Clubes se unem para tentar evitar punições; entenda
Movimento liderado reúne clubes das Séries A e B em proposta para ampliar o período de transição das regras do Fair Play Financeiro.
Liderados pelo Santos, clubes das Séries A e B pedem à ANRESF a prorrogação, até 2027 ou 2028, do prazo de transição do Fair Play Financeiro para dívidas contraídas antes de 2026. Com punições previstas já para dezembro — como perda de pontos e rebaixamento —, os dirigentes alegam ser inviável sanar o passivo conjunto de até R$ 17,3 bilhões em 11 meses, cenário agravado pela queda nas receitas de patrocínio após a MP das Bets. As regras para novas dívidas permanecem inalteradas.
Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro articulam, liderados pelo Santos, uma proposta para ampliar o período de transição das regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira, conhecido como Fair Play Financeiro. Segundo informações do ge, o movimento solicita à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) a extensão do prazo para adequação às regras relacionadas exclusivamente às dívidas contraídas antes de 2026.
O regulamento estabelece que o período de testes e advertências para os passivos anteriores a 2026 termina em novembro deste ano. A partir de dezembro, os clubes que não cumprirem as exigências poderão estar sujeitos a sanções como restrição no registro de atletas, perda de pontos, proibição de transferências e até rebaixamento.
De acordo com o ge, a proposta articulada pelos clubes prevê a extensão do período de transição até novembro de 2028. Como alternativa, o pedido considera a possibilidade de manutenção do prazo até o fim de 2027.
Um dos argumentos apresentados na proposta é o volume de endividamento acumulado pelo futebol brasileiro. Estimativas de consultorias apontam que a dívida líquida somada dos principais clubes do país varia entre R$ 16 bilhões e R$ 17,3 bilhões. Os dirigentes envolvidos na articulação consideram que a regularização de passivos dessa dimensão em um período de 11 meses seria inviável e poderia provocar um efeito cascata de inadimplência no mercado nacional.
Outro ponto citado pelos clubes é o impacto da Medida Provisória das Bets sobre as receitas das equipes. A proibição da operação de casas de apostas no Brasil teria reduzido os valores destinados por essas empresas a patrocínios, segundo os argumentos apresentados na proposta. Para os dirigentes, a redução das receitas dificulta o processo de reorganização dos passivos.
A articulação também considera os diferentes períodos de transição previstos nos demais indicadores do sistema. Conforme o ge, os clubes argumentam que o controle de custos com elenco possui transição até 2028, enquanto o limite de endividamento de curto prazo conta com um cronograma gradual até 2029. A ideia apresentada é que as dívidas acumuladas antes de 2026 tenham um prazo semelhante de adaptação.
As regras para débitos contraídos a partir de 2026, por outro lado, têm aplicação desde o início deste ano e não fazem parte do pedido de extensão. A solicitação apresentada pelos clubes está concentrada nos passivos anteriores a 1º de janeiro de 2026.
O sistema também estabelece limites específicos para outros indicadores financeiros. No controle de balanço e déficit, o limite é de R$ 30 milhões para clubes da Série A e de R$ 10 milhões para equipes da Série B, ou 2,5% da receita. A transição ocorre nos anos de 2026 e 2027, com vigência plena prevista a partir de 2028.
No caso da dívida de curto prazo, o regulamento estabelece um teto progressivo sobre as receitas, com redução de 60% até alcançar 45%. O cronograma de transição está previsto entre 2027 e 2029, enquanto a aplicação final do limite de 45% está programada para 2030.
A proposta liderada pelo Santos chega à ANRESF antes do encerramento do atual período de transição. O pedido dos clubes busca, portanto, ampliar o prazo para adequação das dívidas acumuladas antes de 2026 sem alterar as regras aplicáveis aos novos passivos.
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