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Tênis

Pai vê Bellucci "pressionado por todo lado" e mais solto

11 fev 2011 - 18h06
(atualizado às 18h12)
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A responsabilidade de ser o tenista número 1 do Brasil aos 23 anos ainda está sendo digerida por Thomaz Bellucci, segundo afirma o pai do atleta, Ildebrando. Nas arquibancadas da quadra central da Costa do Sauípe, o neto de imigrantes italianos afirma que o filho se sente "pressionado" por todos à sua volta, mas já consegue apontar uma mudança de comportamento da revelação na recente parceria formada com o técnico Larri Passos.

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Ao lado da mulher Regina, da filha Beatriz e do genro Rafael, Ildebrando circula pelos bastidores do Aberto do Brasil como mais um torcedor. Escolhe um lugar nas arquibancadas de fundo momentos antes do duelo contra o argentino Juan Ignacio Chela, que acabou com vitória do visitante. Em meio à euforia da torcida local, cita a constante cobrança sobre seu filho e a importância dos novos ensinamentos do experiente Larri.

"Ele tenta administrar. O técnico deve se incumbir deste trabalho de levar serenidade e tranquilidade ao atleta, porque é pressão de todo lado. Ele se sente pressionado perante os promotores, os patrocinadores, a família, a mídia. Mas ele tem que passar por isso, tem que superar essa ansiedade que faz parte, esse compromisso com a vitória", afirma o empresário do ramo de confecção infantil, sempre observado pela mulher.

Apesar do inconstante começo de temporada do filho e de parceria com o ex-treinador de Gustavo Kuerten, Ildebrando já vê melhora no comportamento de Bellucci dentro e fora das quadras. "A tendência é evoluir cada vez mais, progredir. O Larri está fazendo um trabalho mental muito bom. Dá para ver que ele ficou mais solto, mais feliz, tirou essa ansiedade que envolve o atleta. Está fazendo esse trabalho para ser mais alegre, mais extrovertido, conversar com a mídia e lidar com o público".

Palmeirense como o filho, o pai revela um lado "sereno e calado" de Bellucci no dia a dia. Conta que, nas horas livres, o principal tenista do Brasil gosta de video game e divide a atenção com o time de coração. "Não deixamos de assistir ao Palmeiras. Sempre que temos a oportunidade, vamos ao estádio. Lá ele encontra o Marcos (goleiro), os dois são amigos. Temos até umas camisas que o Thomaz ganhou do Marcos", disse.

Confira a entrevista com o pai de Bellucci

Terra - Como o senhor vê o atual momento do Bellucci?

Ildebrando - A tendência é ele evoluir. O Larri Passos está fazendo um trabalho mental com ele. Dá para ver que ele ficou mais solto na quadra, mais feliz, tirou toda essa ansiedade que envolve o atleta. Estou vendo uma evolução muito grande.

Terra - Como ele lida com a pressão de ser o número 1 do Brasil?

Ildebrando - Ele tenta administrar. O técnico deve se incumbir deste trabalho de levar serenidade e tranquilidade ao atleta, porque é pressão de todo lado. Ele se sente pressionado perante os promotores, os patrocinadores, a família, a mídia. Mas ele tem que passar por isso, tem que superar essa ansiedade que faz parte, esse compromisso com a vitória.

Terra - Vocês costumam conversar com ele em casa sobre formas de admimnistar essa pressão?

Ildebrando - Não converso mais. O atleta de alto rendimento trabalha muito, é muito exigido. Então em casa a gente poupa de perguntar sobre tênis, a gente conversa mais sobre coisas da família. Nesse assunto a gente procura não entrar. É um trabalho da comissão técnica falar sore isso. Em casa a gente procura não falar sobre tênis.

Terra - Como é o Bellucci em casa e nas horas de folga?

Ildebrando - Ele é muito sereno, tranquilo. Passa bastante tempo em seu game, gosta bastante. Também gosta de ler, mas gosta mais quando está viajando. Eu tive pouca oportunidade de ir à escola, faculdade, então incentivo muito ele a ler. Se bem que em casa ele não lê, mas no avião ele leva. Em casa ele quer mais video game, ver o jogo do Palmeiras.

