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Entenda como Neymar ganhou influência nas decisões do Santos

Acordos envolvendo a NR Sports aproximam o camisa 10 de decisões financeiras, comerciais e esportivas do clube

31 ago 2026 - 04h11
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Resumo
A influência de Neymar no Santos ultrapassa os gramados. A NR Sports, empresa de sua família, viabilizou R$ 12 milhões para quitar uma dívida com o Monaco e derrubar o transfer ban da Fifa, liberando novas contratações. Em contrapartida, a empresa ganhou o direito de explorar espaços comerciais no uniforme alvinegro. Paralelamente, o clube ainda negocia uma dívida de cerca de R$ 80 milhões com o atacante, consolidando o camisa 10 e seus negócios no centro do planejamento financeiro e esportivo.

Neymar voltou ao Santos para ser o rosto de uma reconstrução. Meses depois, sua presença ganhou outra dimensão. O camisa 10 continua sendo o principal jogador do elenco, mas sua relação com o clube já ultrapassa o futebol.

Foto: Raul Baretta/ Santos
Foto: Raul Baretta/ Santos
Foto: Raul Baretta/ Santos / RTI Esporte

A Agência RTI Esporte apurou que o ponto mais evidente está nas finanças. A NR Sports, empresa da família do atacante, disponibilizou R$ 12 milhões para que o Santos quitasse uma dívida com o Monaco, da França, pela contratação de Jean Lucas.

Ajuda financeira teve impacto direto no futebol

A medida foi decisiva para o clube recuperar sua capacidade de contratar. Com a dívida paga, o transfer ban da Fifa foi derrubado e a diretoria voltou a registrar reforços. A consequência apareceu rapidamente no mercado.

O Santos conseguiu contratar nomes como Rodinei e Arthur Melo, ampliando as opções do técnico Cuca para a sequência da temporada. A operação, portanto, criou uma ligação direta entre uma questão financeira e o planejamento esportivo.

Sem o dinheiro utilizado para resolver a pendência, o clube continuaria impedido de inscrever jogadores. Neymar não participou apenas como atleta desse processo. A estrutura empresarial ligada ao jogador entrou no centro da solução encontrada pelo Santos.

A operação não foi um simples empréstimo

O modelo definido entre as partes também ajuda a explicar o tamanho da influência da NR Sports. Os R$ 12 milhões não foram tratados como um empréstimo convencional, com simples devolução do dinheiro pelo clube.

Em contrapartida, o Santos cedeu seis propriedades do uniforme para a NR Sports explorar comercialmente. A empresa buscará interessados em espaços como meião, calção, número da camisa, centro do peito e barra traseira.

Santos aposta em novas receitas

A diretoria alvinegra trabalha com uma projeção de arrecadação entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões em um cenário otimista. A primeira etapa será recuperar os R$ 12 milhões utilizados na dívida com o Monaco.

Se a exploração atingir os valores previstos, o excedente será dividido entre Santos e NR Sports. O acordo também permite a diretoria do clube paulista recuperar espaços comerciais que estavam disponíveis no uniforme.

Dívida com Neymar continua sendo um problema

A aproximação financeira, porém, acontece enquanto o Santos ainda precisa administrar uma dívida elevada com o próprio jogador. O clube reconheceu um débito de R$ 90,5 milhões referente aos direitos de imagem.

Em julho, pouco mais de R$ 11 milhões foram antecipados, reduzindo o saldo para aproximadamente R$ 80 milhões. O restante poderá ser parcelado em até 80 meses. As parcelas devem ficar próximas de R$ 1 milhão por mês.

Compromisso pode avançar até 2033

Além disso, o Santos paga atualmente cerca de R$ 1 milhão mensal à NR Sports pelos direitos de imagem previstos no contrato de Neymar. A diretoria alvinegra ainda pode antecipar novos valores para diminuir o passivo.

Sem uma estratégia desse tipo, contudo, a dívida pode continuar sendo paga até meados de 2033. É nesse ponto que a relação entre Neymar e Santos ganha uma dimensão diferente. O jogador representa o principal ativo esportivo do clube.

Ao mesmo tempo, a empresa da família participa de operações que afetam o caixa, o uniforme e as contratações. Neymar não precisa ter cargo na diretoria para exercer influência. Seus negócios com o Santos já colocam o camisa 10 no centro de decisões fora de campo.

RTI Esporte
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