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Dez anos de Warhammer e ainda tem muito chão: uma conversa com o diretor de Total War: Warhammer III

Richard Aldridge, da Creative Assembly, fala sobre Bhashiva, os Guerreiros Tigre e o que significa continuar expandindo o jogo

25 mai 2026 - 11h40
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Total War: WARHAMMER III - Bhashiva
Total War: WARHAMMER III - Bhashiva
Foto: Divulgação

Total War: Warhammer faz dez anos de pancadaria e muita estratégia em mapas absurdamente caóticos com centenas de guerreiros. E teve uma pergunta que eu queria fazer antes de qualquer outra, e não estava no roteiro oficial: como é trabalhar em um jogo por tanto tempo sem perder o entusiasmo? Richard Aldridge, diretor sênior de Total War: Warhammer III, respondeu isso de forma indireta ao longo de toda a nossa conversa. A empolgação com Bhashiva, com os Guerreiros Tigre, e com o que ainda está por vir. Não parece protocolo. Parece alguém que realmente ainda quer estar ali.

Total War: Warhammer III chegou em 2022 como o fechamento da trilogia iniciada em 2016. Uma década de suporte, expansões e uma comunidade que simplesmente não foi embora. E agora, com o Pacote de Personagem Bhashiva que chegou em 21 de maio, a Creative Assembly introduziu uma das adições mais aguardadas pelos fãs de Grand Cathay: os Guerreiros Tigre, liderados por Bhashiva, a Tigresa do Deserto, Tigre Branco de Shang-Yang.

Conversamos com Richard sobre como traduzir lore em gameplay, os bastidores do equilíbrio competitivo e o que significa continuar desenvolvendo conteúdo para um jogo que já viveu muito mais do que qualquer um esperava.

Total War: WARHAMMER III - Bhashiva
Total War: WARHAMMER III - Bhashiva
Foto: Divulgação

Game On - Os Guerreiros Tigre nunca tinham ganho vida em gameplay antes. Como foi traduzir essa cultura guerreira da lore em mecânicas de batalha, especialmente o estilo de emboscada tão diferente do Grand Cathay tradicional?

Richard Aldridge - Foi incrível ter acesso ao material da Games Workshop e mergulhar de verdade na história dos Guerreiros Tigre e no que eles representam. Desde o início, o objetivo não era substituir nada em Grand Cathay, mas complementar e expandir suas opções táticas de forma significativa.

Grand Cathay sempre priorizou a disciplina e a força defensiva, então adaptar os Guerreiros Tigre significou seguir uma direção completamente diferente. Eles são construídos em torno da velocidade, da furtividade e de emboscadas repentinas, o que abre um estilo de jogo totalmente novo para a facção. Essa mudança permite que os jogadores deixem de lado a ideia de manter a linha de frente e pensem em posicionamento, timing e em atacar onde o inimigo é mais vulnerável.

Isso fica mais evidente na forma como eles operam no campo de batalha. Recompensam a paciência e a percepção, a capacidade de se posicionar furtivamente, flanquear e atacar com força no momento certo. É um estilo muito mais agressivo e fluido do que os jogadores de Cathay podem estar acostumados, mas ainda funciona em conjunto com os pontos fortes tradicionais da facção, em vez de substituí-los.

Depois temos os Clawspeakers, que realmente reforçam essa mudança. Eles se movem rapidamente, avançam e ajudam a moldar a batalha antes mesmo de ela começar, adicionando novas camadas de flexibilidade que Cathay simplesmente não tinha antes. Com acesso a novas combinações de magia, oferecem aos jogadores mais ferramentas para apoiar esse estilo focado em emboscadas ou para se adaptarem rapidamente. Em conjunto, isso leva Grand Cathay a um espaço que ela realmente não ocupava antes.

Total War: WARHAMMER III - Bhashiva
Total War: WARHAMMER III - Bhashiva
Foto: Divulgação

Game On - Bhashiva e os Guerreiros Tigre têm um estilo de combate baseado em velocidade. Como vocês garantiram que esse estilo mais agressivo e predatório fosse viável competitivamente sem quebrar o equilíbrio das batalhas multiplayer?

Richard Aldridge - É uma questão complexa, porque Bhashiva e os Guerreiros Tigre trazem muita utilidade para Grand Cathay, o que significa que haverá muitos casos de uso diferentes. Os jogadores sempre encontrarão as configurações que funcionam melhor para eles e, às vezes, isso leva a resultados inesperados.

