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Venda da SAF do Vasco tem bastidor decisivo antes de avançar

Grupo interessado se antecipa à regulação e tenta evitar entraves no fair play financeiro

24 mar 2026 - 20h12
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Foto: Matheus Lima/Vasco / Esporte News Mundo

Nos bastidores do futebol brasileiro, a possível venda da SAF do Vasco começa a ganhar contornos mais definidos e também mais complexos. Representantes do grupo liderado pelo empresário Marcos Lamacchia deram um passo importante ao iniciar contatos com membros da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). A movimentação, ainda preliminar, tem como foco apresentar a estrutura da empresa que pretende assumir o controle do clube carioca.

A estratégia é clara: alinhar previamente o modelo societário às exigências do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), mecanismo que regula práticas de fair play financeiro no país. A ideia é evitar surpresas no momento decisivo da negociação e, se necessário, realizar ajustes antes da formalização da compra. O presidente do Vasco, Pedrinho, afirmou recentemente, em entrevista na sede da CBF, que a expectativa é concluir o processo ao longo de 2026.

Estrutura societária e possíveis entraves no caminho

Apesar do avanço nas tratativas, o cenário está longe de ser simples. Um dos principais pontos de atenção envolve a ligação familiar de Marcos Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Ele é filho de José Carlos Lamacchia, dono da Crefisa, e enteado da dirigente alviverde — fator que pode gerar questionamentos à luz das normas vigentes.

O artigo 86 do SSF estabelece que nenhuma pessoa física ou jurídica pode exercer controle ou influência significativa sobre mais de um clube simultaneamente. Essa influência não se limita à participação acionária direta: inclui também poder de decisão em políticas financeiras, direito de veto, nomeação de executivos ou até acordos que envolvam mais de 10% dos direitos de voto.

Além disso, a regulamentação amplia o alcance da análise ao considerar vínculos familiares. Participações e poderes de decisão de cônjuges, companheiros ou parentes de até segundo grau entram no cálculo, o que torna o caso ainda mais delicado.

Mesmo sem uma reunião formal realizada até o momento, há previsão de um encontro entre o grupo e a ANRESF nas próximas semanas. Internamente, a aproximação foi bem recebida pela agência, interpretada como um sinal de transparência e disposição para adequação às regras antes da conclusão do negócio.

Entre as alternativas estudadas está a adoção de um modelo conhecido como "blind trust". Nesse formato, um fundo independente assume o controle dos ativos, sem que o proprietário tenha acesso ou influência direta sobre a gestão. A solução poderia funcionar como um mecanismo temporário até o fim do mandato de Leila Pereira no Palmeiras, previsto para dezembro de 2027.

O presidente da ANRESF, Caio Resende, já indicou que o caso será analisado com rigor. Segundo ele, situações envolvendo múltiplos clubes exigem atenção redobrada, especialmente quando há estruturas societárias complexas. A agência terá até 30 dias para avaliar qualquer mudança formal no controle do Vasco após sua notificação.

O desfecho ainda é incerto, mas uma coisa já está clara: a negociação vai além dos números e entra em um terreno onde governança, ética e transparência serão determinantes para definir o futuro do clube.

Esporte News Mundo
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