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São Paulo estoura teto do futebol em R$ 78 mi enquanto gestora parceira enaltece redução de dívida

Endividamento financeiro do clube cai 17% desde dezembro de 2024, mas custos aos cofres são-paulinos reiteram necessidade de venda de joias

18 set 2025 - 06h11
(atualizado às 08h26)
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Resumo
O São Paulo ultrapassou o teto de gastos do futebol em R$ 78 milhões no primeiro semestre de 2025, apesar de reduzir a dívida financeira em 17%, destacando a necessidade de vender atletas para equilibrar as contas.

O São Paulo gastou, no primeiro semestre de 2025, R$ 78 milhões a mais do que tinha estabelecido como teto conforme acordo com o Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) para o período. O número foi apontado pela Outfield, que gere o investimento junto da Galápagos, em relatório do mês de setembro.

O documento aponta que os ajustes feitos pelo clube, como dispensas e vendas no começo da temporada, não foram suficientes para cumprir o limite de gastos no futebol. Isso implicou em incrementar receitas com mais transferências de mais jogadores, para equilibrar o caixa, ainda em déficit.

Julio Casares, presidente do São Paulo, enfatiza necessidade de fazer caixa com venda de jogadores diante dos gastos
Julio Casares, presidente do São Paulo, enfatiza necessidade de fazer caixa com venda de jogadores diante dos gastos
Foto: Rubens Chiri/São Paulo

A conclusão é a mesma que a de uma comissão financeira que auxilia a diretoria são-paulina, conforme revelou o colunista do Estadão, Rodrigo Capello. Segundo publicado, o déficit acumuado de R$ 34 milhões e o endividamento em R$ 976 milhões, registrados de janeiro a junho de 2025, poderiam ter sido piores.

As obrigações previstas em contratos como este ganham o nome de "covenants". Foi estabelecido o teto de R$ 96,2 milhões para o primeiro trimestre, valor excedido em R$ 28,2 milhões (chegou a R$ 124,4 milhões). Soma-se esse excedente R$ 50,5 milhões do segundo trimestre, cujo teto era de R$ 194,3 milhões, mas o gasto foi de R$ 244,9 milhões.

O clube teve déficit de R$ 23 milhões no primeiro trimestre e R$ 10,5 milhões no segundo. A soma dos valores chega próximo dos R$ 34 milhões apontados no semestre inicial de 2025.

O relatório da Outfield mostra como a situação poderia ser pior. Não fossem os esforços da diretoria para reduzir os custos. Isso é ilustrado em outro destaque, como o São Paulo, entre os clubes que ficaram no G-6 do Brasileirão 2024, representar o menor gasto com novas contratações. A despesa na compra de atletas no primeiro trimestre caiu 37% em relação à metade do ano passado.

Neste ano, o clube não comprou jogadores. Todos os reforços foram atletas livres no mercado, por empréstimo ou perdão de dívidas. Chegaram Oscar (ex-Shanghai Port), Wendell (ex-Porto), Juan Dinenno (ex-Cruzeiro), Cédric Soares (ex-Arsenal), Enzo Díaz e Gonzalo Tapia (emprestados pelo River Plate), Rafael Tolói (ex-Atalanta) e Mailton (ex-Metalist, que devia ao São Paulo).

Ainda foi preciso vender. Com saídas de William Gomes, Matheus Alves, Lucas Ferreira, Henrique Carmo e Angelo (Sub-17). Com exceção de Gomes, as demais transferências serão contabilizadas a partir de julho.

Com os cinco jovens, o São Paulo somou, por enquanto, R$ 208,34 milhões em vendas. Torcedores criticam os valores praticados, mas a diretoria reitera a necessidade. A nível de comparação, o Palmeiras fechou a saída do zagueiro Vitor Reis por R$ 232 milhões ao Manchester City.

Considerando apenas as vendas registradas no primeiro semestre, o rendimento foi de R$ 107 milhões. Isso é 2,4 vezes a mais do que o previsto no orçamento. Ter de vender mais para compensar custos e ainda ter déficit demonstra a situação difícil do São Paulo.

Ainda assim, na visão da Outfield, o desempenho representa uma melhora em relação ao prejuízo de R$ 287 milhões registrado em 2024. No último exercício, as despesas com futebol chegaram a R$ 452 milhões.

Além do enxugamento do elenco, a gestora aponta outras práticas de austeridade. São citados renegociação de contratos administrativos, fortalecimento da governança e a intensificação de ações de racionalização de despesas operacionais.

Em relação ao endividamento bancário, foco da amortização do FIDC, a redução do débito entre dezembro de 2024 (R$ 259,2 milhões) e maio de 2025 (215.868 milhões) foi de 17%.

Uma análise feita por uma consultoria ao São Paulo apontou que os custos financeiros do FIDC seriam semelhantes aos que o clube já tinha com empréstimos bancários. No caso do fundo, porém, ainda há as condições a serem cumpridas.

A previsão de arrecadação do FIDC são-paulino é de R$ 240 milhões. Até o momento, foram captados R$ 135 milhões, usados para pagar dívidas e despesas. Entre taxas de comissão, o clube teve gasto de R$ 11,3 milhões.

Na prática, o São Paulo recebeu valores antecipados de contratos com patrocinadores, mensalidades sociais e por direitos de transmissão. Esses contratos servem como garantia.

Quando o clube recebe de fato os valores, eles são repassados aos investidores. Quem investiu no fundo já recebeu de volta R$ 39 milhões. Segundo a Outfield, isso demonstra o pleno funcionamento do investimento.

Apesar das condições, o relatório da gestora defende que o FIDC "não engessa o clube". Uma das normas veta que o São Paulo contraia novas dívidas em valor superior a R$ 10 milhões acumulados no mesmo trimestre de cada exercício social, salvo mediante aprovação prévia do Comitê de Crédito do fundo.

Foi preciso deste movimento, portanto, para que o clube contratasse um empréstimo de R$ 50,6 milhões junto ao banco Daycoval. A taxa da dívida é de CDI + 6,75% ao ano, o que é inferior ao custo médio do endividamento do clube em 2024 (CDI + 7,13% ao ano).

Estadão
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