O que esperar? Remo entra em 2026 com o desafio de sobreviver à Série A e construir bases para o futuro
Leão Azul inicia planejamento sob forte cobrança da torcida, com reformulação profunda do elenco, metas realistas na elite e obstáculos logísticos e financeiros inéditos no calendário nacional
Após o acesso histórico à Série A depois de mais de três décadas, o Clube do Remo começa a virar a chave para 2026 em meio a expectativas altas, cobranças intensas e um cenário de desafios que extrapolam as quatro linhas.
O planejamento da temporada ganha contornos mais claros com a apresentação pública das diretrizes conduzidas pelo executivo de futebol Marcos Braz, responsável por liderar a reconstrução do elenco e traçar o caminho do Leão Azul em seu retorno à elite do futebol brasileiro.
A palavra de ordem no Baenão é cautela. Internamente, o clube trabalha com um objetivo bem definido: permanecer na Série A.
A diretoria entende que o primeiro passo é garantir estabilidade esportiva e estrutural, evitando repetir trajetórias curtas de outros clubes que subiram e não conseguiram se sustentar na divisão principal. Para isso, o Remo admite que precisará assumir riscos dentro de campo e agir de forma diferente no mercado.
Reformulação profunda e elenco enxuto
O atual grupo com contratos assegurados para 2026 é considerado reduzido. Permanecem nomes como Marcelo Rangel, Ygor Vinhas, Marcelinho, Tassano, Jorge, Jáderson, Tachtsidis, Dodô e Marrony, além de atletas com vínculos mais curtos, casos de Cantillo, Diego Hernández e PH.
Jogadores da base, como os goleiros João Victor e Alexandre, também devem se reapresentar, o que evidencia a necessidade de reposições praticamente em todos os setores.
Até o momento, o Remo anunciou as contratações do atacante Alef Manga e do volante Zé Ricardo, além do treinador Juan Carlos Osório.
Outras chegadas ainda não foram anunciadas oficialmente, mas estão bem encaminhadas, como a dos atacantes Pedro Paulo e Carlinhos e dos laterais direitos João Lucas e Yago Pikachu.
Perfil das contratações e sem "leilão"
Marcos Braz tem sido enfático ao afirmar que o Remo não entrará em disputas inflacionadas por nomes de peso.
O clube pretende contratar jogadores em plena capacidade física, com idade média entre 24 e 26 anos, capazes de suportar uma temporada desgastante, especialmente por conta da logística. A diretriz é clara: contratar pelo desempenho e encaixe no projeto, não apenas pelo histórico ou fama.
O executivo também destaca a necessidade de honestidade nas negociações. Convencer atletas a atuar em Belém exige transparência sobre a estrutura atual e sobre as possibilidades de crescimento do clube, além de vender o diferencial da torcida e dos estádios cheios, algo que virou marca do Remo em 2025.
Logística como obstáculo central
Se dentro de campo o desafio já é grande, fora dele a missão se torna ainda mais complexa. O Remo será o clube que mais viajará na Série A de 2026, com cerca de 95 mil quilômetros percorridos ao longo do campeonato, mais que o dobro da quilometragem de equipes do eixo Sul-Sudeste.
A disparidade escancara um problema histórico para clubes do Norte e do Nordeste, com impacto direto no orçamento, na recuperação física dos atletas e no planejamento esportivo.
Esse fator pesa diretamente na definição do perfil do elenco e reforça a necessidade de jogadores com intensidade, fôlego e adaptação a longos deslocamentos.
Um 2026 de sobrevivência e construção
O discurso que ecoa nos bastidores azulinos é de realismo. O Remo sabe que chega à Série A em desvantagem estrutural e financeira em relação à maioria dos concorrentes. Ainda assim, aposta em organização, planejamento e em um projeto de médio prazo para não apenas sobreviver, mas criar alicerces que permitam crescimento sustentável nos próximos anos.