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Uefa, Concacaf e AFC desafiam Infantino e cobram mudanças na Fifa

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, voltou a ser alvo de fortes críticas nesta segunda-feira (10), em um novo capítulo da crise que divide o futebol mundial. As confederações de futebol da Europa, da América do Norte e Central e da Ásia divulgaram uma carta conjunta na qual afirmam que o futebol "não pertence a nenhum indivíduo" e cobram mudanças na forma como a entidade é conduzida.

10 ago 2026 - 11h13
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"Quando a confiança é rompida por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, este dever é abandonado", afirmam as três confederações, em uma "carta aberta à família do futebol".

O movimento ocorre duas semanas depois do início da crise provocada pelo projeto, posteriormente abandonado, de criar uma estrutura comercial para receber investimentos privados. A proposta foi elaborada sem consulta às confederações e às associações-membro e provocou forte reação, especialmente na Europa.

A questão agora é saber se Infantino será pressionado a enfrentar um voto de confiança antes da eleição presidencial da Fifa, marcada para 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos. Até poucas semanas atrás, o suíço-italiano parecia caminhar para uma reeleição tranquila, depois de um Mundial de 2026 que deverá gerar receitas recordes para a entidade.

"Ruptura fundamental de confiança"

As confederações europeia (UEFA), da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e asiática (AFC) afirmam que não foram convencidas pelas explicações apresentadas pela Fifa na semana passada. Em uma carta enviada às 211 associações-membro, a entidade máxima do futebol reconheceu "erros" na elaboração do projeto de abertura a investidores privados e pediu desculpas pela maneira como o processo foi conduzido.

Para as três confederações, porém, o problema não foi apenas de procedimento. Segundo elas, a carta da Fifa não reconhece que a própria proposta era equivocada. A Uefa, Concacaf e AFC consideram que os planos de Infantino representaram "uma grave falha de julgamento" e uma "ruptura fundamental de confiança" com as instituições que a Fifa deveria representar.

As confederações também questionaram a reunião de emergência realizada na semana passada em Rabat. O encontro terminou com uma declaração de apoio a Infantino, mas, segundo Uefa, Concacaf e AFC, não contou com representantes eleitos do Conselho da Fifa e tampouco ocorreu na sede da entidade, em Zurique, para envolver diretamente os funcionários.

"Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, distância onde deveria haver transparência", afirmam.

Confederações divididas

Apesar da pressão, Infantino continua contando com apoios importantes. A CAF, da África, e a Conmebol, da América do Sul, não assinaram a carta conjunta. A OFC, da Oceania, também não participa do movimento.

As três confederações que lideram as críticas reúnem, em conjunto, uma parcela expressiva das associações que participam do sistema eleitoral da Fifa. Isso, no entanto, não significa que tenham uma maioria garantida: os países não são obrigados a seguir a posição de suas respectivas confederações.

Um exemplo é o México, que se afastou publicamente da posição da Concacaf e reafirmou seu apoio a Infantino.

Na Ásia, a divisão também é evidente. Catar, Sri Lanka, Kuwait, Líbano, Indonésia, Filipinas, Mongólia e Butão já manifestaram apoio ao presidente da Fifa.

Disputa não é apenas por dinheiro

Uefa, Concacaf e AFC também tentam convencer as federações que permanecem em silêncio de que a disputa não está relacionada à distribuição de recursos. "Não se trata de dinheiro", afirmam as três confederações.

Elas dizem não se opor a uma ampliação dos recursos destinados às federações-membro e lembram que já defenderam uma distribuição responsável das grandes reservas financeiras acumuladas pela Fifa. Também afirmam que não pretendem reverter decisões já tomadas coletivamente, como a ampliação das competições, os valores distribuídos na Copa do Mundo ou outras medidas relacionadas ao desenvolvimento do futebol.

A posição é importante porque o projeto de Infantino havia sido apresentado como uma forma de ampliar os investimentos e gerar novas receitas para as federações. A reação da Uefa, que chegou a ameaçar um boicote às competições da Fifa, acabou interrompendo esse projeto.

Acusações contra Infantino

A crise ganhou ainda uma dimensão pessoal após uma reportagem do jornal britânico The Telegraph sobre a passagem de Infantino pela Uefa, onde foi secretário-geral entre 2009 e 2016. Segundo o diário, Infantino teria usado sua posição para favorecer a promoção de uma funcionária com quem mantinha um relacionamento amoroso. A publicação afirma que ela recebeu posteriormente uma indenização de seis dígitos ao deixar a entidade, além do pagamento de despesas de um programa de MBA.

Procurada pela AFP, a Uefa confirmou que houve um pagamento a uma ex-funcionária, acompanhado da cobertura das despesas de um programa de MBA, mas não confirmou todos os detalhes apresentados pelo The Telegraph.

As alegações ainda não foram estabelecidas por uma investigação independente como fatos.

Uma disputa pelo comando da Fifa

O que começou como uma reação ao projeto de abertura da Fifa a investidores privados transformou-se em uma disputa mais ampla sobre a governança da entidade. Uefa, Concacaf e AFC questionam a forma como Infantino concentrou o processo decisório e agora tentam mobilizar as federações nacionais para pressionar por mudanças.

Infantino, por sua vez, mantém o apoio de importantes blocos do futebol mundial e segue como único candidato declarado à eleição presidencial da Fifa até o momento.

A disputa deverá se intensificar nos próximos meses. De um lado, as confederações que exigem maior transparência e prestação de contas. De outro, os aliados de Infantino, que sustentam sua permanência no comando da entidade. O resultado dependerá não apenas do peso político das confederações, mas também da capacidade de cada bloco de convencer as associações nacionais, que terão os votos na eleição de março de 2027.

Com AFP

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