Movimentações milionárias expõem o São Paulo à investigação policial; entenda
A diretoria contratou um perito para reunir documentos e notas fiscais que possam comprovar a legalidade das movimentações
O São Paulo tenta organizar sua defesa no inquérito que apura saques de R$ 11 milhões em dinheiro vivo das contas do clube. O escritório responsável pela representação do Tricolor nas investigações da Polícia Civil contratou um perito para levantar notas fiscais e comprovantes que possam justificar a utilização dos valores.
O clube foi intimado na última semana e tem prazo de 15 dias para apresentar à Polícia Civil documentos que expliquem os gastos. Segundo um relatório protocolado pelo presidente Julio Casares no Conselho Deliberativo, o montante teria sido destinado a despesas operacionais de jogos e ao pagamento de bicho (premiações) aos atletas. A etapa atual da defesa é comprovar oficialmente essas informações.
O trabalho de coleta está sendo feito pelo escritório Iokoi Advogados, que enviou o perito à sede do clube para reunir a documentação necessária. A investigação é conduzida pela Polícia Civil a partir de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que apontaram movimentações consideradas atípicas.
De acordo com a linha do tempo do inquérito, comandado pelo delegado Tiago Fernando Correia, os saques começaram em 2021, com R$ 1,5 milhão retirado em sete operações. Em 2022, foram R$ 1,2 milhão em seis saques, seguidos por R$ 1,4 milhão em 2023, também em seis operações.
O ano de maior volume foi 2024, quando o clube sacou R$ 5,2 milhões em 11 retiradas. Já em 2025, houve mais R$ 1,7 milhão em cinco saques, completando o total de R$ 11 milhões sob investigação.
As duas primeiras movimentações, em 2021, foram realizadas diretamente por um funcionário do São Paulo. A partir desse período, o clube passou a utilizar uma empresa de transporte de valores (carro-forte) para efetuar os saques. Para os investigadores, essa mudança pode ter servido para dificultar a identificação dos responsáveis pelas retiradas.
Com a entrega da documentação, a Polícia Civil vai analisar se os comprovantes apresentados são suficientes para justificar o uso do dinheiro em espécie e definir os próximos passos da apuração.