Terra - Esse estilo sério dele nas quadras, ele também tem em casa?

Ildebrando - Ele não é brincalhão, não. Ele é sério, brinca pouco em casa. Quando sai com os amigos no bairro em que moramos fica mais à vontade. Em casa ele fica mesmo no seu joguinho na TV, no video game, não é nem um pouco brincalhão. É mais introvertido.

Terra - Como o senhor analisa esses primeiros meses da parceria com o Larri Passos?

Ildebrando - Ele exige bastante, quer agregar nele a alegria de jogar tênis, a alegria de estar com a família também. Logo no começo quis conhecer a família, tivemos uma noite jantando com ele. Então é importante para ele também a família. Mas ele prioriza antes a alegria, quer que o Thomaz esteja sempre alegre. Inclusive quando ele recebeu o Thomaz em Camburiú, fez de tudo para que ficasse alegre lá, à vontade no ambiente em que ele está.

Terra - O senhor consegue notar alguma diferença no estilo de jogo do Bellucci após os treinos com o Larri?

Ildebrando - Eu não conheço muito de tênis, não sou um observador. Mas me parece, na visão do não-analista, que está mais tranquilo, mais seguro, menos afobado. Não tem mais aquela ansiedade para fazer os pontos e decidir. Está trabalhando neste sentido como trabalhava o técnico anterior (João Zwetsch).

Terra - Você sente evolução neste processo de amadurecimento do Bellucci, mais solto nas entrevistas, mais sorridente com o público?

Ildebrando - Isso faz parte. O Larri Passos está fazendo mais este trabalho para ser mais alegre, mais extrovertido, conversar com a mídia, lidar com o público. Ele está passando isso para o Thomaz, coisas que passamos antes para ele, incentivando a ler para poder externar suas opiniões e responder às perguntas da mídia. Isso ele está trabalhando bastante. E acho que neste ponto eles são muito individualistas (os tenistas). Todos eles são, mas o pessoal está trabalhando. Ele está se soltando, amadurecendo.

Terra - Como é a sensação de ver seu filho apontado como esperança do tênis do Brasil?

Ildebrando - Até arrepia um pouquinho ver essa plateia imensa torcendo por ele. Ano passado, em Roland Garros, tinham quase 20 mil pessoas, arena lotada, e quase todo mundo era Thomaz lá. A turma torce para o mais fraquinho e o Thomaz fez um jogo muito duro com o Nadal. Realmente a gente fica muito emocionado.

Terra - Como é a torcida pelo Bellucci em casa? Quem fica mais tenso durante os jogos?

Ildebrando - Em casa a gente acompanha bastante. Ficamos mais tensos quando acompanhamos pela internet, ponto a ponto. Não estamos sabendo o que está acontecendo, muitas vezes há interrupções na contagem e a gente fica pensando no que aconteceu: 'será que ele machucou?'. Ficamos sempre apreensivos. Agora ela fica muito mais nervosa (apontando para a mulher). Ela é mais nervosinha.

Neste momento, Regina se defende: "é mentira, todo mundo fica. Ele é quem assiste sozinho, isolado, porque não gosta de barulho, fica pedindo para eu ficar quieta".

Terra - E quanto aos jogos do Palmeiras? Sempre assistem juntos?

Ildebrando - Gosto muito, não perco um jogo na televisão. Às vezes queremos almoçar fora e eu não vou porque tem jogo. Ficamos sempre na expectativa, mesmo com as derrotas, mesmo com o time frágil que o Palmeiras tem, mas nós ficamos na expectativa que melhore. Fico nervoso, mas aprecio, assim como os jogos do Thomaz. Prefiro apreciar, não sou um torcedor fanático. Mas sempre que temos a oportunidade vamos ao Palestra Itália. Levo ele lá, ele encontra o Marcos, eles são amigos. O Marcos também gosta muito dele. Temos algumas camisas que o Thomaz ganhou do Marcos.

Foto: Marco Rosa / Terra
Fonte: Terra
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