A declaração de Roger Machado direcionada ao São Paulo
Em entrevista à "Placar", Roger Machado avaliou sua breve passagem de dois meses pelo São Paulo, encerrada após eliminação na Copa do Brasil. O técnico classificou a pressão sofrida como desproporcional e apontou que o curto tempo impediu a evolução do trabalho. Segundo Roger, a idolatria da torcida por Hernán Crespo, a preferência por técnicos estrangeiros e a crise política interna do clube geraram um ambiente hostil que prejudicou o rendimento em campo e culminou em sua demissão.
Em entrevista exclusiva concedida à "Placar", o técnico Roger Machado comentou sobre seu período no São Paulo. O treinador ficou por cerca de dois meses após a demissão de Hernán Crespo, mas não aguentou a forte pressão e a eliminação da equipe na quinta fase da Copa do Brasil para o Juventude.
Roger Machado chegou com grande pressão, que ele considera "desproporcional". O início foi de vitórias, mas com o tempo o treinador não conseguiu convencer o torcedor com atuações e resultados ruins da equipe, além da eliminação na Copa do Brasil para o Juventude.
"Foram dois meses de trabalho. É impossível você conseguir avaliar, ou mesmo conseguir implementar um trabalho em um espaço tão curto de tempo. Acho que havia margem para uma evolução, com uma continuidade. Mas sabemos que por vezes o futebol nos reserva esse tipo de situação", iniciou.
Na entrevista, Roger foi perguntado o que contribuiu para uma rejeição tão forte da torcida do São Paulo. Para ele, a relação do torcedor com Hernán Crespo pesou muito na situação, além do cenário do futebol brasileiro em contratar treinadores estrangeiros.
"A relação que o torcedor tinha com o treinador anterior [Hernán Crespo], o perfil da contratação que a torcida esperava, em meio a um cenário em que hoje, talvez a metade dos treinadores são estrangeiros. Talvez a minha trajetória deslocada do centro do país e as minhas grandes conquistas pavimentadas com campeonatos estaduais. Um pouco de cada coisa contribuiu para que o ambiente fosse muito desfavorável para que qualquer profissional pudesse trabalhar. Mas, o que me mantinha muito motivado era reverter essa rejeição", comentou.
Roger Machado também comentou sobre o ambiente conturbado que o São Paulo vive há anos e que vem aumentando a cada dia, especialmente com a crise política. Roger disse que o extra campo pode influenciar totalmente nos gramados, falou que aprendeu bastante, mas confessou que "deseja que ninguém passe pelo mesmo".
"Internamente, o dia a dia do trabalho era muito saudável. Precisamos avaliar o futebol brasileiro para além do que acontece no campo. Costumo frisar que o campo é o último elo da corrente, e que se as outras estruturas não estiverem organizadas, o campo vai sofrer por arrasto. O contexto ruim, de um clube gigante como o São Paulo, sem dúvida nenhuma pode respingar no campo. Foi intenso e eu aprendi bastante. Não desejo que ninguém passe pela situação que passei", finalizou Roger Machado.
Roger Machado foi anunciado pelo São Paulo em 10 de março, após o clube decidir pela saída de Hernán Crespo. No entanto, Roger foi demitido em 13 de maio, pouco mais de dois meses depois. No total, foram 17 partidas, com sete vitórias, quatro empates e seis derrotas.
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