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Entenda como caminho para SAF do Santos virou polêmica política antes da eleição do clube

Votação pela reforma estatutária acontece antes da definição do presidente da equipe paulista pelo próximo triênio (2027 a 2029)

24 out 2026 - 10h10
(atualizado às 10h10)
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Resumo
O Santos votará uma reforma estatutária para permitir a venda de até 80% de seu futebol como SAF, em meio ao interesse da norte-americana SDC Sports, que pode investir R$ 2 bilhões. No entanto, a medida gerou forte oposição política às vésperas da eleição presidencial do clube. Em manifesto conjunto, os quatro candidatos ao cargo orientaram os sócios a rejeitarem o texto, alegando falta de transparência, descumprimento de prazos regimentais e incertezas sobre o investidor e as garantias futuras.

O Santos se aproxima de se tornar uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) com a votação de uma reforma estatutária pelo Conselho Deliberativo no dia 8 de novembro. Uma das mudanças será a possibilidade da venda de 80% do futebol do clube paulista, algo que contraria alguns candidatos à presidência da equipe.

Atualmente, o estatuto do Santos permite uma SAF com a participação de 49%, o que impossibilita um controle majoritário do futebol por parte dos investidores.

No final de agosto, representantes da SDC Sports LLC, empresa americana interessada em comprar o time alvinegro, se reuniram com conselheiros pela primeira vez. As partes já tinham assinado um um termo não vinculante, que formaliza a negociação e confere exclusividade para a companhia.

Os representantes da empresa, até o momento, não mencionaram valores da proposta, mas circula a quantia de R$ 2 bilhões em investimentos: R$ 1 bilhão para o pagamento das dívidas e R$ 1 bilhão para aplicar de fato no futebol.

A SDC Sports LLC foi fundada por Michael Lipman e Diego Garcia. Eles conduziram a apresentação ao Conselho Deliberativo e estavam acompanhados de Jesse Fioranelli, que assumiria o projeto como diretor de futebol, e do analista financeiro Can Keles.

Contrapontos da oposição

Em dezembro, o Santos terá eleições para definir um novo presidente que atuará no cargo nos próximos três anos, de 2027 a 2029. Entre os quatro candidatos à função, alguns deles apontam certos pontos a serem estudados antes da concluir o negócio da SAF.

José Renato Quaresma, ex-diretor da base da equipe do litoral paulista, afirma que a negociação para se tornar SAF deve se atentar aos perfis dos investidores e aos valores apresentados.

"Se um investidor quiser comprar, terá que aumentar o valor e definir percentuais claros para renegociação de dívida, time profissional, renovação da Vila, base e CT. A SAF deve vir para ajudar, não como um produto de mando, desapegando dos torcedores e entregando o clube a um único dono para fazer o que quiser", disse em entrevista ao Estadão.

Já o advogado Ivan Luduvice, criticou a exclusividade dada pelo Santos à SDC Sports. "Uma empresa que foi fundada em setembro de 2025, ninguém sabe quem são os sócios, que não tem capital, nunca investiu em nenhum clube. Podem estar por trás dessa empresa justamente os credores que endividaram o Santos de maneira proposital para comprar o Santos de graça. De repente o próprio Marcelo Teixeira está por trás", falou ao Estadão.

"A primeira coisa a ser feita é saber quem são os credores do Santos, equalizar essa dívida e buscar parceiros que queiram investir no Santos. O Santos não pode ser satélite, tem que ser o negócio principal. Não pode ser como o Bahia e o Botafogo, que viraram clubes satélites", completou.

Wladimir Mattos, que também foi candidato na última eleição, apresentou um discurso cauteloso em relação a SAF. "Na montagem da SAF, existem perguntas para serem respondidas. Quais dívidas serão assumidas? Onde o investimento será aplicado? Quais as garantias de longo prazo? O projeto esportivo? A associação é parte do processo. Precisa quitar as dívidas do passado, planejar o longo prazo."

"E mais importante, a SAF se sustenta como? O dinheiro inicial é importante, mas não basta. Quais as garantias? Como preservar a imagem e identidade?. A SAF não pode vir para pagar as dívidas do Santos, precisa ser instrumento de valorização, não salvamento financeiro. A própria lei já garante que parte das receitas seja para o pagamento de dívida", finalizou também em papo com o Estadão.

O empresário Maurício Maruca, vice nas últimas eleições para presidente, acredita em um projeto de SAF em que o Santos seja detentor de 100% das ações.

"Vai levar de seis a oito meses para montar uma SAF. Tudo aprovado, quem é o dono da SAF? É o Santos, que vai aproveitar o que tem de benefícios, as vantagens tributárias. Minha equipe pretende se reunir com o conselho e sócios para tomar a decisão de a SAF ser vendida, trazer investidores ou se vai continuar a ser do Santos, como é, se não me engano, o modelo do Fortaleza", explicou para o Estadão.

"A SAF precisa ser feita antes de haver propostas. Acho muito duvidoso você fazer uma SAF para determinada proposta. Por que não fazer a SAF e buscar investidores no mundo todo? Esse é o caminho correto", completou.

Manifesto em conjunto

Nesta sexta, 23, os quatro candidatos divulgaram uma nota conjunta para orientar os associados a votarem contra a reforma do estatuto. Eles alegam que "as emendas aprovadas não teriam sido consolidadas pelos conselheiros" para uma aprovação antecipada da reforma.

"Essa posição decorre da necessidade de garantir transparência, segurança jurídica, respeito às normas do Clube e a participação efetiva dos associados em uma decisão que impactará diretamente o futuro do Santos Futebol Clube", escreveram no comunicado oficial.

De acordo com os candidatos, o prazo de 15 dias para a avaliação do documento depois da votação das emendas não foi cumprido.

"Solicitamos, portanto, que a Mesa do Conselho Deliberativo esclareça formalmente a situação do texto da reforma, apresente a versão integral consolidada e assegure o cumprimento de todas as etapas e dos prazos previstos nas normas do Clube antes de qualquer convocação da Assembleia Geral", finalizaram.

Estadão
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