Justiça analisa responsabilidade do São Paulo em lesão de Ruan Tressoldi
Ex-defensor cobra R$ 14 milhões, enquanto clube questiona a perícia e tenta obter uma nova avaliação
O zagueiro Ruan Tressoldi move processo de R$ 14 milhões contra o São Paulo por negligência médica, apontando que o excesso de jogos agravou uma lesão em seu menisco em 2025. A perícia judicial indicou que a sobrecarga atuou como causa concorrente no problema, mas descartou danos permanentes à carreira do atleta, que já voltou a atuar. O clube contesta o laudo, nega culpa e alega degeneração preexistente. O caso, que também apura atrasos de pagamentos, será julgado em primeira instância.
O São Paulo e Ruan Tressoldi chegam à fase decisiva de uma disputa judicial com interpretações diferentes sobre as consequências da lesão sofrida pelo zagueiro em 2025. O jogador cobra R$ 14 milhões do clube, alegando negligência durante sua passagem pelo Morumbi. Já a perícia judicial reconhece que decisões relacionadas à utilização do atleta contribuíram para agravar o problema físico, mas não identifica danos permanentes à sua capacidade profissional.
Um dos elementos mais relevantes para o processo é a gestão do elenco durante um período de calendário apertado. Registros de GPS apresentados pelo próprio São Paulo mostram que Tressoldi completou quatro partidas em um intervalo de 12 dias, entre o fim de abril e maio de 2025. O perito considera que a ausência de controle adequado dessa sequência teve participação no agravamento da lesão no menisco lateral.
Divergência sobre responsabilidade e consequências no São Paulo
A conclusão não significa que o clube esteja apontado como responsável exclusivo pelo problema. O laudo identifica uma condição anterior no joelho e descreve a influência do esforço físico sobre um tecido já fragilizado. Foi classificada a avaliação como nexo causal concomitante moderado, indicando que a carga de partidas contribuiu para acelerar a evolução da lesão.
A defesa do São Paulo, no entanto, tenta afastar essa interpretação. O clube argumenta que o jogador já havia suportado volumes elevados de atividade em janeiro, durante a pré-temporada, sem apresentar problemas semelhantes. Além disso, sustenta que houve redução da intensidade dos treinamentos entre os confrontos e que a ruptura seria consequência natural de uma degeneração preexistente.
Outro ponto de discordância envolve a própria perícia. O São Paulo questiona a assinatura do trabalho por um fisioterapeuta e solicita uma nova avaliação por um médico. A defesa do atleta também apresenta ressalvas, mas considera insuficiente a conclusão de que não existem sequelas funcionais ou danos estéticos.
Essa última conclusão é importante porque Tressoldi passou por artroscopia em julho de 2025 e voltou a jogar em outubro, já pelo Atlético. Atualmente, o defensor mantém suas atividades profissionais, circunstância utilizada no laudo para afastar a existência de incapacidade laboral. O processo reúne ainda acusações do jogador sobre ausência de seguro obrigatório, tratamento médico inadequado e atrasos nos direitos de imagem.
O julgamento em primeira instância está previsto para a próxima semana. Até lá, o juiz deverá considerar as conclusões técnicas e as contestações apresentadas pelas duas partes. O resultado poderá definir os próximos passos da cobrança milionária, que envolve tanto a responsabilidade do São Paulo pelo agravamento da lesão quanto os valores reivindicados pelo zagueiro.
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