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Roland-Garros: nova geração projeta ciclo promissor para o tênis brasileiro

Com o torneio de Roland-Garros chegando ao fim, o desempenho do carioca João Fonseca, que alcançou as quartas de final, trouxe entusiasmo aos torcedores brasileiros. Mas não foi apenas no circuito profissional que o país chamou atenção em Paris. A participação consistente das novas gerações, nas categorias juvenis, indica um cenário promissor para o tênis nacional nos próximos anos.

4 jun 2026 - 15h54
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Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros

A avaliação é compartilhada por um nome experiente do circuito. O duplista Marcelo Demoliner, que chegou às quartas de final nesta edição do torneio, vê um momento especialmente positivo para o tênis no Brasil.

"Eu acho que o tênis brasileiro está vivendo um momento maravilhoso, tanto no profissional, como isso também faz com que a nova geração acredite mais nela, vendo que os profissionais estão chegando", disse em entrevista à RFI. "O contato que temos com eles é importante para passar experiência e confiança de que eles também podem chegar. A gente vai ter aí uns dez anos de um bom ciclo no tênis brasileiro", aposta.

Marcelo Demoliner e seu parceiro de duplas, o indiano N. Sriram Balaji, chegaram às quartas de final nesta edição do torneio de Roland-Garros. O tenista vê um momento especialmente positivo para o tênis no Brasil. Em Paris, em 3 de junho de 2026.
Marcelo Demoliner e seu parceiro de duplas, o indiano N. Sriram Balaji, chegaram às quartas de final nesta edição do torneio de Roland-Garros. O tenista vê um momento especialmente positivo para o tênis no Brasil. Em Paris, em 3 de junho de 2026.
Foto: RFI

Nas arquibancadas, o entusiasmo também é evidente. A torcedora Gabriela Costa destacou o nível apresentado pelos jovens atletas. "É muito impressionante. O nível dos juniores já é impressionante de ver. A próxima geração está vindo forte, inspirada pelo João", disse.

Os resultados confirmam essa impressão. Jovens tenistas brasileiros acumulam vitórias importantes em simples e duplas, evidenciando a força da base e a renovação do esporte.

Entre os destaques, o goiano Luis Guto Miguel, de 17 anos e número 4 do mundo no ranking juvenil, alcançou a semifinal, ao vencer, na quinta-feira (4), o austríaco Thilo Behrmann por dois sets a um, com parciais de 6/4, 1/6 e 6/3. 

Já Leonardo Storck França avançou após derrotar o americano Jack Kennedy com um tie break nas quartas de final por 6/3 e 7/6 (7-1).

O percurso até esse nível é resultado de anos de trabalho. Eduardo Frick, CEO da Rio Tennis Academy, onde Leonardo treina, detalha essa trajetória. "O Leonardo está conosco desde os 13 anos. Ele chegou de Cuiabá e mora na academia. É um trabalho de quase três anos e meio. Ele conquistou a vaga ao vencer o Roland-Garros Junior Series, um projeto de parceria entre a Federação Francesa de Tênis e a Federação Sul-Americana", explica.

Frick também destaca características técnicas do atleta: "Ele tem um diferencial que eu gosto muito, que é a esquerda com uma mão. Hoje em dia isso é raro. Mas ele precisa transformar isso em vantagem. É um menino com um jogo bonito, com muita garra e evolução mental."

Victoria Barros, um talento em ascensão 

Outro nome que chamou atenção foi o da jovem Victoria Luiza Barros. A brasileira se classificou para a semifinal nesta quinta-feira, após uma virada sobre a sul-coreana Ha Num Lee, com parciais de 2/6, 6/1 e 6/4 — resultado superior ao desempenho de 2025, quando parou na terceira rodada.

A tenista destaca a importância da consistência no processo.

"Eu sou muito focada no dia a dia, em cada momento na quadra, em cada bola. Venho de bons jogos e de um bom processo. Claro que trabalho para chegar ao profissional, mas é passo a passo. Fico feliz com o reconhecimento, confio em mim, mas preciso seguir no meu ritmo", disse à RFI.

Essa confiança, sobretudo o talento, chamou a atenção de quem acompanha de perto o tênis feminino latino-americano. Após a carreira como jogadora, Claudia Von der Weck consolidou-se como treinadora internacional, atuando especialmente na formação de atletas e no circuito juvenil. Depois de trabalhar com nomes de destaque do tênis brasileiro, como a gaúcha Miriam D'Agostini, ela afirmou à RFIque viu algo diferente na jovem Vitória.

"Eu fiquei em estado de choque. Assisti ao jogo e não podia acreditar no que estava vendo. Porque eu conheço três ou quatro gerações de brasileiras, incluindo a Maria Esther Bueno, mas nunca vi um talento como Victoria Barros. Além de ter todos os golpes, ela tem uma direita muito forte, talvez como a Sabalenka, quando ela acelera e imprime muita potência", afirma. "Eu vi isso na Barros e fiquei em choque. Depois vi o saque e fiquei apaixonada, pois é tecnicamente perfeito. Vi algo que não via há muito tempo: ela desfruta do jogo. Eu vi uma quantidade de coisas que, em 15 anos, eu não via em uma juvenil no mundo. Ela é um diamante", compara.

Victoria Luiza Barros é considerada um talento em ascensão no tênis brasileiro. A jovem se classificou para a semifinal após vitória sobre a sul-coreana Ha Num Lee. Em Roland-Garros, em Paris, em 3 de junho de 2026.
Victoria Luiza Barros é considerada um talento em ascensão no tênis brasileiro. A jovem se classificou para a semifinal após vitória sobre a sul-coreana Ha Num Lee. Em Roland-Garros, em Paris, em 3 de junho de 2026.
Foto: RFI

Mesmo aqueles que não avançaram no torneio mantêm a ambição. O brasiliense Pedro Chabalgoity, 18 anos, sonha com o futuro. "Quero voltar aqui. Tenho o sonho de ganhar esse torneio, mas é pensar no passo a passo. Pensar muito no futuro traz ansiedade", diz.

O contato direto com o circuito profissional também tem impacto importante na formação dos jovens. Nauhany Vitória Leme da Silva, a Naná, 16 anos, destacou a inspiração ao conviver com atletas de elite. "Fico muito feliz de estar aqui com os profissionais. Ontem a Bia Haddad Maia estava assistindo ao meu jogo. É uma referência. Ver como elas treinam, como se comportam, isso é muito importante", afirma.

Transição promissora

A edição de 2026 de Roland-Garros já entrou para a história do tênis brasileiro. Até o momento, é o Grand Slam com maior número de vitórias do país: 35 ao todo, superando as 26 registradas no US Open de 2014.

O desempenho coletivo reforça a percepção de que o Brasil atravessa uma fase de transição promissora, com uma nova geração capaz de sustentar resultados no médio prazo e ampliar a presença do país no cenário internacional.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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