Capitão, Kaká causa idolatria e tem volta à "kasa" perfeita
A recepção foi digna da volta para casa de um ídolo. No céu paulistano, balões subiram atrelados a uma bandeira com o rosto do jogador enquanto ‘Hells Bells’, do AC/DC, anunciava o que viria. Os gritos de “voltou” eram todos para ele. O estádio com pouco mais de 29 mil pessoas também era sua “culpa”. No telão, uma mensagem de retorno para “kasa” saudava a volta do bom filho. Em campo, com a faixa de capitão no braço, uma figura, que caminhava ao lado dos filhos, recebia todos os holofotes: Kaká estava de volta ao Morumbi com a camisa do São Paulo, em noite que terminou perfeita com a vitória por 3 a 1 sobre o Vitória.
Quem teve o insight de dar a faixa de capitão para o menino revelado no Morumbi que virou homem e ganhou o mundo com a camisa da Seleção Brasileira foi o próprio dono da tarja que fica presa ao braço: Rogério Ceni, de acordo com Muricy Ramalho, ofereceu por livre vontade a posição de capitão para Kaká na volta do jogador ao Morumbi mais de uma década após o último duelo no estádio pela equipe. Deixou o São Paulo como menino e voltou já como pai, em um Dia dos Pais que não esquecerá por um bom tempo.
"Demais entrar em campo com meus filhos, ver a torcida gritando Kaká voltou, no Dia dos Pais, foi um feliz Dia dos Pais para todo mundo, principalmente o meu. Retorno com vitória é um retorno importante. São três pontos que ajudam no campeonato, muitas coisas boas nessa volta", comentou o meio-campista após deixar o gramado, depois de atuar por todo o jogo.
A última aparição do meio-campista no estádio com a camisa tricolor havia sido há exatos 11 anos e um dia, em 2003, em um jogo contra o Juventude pelo Campeonato Brasileiro. Após isso, passou pelo estádio com a Seleção Brasileira, sendo a última em novembro de 2007, em vitória nacional por 2 a 1 sobre o Uruguai, com dois gols de Luís Fabiano. Era muito tempo longe do local em que tem tantas lembranças.
A primeira vez foi em 1º de fevereiro de 2001. A estreia de Kaká no Morumbi, com empate por 1 a 1 pelo extinto Rio-SP daquele ano, não teve gols. O primeiro gol do queridinho são-paulino em sua casa seria também o primeiro com a camisa tricolor, apenas três dias mais tarde, em vitória por 4 a 2 sobre o Santos no mesmo torneio. Daí em diante, seriam 65 jogos no Morumbi, 31 gols e um troféu levantado, ainda aquele longínquo Rio-SP de 2001.
A volta ao Morumbi, ocorrida neste domingo, veio com atraso: era para ter sido há uma semana, mas uma lesão na panturrilha frustrou o jogador e a torcida. O retorno, por sinal, foi bem diferente da maneira como saiu do clube que o revelou: há 11 anos, Kaká deixava o São Paulo chamado de “pipoqueiro” e apontado como um dos maiores vilões da sequência de eliminações consecutivas são-paulinas no início da década de 2000 – até o ídolo quase incontestável Rogério Ceni sentiu a ira da torcida, que apelidou o time de “amarelão”.
Tudo bem diferente deste domingo de temperatura amena em São Paulo. Kaká voltou com o status de ídolo recuperado, o duelo era contra o Vitória e o Juventude, último time que o jogador enfrentou no Morumbi, está bem longe da Série A, apenas na terceira divisão, Em campo, o meio-campista teve mais destaque fez boa atuação e mostrou que a idolatria é justificada, apesar de não ter sido brilhante.
A estrela do jogo foi Alexandre Pato, que marcou duas vezes na vitória são-paulina. Kaká quase deixou o seu no início do segundo tempo, levou amarelo, criou oportunidades, deu mais consistência ao meio-campo tricolor e, principalmente, impôs respeito ao adversário. Olhar a camisa 8 com aquele rosto e as cores do São Paulo pode ter assustado o Vitória, que viu o adversário se recuperar de sequência negativa no Brasileiro e de dois jogos sem vencer no Morumbi. Um sinal de que a presença de Kaká ainda pode fazer muita diferença no palco sagrado para os são-paulinos.
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