Isso é especialmente verdadeiro em um jogo como Warhammer III, que neste momento é uma experiência tão vasta e variada. Com tantas facções, unidades e interações, nem todos os confrontos serão perfeitamente equilibrados. Os Guerreiros Tigre são rápidos e agressivos e abrem novas possibilidades, mas não são isentos de fraquezas. Eles ainda podem ser encurralados ou neutralizados se você os pegar na situação errada.

Por causa disso, grande parte da nossa abordagem se baseia na observação e na iteração. Passamos muito tempo analisando como as coisas realmente funcionam no ambiente de jogo, em vez de apenas como deveriam funcionar no papel. É aí que a comunidade se torna incrivelmente importante. Estou sempre de olho no Reddit, no Discord e nos fóruns oficiais para identificar qualquer coisa que pareça realmente fora do normal. O feedback que recebemos é extremamente valioso. As pessoas são muito diretas sobre o que não está funcionando, e isso nos ajuda a identificar rapidamente o que precisa de atenção.

Game On - Warhammer III completa quatro anos em 2026. Como é continuar desenvolvendo conteúdo para um jogo nesse estágio, e o que Bhashiva representa dentro desse ciclo de suporte?

Richard Aldridge - Se você perguntasse a qualquer pessoa da equipe se a série estaria comemorando seu décimo aniversário ainda com suporte ativo, acho que poucos esperariam isso. Mas todos nós adoramos que isso aconteceu.

Essa longevidade demonstra a riqueza do cenário e a força do nosso relacionamento com a Games Workshop, que nos permite introduzir conteúdo como Bhashiva para expandir o jogo de maneiras que aprimoram a experiência e enriquecem a história. Bhashiva foi um experimento muito empolgante. Com grande parte do conteúdo já explorado, queríamos tentar algo diferente: um pacote menor em escopo, mais focado, que nos dá flexibilidade para explorar personagens que talvez não se encaixassem em um lançamento maior. Estamos muito animados para saber o que os fãs vão achar.

Game On - Olhando para trás, o que Warhammer III entregou que vocês não esperavam, e o que ficou no caminho?

Richard Aldridge - Em sua essência, nunca imaginamos que acabaríamos com tanto conteúdo reunido em Immortal Empires. O que começou como uma trilogia se transformou em algo muito maior, e ver tudo conectado em um só lugar ainda é surreal.

Uma das oportunidades mais gratificantes e inesperadas foi trazer Grand Cathay para o jogo. Eles só haviam sido mencionados superficialmente na história, então trabalhar diretamente com a Games Workshop para ajudar a defini-los e dar vida a eles foi realmente especial. Sentimos que estávamos ajudando a construir uma parte do mundo de Warhammer de uma forma inédita.

Ainda há muito que estamos ansiosos para explorar. Ainda neste ano, por exemplo, lançaremos um dos nossos maiores pacotes até hoje: Lords of the End Times, com quatro novas facções e um Lorde Lendário gratuito para os Vampire Counts. Nunca houve um momento mais empolgante para entrar no jogo.

Game On - Com Total War: Medieval 3 e Total War: Warhammer 40.000 no horizonte, como a equipe equilibra o suporte contínuo ao Warhammer III com o olhar voltado para o futuro?

Richard Aldridge - De fora, pode parecer que dar suporte ao Warhammer III em paralelo com projetos futuros dividiria o foco, mas temos equipes dedicadas trabalhando em projetos diferentes que estão em estágios muito distintos de desenvolvimento.

O que Warhammer III precisa hoje em termos de suporte é muito diferente do que um título no início da produção precisa. Nossos projetos são estruturados em torno disso, com equipes focadas em objetivos específicos e flexibilidade para realocar pessoas conforme as necessidades mudam. Essa abordagem garante que possamos continuar entregando atualizações significativas para Warhammer III enquanto fazemos progressos reais no que está por vir. Não se trata de dividir atenção, mas de uma configuração estratégica que permite que cada projeto receba o foco necessário.

Conclusão

O que fica dessa conversa com Richard Aldridge não é uma grande revelação ou um anúncio surpresa. É algo mais simples e, de certa forma, mais raro: a sensação de estar falando com alguém que ainda tem curiosidade genuína pelo jogo que dirige. A empolgação com Bhashiva como experimento, o orgulho evidente ao falar de Grand Cathay, a forma como ele menciona os fóruns e o Discord não como obrigação mas como parte natural do processo.

Dez anos de Total War: Warhammer é muito tempo para qualquer franquia. Que ainda haja gente dentro do estúdio querendo explorar um canto novo do mapa diz bastante sobre por que isso ainda funciona.

O Pacote de Personagem Bhashiva está disponível em Total War: Warhammer III, por R$ 21,90 na Steam.

Fonte: Game On
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