Após vexame, São Paulo demite três no futebol
Goleada para o Fluminense acelera mudança drástica no departamento; crise política se agrava no Morumbi
O dia seguinte ao maior vexame do São Paulo nos últimos anos também marcou uma das maiores reviravoltas internas recentes do clube.
Menos de 24 horas após sofrer a goleada por 6 a 0 para o Fluminense, no Maracanã, pela 36ª rodada do Brasileirão, Carlos Belmonte entregou o cargo e deixou de ser diretor de futebol.
A saída, confirmada nesta sexta-feira (28), desencadeou uma reformulação imediata no setor: Nelson Marques Ferreira e Fernando Bracalle Ambrogi também foram desligados de suas funções.
Belmonte comunicou pessoalmente aos jogadores sua decisão, durante a reapresentação no CT da Barra Funda. O gesto encerra uma gestão já fragilizada e tensionada desde o início da temporada, mas que perdeu sustentação de vez após o desastre no Rio.
Pouco depois do anúncio interno, o São Paulo publicou um comunicado oficial confirmando a saída dos três profissionais. No texto, o clube reforçou que Rui Costa, executivo de futebo, e Muricy Ramalho, coordenador, permanecem responsáveis pelo planejamento esportivo rumo a 2026.
A decisão vem em meio a um ambiente político conturbado. Nesta mesma sexta-feira, um grupo de conselheiros opositores iniciou a coleta de assinaturas para solicitar o impeachment do presidente Julio Casares, alegando gestão temerária após a goleada e a sequência de crises internas.
A relação entre Belmonte e Casares já era abalada há meses. As divergências políticas, já que ambos são apontados como possíveis rivais na eleição presidencial de dezembro de 2026, enfraqueceram o então diretor, que vinha perdendo espaço paulatinamente no departamento.
O episódio que acelerou a perda de influência ocorreu em outubro, quando Casares designou o superintendente Marcio Carlomagno para atuar diretamente na rotina do futebol. O ato administrativo, publicado após a derrota por 3 a 0 para o Mirassol, passou a ele tarefas centrais do planejamento de 2026, como elaboração de orçamento, acompanhamento de metas e alinhamento entre as áreas do CT.
Na prática, Carlomagno assumiu funções que antes eram de Belmonte, deixando o diretor isolado e com pouca autonomia. Apesar disso, aliados afirmam que ele não demonstrava intenção de deixar o cargo, até a goleada no Maracanã, vista internamente como um divisor de águas.
Agora, o São Paulo tenta reorganizar o departamento em meio à pressão política e ao clima de instabilidade. Rui Costa e Muricy seguirão conduzindo o planejamento para a próxima temporada, mas a crise desencadeada pela saída de Belmonte promete gerar novos capítulos nos próximos dias.