Anno 117: Pax Romana traz uma ambição histórica que vale a pena conferir
A série retorna com uma proposta mais acessível e cheia de personalidade
Anno já passou por várias épocas e interpretações de estratégia, mas a identidade de criar, ajustar e ver seus mundos crescerem sempre esteve lá. Com Anno 117 Pax Romana, a série volta para um período que muitos fãs queriam, trazendo uma direção mais focada na ambientação e nas escolhas que realmente definem o caminho da campanha e do modo livre.
O jogo trabalha esse período histórico com segurança. A imersão começa cedo, com o cenário revelando camadas políticas e culturais, enquanto os sistemas valorizam cada pequena decisão. Ele incentiva a explorar no seu próprio ritmo e a entender como cada escolha influencia o futuro da sua cidade e do seu povo, sem forçar nada.
Dois personagens, uma mesma história
Foi a minha primeira vez jogando algo da franquia Anno e sempre imaginei que fosse apenas aquele típico jogo de gerenciamento, construindo estabelecimentos e vendo a cidade crescer enquanto eventos aleatórios tentam atrapalhar o progresso. Só que a surpresa veio logo no menu, quando percebi um detalhe que eu não esperava ver nesta edição da série.
Para quem gosta de campanhas, o jogo entrega uma opção bem interessante. Podemos escolher entre dois personagens, Marcus e Marcia, cada um com sua própria visão dos acontecimentos. Isso não altera diretamente a jogabilidade, mas ajuda a construir duas perspectivas distintas, principalmente no caso da Marcia, que vive em uma época em que mulheres tinham pouco espaço na política. O jogo aborda isso muito bem, especialmente nos diálogos com outras figuras históricas.
A campanha de Anno segue a estrutura de um RPG tradicional misturado com gerenciamento. Existem missões secundárias, desenvolvimento de relações com outros personagens e escolhas de diálogo que moldam o caminho da história. O primeiro ato funciona como uma introdução às mecânicas e prepara o terreno para o segundo, onde enfrentamos o primeiro grande desafio. Uma guerra se aproxima e cabe ao jogador decidir se resolve a situação pela diplomacia ou partindo para o conflito.
No geral, é uma campanha decente, com boas animações nos diálogos graças à direção de arte dos personagens. A existência de dois governantes com histórias diferentes ajuda bastante no fator replay. Meu único ponto negativo, que pode variar para cada jogador, é a duração. Com apenas dois atos, onde tudo passa rápido demais.
Roma não foi construída em um dia
Sobre a jogabilidade, ela entrega exatamente o que se espera de um jogo de construção de cidades, mas com alguns pontos que merecem destaque. Isso fica ainda mais claro quando encerramos a campanha e seguimos para o modo sandbox, que é onde o jogo realmente mostra seu potencial para quem gosta de criar no próprio ritmo.
No sandbox, podemos escolher entre duas províncias. Latium segue o estilo clássico de Roma antiga, com cidades estruturadas e próximas do que vemos nos livros de história. Albion é o oposto, com florestas densas e quase nenhuma civilização, remetendo mais à cultura celta. É o tipo de cenário ideal para quem gosta de construir algo do zero e assistir o crescimento tomar forma, que foi o meu caso.
O gerenciamento segue o básico esperado do gênero. Coletamos recursos, construímos estradas, estabelecimentos e, mais adiante, defesas e armeiros para preparar um exército caso a guerra aconteça. O jogo também traz um sistema de pesquisa bem robusto, que dita o ritmo da economia, da força militar e das necessidades do povo. Entre tudo isso, duas mecânicas se destacam de verdade, Romanização e Religião.
A Romanização permite ao jogador decidir se implementa a cultura romana em uma região celta. Essa decisão afeta diretamente o que será possível construir e quais caminhos se abrem no futuro. Manter a cultura celta leva a construções mais harmoniosas e focadas na vida rural, com produção de bebidas, queijos e outras tradições. Já adotar a cultura romana abre portas para comércio, economia estruturada e a chegada de nobres que impulsionam o crescimento da cidade. No sandbox isso funciona muito bem, porque dá vontade de experimentar os dois caminhos e ver até onde cada mistura pode chegar.
Enquanto a religião também tem grande peso no jogo. Ela utiliza o panteão romano, com Deuses como Netuno, Marte e Épona. Cada construção pode ser associada a uma divindade, e cada Deus concede um tipo de benefício único. Ceres, por exemplo, ligada à agricultura, melhora diretamente a colheita. O sistema funciona muito bem porque não limita o jogador a um único Deus. É possível diversificar as crenças pelos territórios, mas seguir fielmente uma divindade específica também traz vantagens extras.
Considerações
Anno 117 não tenta reinventar o gênero, mas acerta ao aprofundar suas melhores ideias. A campanha é direta e poderia ser mais longa, porém o verdadeiro valor do título aparece quando você parte para o sandbox e começa a explorar as opções de romanização, religião e especialização das províncias. É um jogo que recompensa quem gosta de planejar e testar combinações, e deixa claro que a série ainda tem muito a oferecer.
Anno 117: Pax Romana está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Ubisoft.