras de autoridade. A protagonista quebra a quarta parede o tempo todo para compartilhar pensamentos, numa interpretação claramente inspirada por Wayne Campbell. Em termos de mecânica, trata-se principalmente de uma aventura point-and-click pontuada por minijogos, como skate e tiro ao alvo com garrafas. Mas o grande atrativo está na atmosfera: Mixtape veste uma nostalgia muito específica, que pode soar autêntica para alguns e apenas familiar para outros — e, ainda assim, sua sinceridade é suficiente para render algumas horas genuinamente agradáveis.
Forza Horizon 6
https://www.youtube.com/watch?v=oYhaW-Vr4wg&vl=pt-BR
A série Forza Horizon frequentemente parece um peixe grande em um lago pequeno. Jogos de corrida arcade eram extremamente comuns no passado, mas hoje o gênero perdeu espaço, com corredores de kart e franquias anuais de Fórmula 1 preenchendo a maior parte do mercado. Ainda assim, Forza Horizon continua sendo um símbolo de uma época em que quase todo mundo tinha ao menos um grande jogo de corrida para revisitar indefinidamente — e o novo capítulo não é diferente.
Forza Horizon 6 leva as corridas em mundo aberto da série para uma versão estilizada do Japão, trazendo sua característica velocidade frenética para ambientes mais compactos do que as vastas paisagens do jogo anterior. Continua sendo uma experiência extremamente espetaculosa, evocando as cenas de corrida estilizadas dos filmes da franquia Velozes e Furiosos — de quando ela ainda era centrada na cultura automotiva. Com mais de 550 carros, todos recriados com um nível impressionante de detalhes, e um enorme mundo aberto para explorar, o jogo entrega uma experiência de corrida de altíssimo nível — e segue sem concorrentes diretos.
Zero Parades: For Dead Spies
https://www.youtube.com/watch?v=hx42cSlFs7Q
Praticamente todo RPG recente inspirado em jogos de mesa será comparado ao aclamado Disco Elysium, mas Zero Parades carrega um peso adicional: é um sucessor legítimo do clássico mistério isométrico da ZA/UM. Felizmente, apesar de um desenvolvimento turbulento, o jogo consegue escapar da sombra de Elysium e se destacar como uma narrativa fascinante por mérito próprio. Embora compartilhe sistemas semelhantes aos do antecessor e de outros títulos inspirados por ele, como Esoteric Ebb, o jogo traz ideias novas envolvidas em uma trama de espionagem digna de John le Carré.
Ambientado em um mundo fictício onde comunismo, capitalismo e tecnofascismo continuam em conflito, Zero Parades coloca o jogador na pele de um agente infiltrado em uma casa segura prestes a iniciar uma missão. Naturalmente, há memórias pouco confiáveis a serem decifradas — além de um corpo incapacitado em um canto do cômodo. Quando o telefone toca, o jogo de espionagem começa. Quem aprecia experiências centradas em texto, em que cada escolha errada ou rolagem desfavorável pode levar ao desastre, encontrará em Zero Parades uma história repleta de paranoia e tensão.
Yoshi and the Mysterious Book
https://www.youtube.com/watch?v=2zKV9G6dXag
Com exceção de Yoshi's Island (1995), clássico de plataforma lançado para o SNES, a maioria dos jogos estrelados pelo companheiro dinossauro de Mario nunca representou um grande desafio. Em geral, funcionam como títulos introdutórios para crianças, quase sempre acompanhados de algum estilo visual fofo — como mundos feitos de papel ou lã. Nesse sentido, Yoshi and the Mysterious Book segue a tradição, colocando Yoshi dentro de um livro em que tudo parece desenhado a lápis de cor.
Mas, enquanto jogos anteriores tropeçavam ao tentar infantilizar ainda mais uma fórmula já simples, esta nova aventura muda o foco para a exploração e a resolução de quebra-cabeças ambientais. A trama mostra Yoshi conhecendo uma enciclopédia viva chamada Sr. E, entrando em suas páginas para identificar criaturas e compreender comportamentos numa abordagem mais antropológica do universo da Nintendo. Com animações feitas para parecer stop-motion, cada movimento lembra um flipbook ganhando vida, resultando em mais uma aventura visualmente encantadora — e, desta vez, também intelectualmente estimulante.
LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight
https://www.youtube.com/watch?v=DfJaUpW_P00
O fato de Batman estar há mais de uma década sem um grande videogame próprio chega a ser absurdo. Desde o encerramento da trilogia Arkham, da Rocksteady, em 2015, o Cavaleiro das Trevas foi relegado principalmente a experiências em realidade virtual e a um destino lamentável em Suicide Squad: Kill the Justice League. Agora, a Warner Bros. Games tenta compensar os fãs com um jogo LEGO que reúne elementos de toda a história do herói, desde 1939, em uma grande celebração.
Legacy of the Dark Knight funciona essencialmente como uma releitura acessível das muitas aventuras de Batman, misturando personagens e histórias de filmes, séries animadas e quadrinhos clássicos em uma única narrativa. Com um nível impressionante de detalhes nas referências, há algo aqui para fãs de todas as idades. O jogo demonstra grande habilidade ao combinar diferentes períodos da mitologia do personagem em uma estética LEGO encantadora. Aqui, produções como Batman & Robin (1997) podem coexistir com O Cavaleiro das Trevas sem soar estranho. Mais importante: parte da equipe trabalhou anteriormente na série Arkham, e o jogo herda tanto o mundo aberto denso quanto o combate fluido que tornaram aqueles títulos tão populares.
007 First Light
https://www.youtube.com/watch?v=gDvbGANDH4E
James Bond não é estranho aos videogames, mas seu histórico na área é bastante irregular. GoldenEye (1997) é lembrado como um dos primeiros grandes jogos de tiro em primeira pessoa dos consoles domésticos, mas os quase vinte anos seguintes produziram poucos títulos realmente memoráveis. Além disso, os próprios filmes se tornaram menos frequentes, e o fim da era Daniel Craig resultou na maior espera já registrada por um novo longa da franquia.
Só esse contexto já bastaria para gerar expectativa em torno de 007 First Light, da IO Interactive. Mas mesmo os mais céticos ficarão satisfeitos ao descobrir que ele não é apenas um bom jogo de James Bond — é uma das obras mais importantes da história da franquia. O título de ação em terceira pessoa aproveita toda a experiência da IOI com furtividade e quebra-cabeças sociais, características que tornaram a série Hitman tão rica em possibilidades. Com valores de produção dignos de Hollywood, o novo 007, interpretado por Patrick Gibson, oferece toda a ação espetacular do cinema, ao mesmo tempo em que se beneficia da duração ampliada que um jogo de vinte horas permite. First Light ocupa um espaço raramente explorado no universo de Bond, entregando a profundidade de caracterização dos romances, o carisma dos filmes e a imersão única dos videogames. Pode muito bem apontar o melhor caminho para o futuro da franquia.
Mina the Hollower
https://www.youtube.com/watch?v=KCggdKGyg9M
Se alguém dissesse que um jogo com visual inspirado no Game Boy seria um dos principais candidatos a Jogo do Ano, pareceria loucura. Mas é exatamente esse o nível de qualidade de Mina the Hollower. Desenvolvido pela Yacht Club Games — estúdio cujo primeiro sucesso, Shovel Knight (2014), redefiniu o design inspirado em jogos retrô —, Mina é uma aventura no estilo The Legend of Zelda extremamente ambiciosa, embora não pareça isso à primeira vista.
Ambientado em um mundo gótico habitado por animais falantes, o jogo acompanha Mina, uma renomada inventora e camundonga antropomórfica, que viaja para uma ilha onde suas criações ajudaram a impulsionar a industrialização local. Ao descobrir que alguém sabotou seus geradores, ela precisa explorar diferentes regiões e masmorras para restaurar o trabalho e resolver o problema. Visualmente — e também na jogabilidade —, Mina foi concebido para parecer um título portátil dos anos 1990. Seus sprites são simples e a perspectiva isométrica é limitada. Mas essas restrições estéticas servem justamente para estimular a criatividade em outros aspectos, da construção sutil de mundo ao design complexo dos cenários — especialmente no combate. Mina the Hollower é implacável na dificuldade, mas raramente parece injusto. E, embora tenha a aparência de um jogo de 1996, não se engane: é um dos melhores títulos de 2026.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.