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Entenda como Roger Machado pode adaptar seu estilo de jogo ao time do São Paulo

Provável substituto de Crespo no Tricolor, treinador tem modelo baseado em posse de bola, pressão alta e jogo pelos lados, que pode encaixar com peças importantes do elenco são-paulino

10 mar 2026 - 10h26
(atualizado às 10h31)
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A saída de Hernán Crespo abriu caminho para uma possível mudança de identidade tática no São Paulo. Com negociações avançando para a chegada de Roger Machado, a tendência é que o time passe por ajustes importantes na forma de jogar. Embora ambos os treinadores valorizem organização e posse de bola, o modelo do brasileiro possui características próprias que podem dialogar de maneira interessante com o elenco atual do clube.

A seguir, confira como o treinador poderia implementar suas ideias no Morumbi.

Com os zagueiros participando da circulação inicial da bola, o Tricolor poderia manter uma construção segura e atrair a pressão adversária para criar espaços em outras zonas do campo.

Essa lógica — conhecida por Roger como "jogo de atração" — busca justamente provocar o adversário a subir a marcação para depois explorar o lado oposto ou encontrar passes verticais.

Laterais ofensivos podem ganhar protagonismo

Outro ponto forte do modelo de Roger é o uso intenso dos corredores laterais. Os laterais frequentemente avançam bastante e participam diretamente da fase ofensiva, muitas vezes funcionando quase como pontas.

Com a chegada de Lucas Ramon e a presença de laterais ofensivos no elenco, o São Paulo teria condições de explorar esse recurso. A ideia é criar triângulos pelos lados, aproximando lateral, meia e ponta para facilitar tabelas e progressões curtas.

Enquanto isso, os pontas podem flutuar para o centro, gerando superioridade numérica entre as linhas defensivas do adversário. Esse movimento abre espaço para infiltrações e também para cruzamentos mais trabalhados.

Lucas Moura e Luciano podem ser peças-chave

No modelo de Roger, o chamado "camisa 10 móvel" costuma ter grande liberdade para circular entre os setores ofensivos.

Nesse contexto, Lucas Moura e Luciano surgem como candidatos naturais para ocupar essa função. Ambos têm mobilidade, capacidade de condução e leitura de espaço para receber entre linhas.

Eles poderiam atuar aproximando-se do centroavante e participando das triangulações ofensivas, ajudando o time a acelerar o jogo quando encontra espaços.

Essa dinâmica também favorece a criação de jogadas pelo meio, algo que o treinador valoriza bastante para quebrar defesas mais fechadas.

O papel de Calleri no ataque

O centroavante também exerce uma função estratégica nas equipes de Roger Machado. Em vez de ficar apenas na área, o atacante costuma recuar para participar do jogo de apoio, fazendo pivôs e abrindo espaço para infiltrações dos companheiros.

Nesse cenário, Calleri encaixa perfeitamente no modelo. Além da presença física na área, o argentino tem capacidade para segurar a bola e servir os jogadores que chegam de trás — característica fundamental para o sistema de Roger, que costuma atacar com vários atletas próximos da área.

Pressão alta e bloco médio

Defensivamente, Roger costuma organizar suas equipes em bloco médio, com linhas compactas e marcação por zona. Porém, dependendo do momento da partida, o time pode subir a pressão e tentar recuperar a bola perto do gol adversário.

Esse comportamento exige intensidade física e coordenação coletiva, algo que o São Paulo tem condições de desenvolver com o elenco atual.

A estrutura defensiva geralmente se organiza em um 4-4-2 ou 4-1-4-1, com dois jogadores mais avançados pressionando a saída rival.

Transições rápidas quando há espaço

Embora seja conhecido pelo jogo apoiado e pela posse de bola, Roger não abre mão da verticalidade quando encontra espaço.

Se o adversário estiver desorganizado, suas equipes costumam acelerar rapidamente, buscando os pontas ou explorando lançamentos nas costas da defesa, como fez o Internacional muitas vezes na temporada de 2024.

Com jogadores velozes como Lucas Moura, essa transição pode se tornar uma arma importante do São Paulo em contra-ataques.

Diferenças em relação ao trabalho de Crespo

A principal mudança em relação ao trabalho de Hernán Crespo pode estar na estrutura defensiva e no sistema base. Enquanto o treinador argentino utilizava frequentemente três zagueiros e alas abertos, Roger tende a trabalhar majoritariamente com linha de quatro defensores.

Isso pode trazer uma organização diferente na ocupação dos espaços, principalmente no meio-campo, onde o técnico brasileiro valoriza muito triângulos de passe e aproximações constantes.

Apesar das diferenças, há pontos de convergência: ambos defendem equipes intensas, que tentam recuperar a bola rapidamente e jogar com protagonismo.

Vale mencionar que o cenário é favorável para Roger Machado implementar seu modelo de jogo no clube, já que, apesar de turbulências institucionais no início da temporada, o São Paulo vive um momento de reorganização administrativa e financeira. A diretoria conseguiu regularizar salários, ajustar o ambiente interno e reforçar o plantel com nomes pontuais.

Se confirmado no cargo, Roger terá à disposição um elenco capaz de executar suas ideias — com qualidade técnica, profundidade no ataque e jogadores adaptáveis a diferentes funções. O desafio será transformar essas características em um sistema coletivo sólido, capaz de sustentar o São Paulo na disputa do Brasileirão e das copas ao longo da temporada.

Estadão
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