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Análise: Ghostwire Tokyo funciona mesmo com fórmula manjada

Mundo aberto do jogo não traz novidades em jogabilidade, mas acerta ao apresentar cultura oriental

21 mar 2022 - 10h36
(atualizado às 10h41)
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Em Ghostwire Tokyo, a cidade é invadida por espíritos
Em Ghostwire Tokyo, a cidade é invadida por espíritos
Foto: Bethesda / Divulgação

Ghostwire Tokyo provavelmente é o último jogo debaixo da asa da Bethesda que chegará ao PlayStation 5, pelo menos por um tempo. Dessa forma, esta é a despedida temporária da marca nos consoles da Sony. E devo dizer que é uma despedida um tanto quanto honrosa. Vale ressaltar que o jogo também chegará para PC, mas não para consoles Xbox.

Tive a oportunidade de jogar Ghostwire Tokyo nos últimos quinze dias e pude compartilhar algumas impressões iniciais sobre os dois primeiros capítulos do jogo (você pode conferir aqui). Ainda que o game não tenha mantido o impacto da novidade das primeiras horas, o jogo da Tango ainda é um bom refresco, mesmo trazendo um mundo aberto formulaico.

História te amarra quando jogabilidade falha

Ghostwire Tokyo tem um começo confuso, onde acompanhamos o distrito de Shibuya, no Japão, sendo atacado por um grupo espiritual comandado por Hannya. Ele controla um grupo de espíritos agressivos chamados Visitantes e caça as almas do local. Quando Hannya invade a cidade, uma névoa mortal para humanos se espalha pela região. Neste contexto, acompanhamos o espírito de KK dominar o corpo de Akito, o que faz com que o jovem japonês consiga sobreviver a toda aquela situação.

Como dito acima, o começo é confuso, mas à medida que entendemos a história, ela nos prende. Em um primeiro momento, KK parece querer dorminar completamente o corpo de Akito, querendo cortar qualquer livre arbítrio do rapaz, mas logo o jovem demonstra uma habilidade espiritual que KK não esperava. Assim, uma relação de mestre e aprendiz se cria e é muito bem desenvolvida ao longo do jogo, sendo um dos pontos fortes do enredo.

Quando a jogabilidade pode desanimar um pouco, a história de KK e Akito tentando impedir o domínio completo de Shibuya por parte de Hannya segura o espectador.

Tinha potencial, mas...

Escudo de defesa do jogo lembra Dr. Estranho
Escudo de defesa do jogo lembra Dr. Estranho
Foto: Tango / Reprodução

A jogabilidade é um ponto frustrante de se falar de Ghostwire Tokyo. Não porque é ruim, mas sim por demonstrar um potencial que a Tango não explorou tanto quanto podia. Basicamente, os principais poderes do game são a de manipulação de éter, com variações elementais. KK é um ser que possui muitas habilidades de éter e transfere esses poderes para Akito quando está no seu corpo.

O jogador pode disparar, por exemplo, ataques espirituais de vento, fogo e água, com cada elemento servindo um propósito. Fogo é mais forte e possui pouca "munição", água é melhor para combates em curta distância e vento é a mais básica, mas com mais munição e alta velocidade de disparos. Além disso, o jogo também te entrega um arco e flecha, além de alguns talismãs que podem paralisar os inimigos ou te ajudar a fugir.

Com uma estética belíssima e gráficos muito estilosos e bonitos na hora de usar as habilidades, a jogabilidade impressiona nos primeiros momentos, mas após algumas horas o gosto é de que faltou algo mais. A árvore de habilidades é bem tímida e não aplica uma variação de jogabilidade. Ela funciona na melhoria de aspectos como alcance, velocidade de disparos ou tamanho do ataque.

