Consulado confirma achado de passaporte de Eliza Samudio em Portugal
Itamaraty foi acionado para definir destino do documento; família classifica repercussão como dolorosa
O reaparecimento de um documento ligado a um dos casos mais marcantes ao extracampo do futebol brasileiro voltou a mobilizar autoridades nesta semana. Isso porque o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou a localização do passaporte de Eliza Samudio, assassinada em 2010 em um crime envolvendo o ex-goleiro Bruno, em Portugal. O corpo da vítima segue desaparecido.
De acordo com a representação diplomática brasileira no país, o passaporte foi encontrado na última sexta-feira (2), em um imóvel alugado por um homem não identificado. No mesmo dia, o consulado comunicou sobre o caso ao Itamaraty e fez consultas oficiais ao Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, para definir a destinação do documento.
A reportagem de Léo Dias divulgou a informação em primeira mão, bem como a localização exata. Segundo o jornalista, o passaporte estava entre livros em uma estante da sala do apartamento — alugado por um período para o homem em questão.
A família de Eliza acompanha o caso com cautela, mas entende que a localização do documento não altera o entendimento da família sobre o crime. De acordo com Maria do Carmo, madrinha de Bruninho — filho de Eliza com Bruno —, não há dúvidas sobre o assassinato. A mulher representa legalmente a dona Sônia, mãe da modelo, e concedeu entrevista ao g1, da Globo.
Além disso, a família pede para ter acesso ao documento para, então, confirmar a veracidade do passaporte.
Irmão também se pronuncia
Já Arlie Moura, irmão da vítima, afirmou à CNN Brasil acreditar na autenticidade do documento. Ele se baseou nos dados presentes no passaporte, como filiação, data de nascimento e nome completo — todos compatíveis.
Arlie ressaltou, porém, que prefere aguardar a oficialização por parte das autoridades: "Não posso bater o martelo". Ele também afirmou que só acompanha as notícias pela mídia, visto que rompeu contato direto com a mãe.
Caso de Eliza Samudio
A modelo desapareceu em 2010, aos 25 anos, em um crime nunca solucionado por completo — seu corpo nunca foi encontrado. Mãe de um bebê recém-nascido à época, a modelo caiu em uma emboscada promovida por Bruno, seu ex-parceiro àquela altura, que defendia o Flamengo e não reconhecia a paternidade.
Bruno acabou condenado em março de 2013 por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado. Na sentença, recebeu pena de 22 anos e três meses de prisão pela morte e ocultação do cadáver da vítima, além do sequestro do filho.
O julgamento absolveu a ex-mulher do atleta, Dayanne Rodrigues, enquanto Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, acabou condenado em 2012 a 15 anos de prisão por sequestro e cárcere privado. A Justiça entendeu que ele participou ao levar a jovem do Rio para Minas Gerais, onde ela permaneceu em cativeiro. Ele obteve progressão de regime após cumprir parte da pena.
O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, foi condenado a 22 anos de prisão. O último júri do caso ocorreu em agosto de 2013 e condenou Elenilson da Silva e Wemerson Marques, o Coxinha, por sequestro e cárcere privado de Bruninho.
Elenilson recebeu pena de três anos em regime aberto, e Wemerson, de dois anos e meio, também em regime aberto.
Sequestro e cárcere privado
Seguindo a denúncia, a vítima deixou o Rio de Janeiro à força com destino ao sítio de Bruno, em Esmeraldas, Minas Gerais. Ela teria ficado em cárcere privado até Marcos Aparecido dos Santos asfixiá-la e, posteriormente, desaparecer com o corpo.
Desconhecidos encontraram Bruninho, recém-nascido à época, em Ribeirão das Neves, também em Minas Gerais.
Bruno passou ao regime semiaberto em 2018 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023. Após deixar a prisão, chegou a atuar novamente — ainda que brevemente —como jogador profissional.
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