Árvore de habilidades de Ghostwire Tokyo é extremamente simples
Árvore de habilidades de Ghostwire Tokyo é extremamente simples
Foto: Bethesda / Reprodução

Por fim, além destes aspectos que deixam um gosto de quero mais, o combate até entrega uma diversão consistente, mas falha em alguns momentos, principalmente na fluidez de movimento de Akito. Se você é cercado por mais monstros, a movimentação é bastante irritante. E não digo que parece que o combate foi desenhado dessa forma para ser mais difícil, mas simplesmente que faltou fluidez. Até porque essa mobilidade um pouco travada pode frustrar até mesmo fora de combate.

Mergulho na cultura japonesa

Jogabilidade de Ghostwire Tokyo é viciante
Jogabilidade de Ghostwire Tokyo é viciante
Foto: Tango / Reprodução

O mundo aberto de Ghostwire Tokyo é formulaico. A névoa domina a cidade, dessa forma você deve liberar áreas de Shibuya ao purificar portões Torii. Além disso, você deve coletar espíritos e registrá-los em cabines telefônicas com um amigo de KK. Não existe muita inovação neste sentido, mas o mergulho na cultura japonesa, além de uma boa criatividade, tornam a exploração do mundo mais divertida do que ela "deveria" ser.

As sidequests algumas vezes exploram crenças espirituais orientais, mas também lendas urbanas do Japão. E mesmo quando não faz isso, a criatividade aparece, como por exemplo em uma quest secundária curta em que você deve ajudar um espírito que ficou preso no banheiro por achar que tinha que fazer o "número dois" antes de partir para o plano espiritual.

Ghostwire Tokyo pode assustar bastante

Kuchisake é uma das lendas urbanas adaptadas em Ghostwire Tokyo
Kuchisake é uma das lendas urbanas adaptadas em Ghostwire Tokyo
Foto: Bethesda / Reprodução

Além das quest secundárias, a história e ambientação do jogo acertam muito, principalmente em alguns aspectos técnicos, que fazem que a imersão seja muito boa. O uso das novas tecnologias do DualSense estão muito boas, como por exemplo a comunicação de KK com Akito, que é feita através do controle. Além disso, os gatilhos hápticos são um belo acréscimo no uso das habilidades.

Mas, fora essa parte, o design dos Visitantes, bem como o trabalho de áudio realizado fazem com que Ghostwire Tokyo seja uma experiência aterrorizante em diversos momentos. Algumas experiências audiovisuais como os originais "O Grito" e "O Chamado" já mostraram que o Japão consegue assustar quando lida com espíritos. Ghostwire Tokyo não foi diferente em algumas quests secundárias. Jogar de noite, com fone de ouvido e realizar missões como entrar em um prédio onde os espíritos falam que foram assassinados por uma mulher de vermelho, pode ser algo bem aterrorizante. Além disso, em alguns casos os espíritos trabalham na mente de Akito e deformam o lugar, brincando com iluminação, cores e muito mais.

Vale ressaltar que alguns dos monstros, como a Kuchisake, são inspiradas em folclore japonês. A citada é uma mulher que, segundo as lendas, tem um rosto completamente deformado e carrega uma arma afiada para deixar as pessoas com a aparência igual a dela. A Visitante do jogo que é inspirada nessa lenda é apresentada com um "belo" design, tanto visual quanto de aúdio.

No frigir dos ovos

Ghostwire Tokyo - Nota 7.5
Ghostwire Tokyo - Nota 7.5
Foto: Game On / Divulgação

Ghostwire Tokyo começa muito forte ao trazer um design e jogabilidade atraentes, mas que deixam a sensação de um potencial muito maior e que não foi aproveitado. Entretanto, a ambientação é convincente, e até assustadora em alguns momentos. Além disso, as quests secundárias divertem, não por sua jogabilidade ou dificuldade, mas sim pela variação e mergulho na cultura japonesa, principalmente no que tange as lendas urbanas do país.

Ghostwire Tokyo é um belo jogo de ação e aventura, com alguns momentos assustadores, mas poderia ter sido muito mais.

*Esta análise foi feita no PlayStation 5 com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Bethesda.

Fonte: Game On
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