Reprovado no Corinthians, Marcos jurou "fechar o gol" contra rival
A identificação do ex-goleiro Marcos com o Palmeiras é indiscutível entre os torcedores. Nem mesmo o mais pessimista dos palmeirenses pensaria na hipótese de ver o ídolo atuando por um rival. Mas a trajetória do ex-jogador quase foi traçada em outro lugar: o Corinthians.
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Antes de chegar ao Palmeiras, Marcos foi levado por seu então clube, o Lençoense, ao time de Parque São Jorge, mas foi reprovado nos testes. Quando voltou ao interior paulista, o ex-goleiro jurou aos amigos que daria o troco no clube da capital um dia.
"O Lençoense mandou para os testes o Marcos e outro jogador, o Marquinhos Krueger, mas eles não ficaram no Corinthians. Quando voltou a Lençóis Paulista, o Marcos estava muito chateado, magoado, e disse que um dia jogaria em um grande clube e sempre fecharia o gol contra o Corinthians", explica o ex-ponta-esquerda Glauco, que iniciou a carreira com o pentacampeão e teve uma rápida passagem pela base do Palmeiras.
A reportagem visitou Lençóis Paulista, e os amigos do ex-goleiro não escondem a tristeza do ídolo palmeirense com o rival. Glauco Temer Feres desistiu do futebol ainda cedo e se tornou advogado, mas não se esquece de que a ideia de Marcos era jogar pelo Palmeiras.
"Ele foi antes para o Corinthians porque era a opção do Lençoense, mas voltou com mágoa e queria ir para um grande, de preferência o Palmeiras. Por isso, sempre que podia enfrentar o rival, tinha um gostinho a mais", acrescenta o advogado.
O preparador físico do Lençoense naquela época, João Sérgio de Moraes, que hoje é presidente do clube, explica que o teste de Marcos no Corinthians durou cerca de três meses, mas foi um período de poucas oportunidades.
"Não fizeram a documentação dele para disputar a Copa São Paulo. Por isso, trouxemos o Marcos de volta e o colocamos no Palmeiras. Ele ficou quase três meses no Corinthians, mas o menino que disputava posição com ele tinha padrinho bom", alfineta.
Pouco depois de reprovado no Parque São Jorge, Marcos foi levado pelo Lençoense para o Palmeiras e, ao lado de mais quatro jogadores do interior, recebeu o aval para ficar no clube. Desta forma, começou a história do ex-goleiro pelo time do Palestra Itália, em 1992.
Exemplo de amor à camisa no futebol moderno
A carreira de Marcos pode ser classificada como uma das mais bonitas dos últimos anos. Mesmo consagrado e objeto de desejo de grandes clubes europeus durante a trajetória dentro dos gramados, o goleiro deu um raro exemplo de "amor à camisa" no futebol moderno. O camisa 12 permaneceu os quase 20 anos de vida futebolística na mesma instituição: a Sociedade Esportiva Palmeiras.
Com a camisa alviverde, Marcos conquistou os maiores títulos da organização paulista. Campeão brasileiro nos anos de 1993 e 1994, o goleiro alcançou o auge da carreira. Em um espaço de apenas três meses, deixou o banco de reservas para se tornar um dos principais responsáveis pelo título inédito da Copa Libertadores da América de 1999, a maior glória obtida pelo Palmeiras até hoje.
Já tratado como ídolo, Marcos conquistou ainda mais a torcida na edição seguinte da competição sul-americana. Embora tenha passado por um péssimo momento de pressão, após falhar na decisão do Mundial de 1999 (não conseguiu interceptar um cruzamento de Ryan Giggs, que resultou no gol do título do Manchester United, marcado por Roy Keane), o goleiro se tornou símbolo da vitoriosa geração alviverde ao novamente impedir o arquirrival Corinthians de seguir no torneio.
Na semifinal, Marcos defendeu o pênalti cobrado por Marcelinho Carioca, principal ídolo corintiano na época, e classificou o Palmeiras à decisão da Libertadores de 2000 - competição na qual o time acabou como vice-campeão.
Ídolo consolidado dentro do clube, Marcos atingiu o Brasil inteiro em 2002. Goleiro de confiança do técnico Luiz Felipe Scolari, o representante palmeirense vestiu a camisa 1 da Seleção Brasileira e teve participação fundamental na conquista do pentacampeonato, especialmente na decisão contra a Alemanha.
As grandes atuações despertaram o interesse europeu. O Arsenal, depois de conhecer o goleiro palmeirense na Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul, buscou a contratação de Marcos. Entretanto, na contramão do futebol moderno de negócios, o jogador rejeitou a proposta e seguiu na instituição alviverde, apesar do rebaixamento à Série B do Brasileiro em 2003.
Marcos passou pela pior crise da história palmeirense sem ter o respeito adquirido durante o fim da década de 90. O jogador seguiu convivendo com lesões, alguns vexames (como a goleada de 7 a 2 para o Vitória, pela Copa do Brasil de 2003, no Palestra Itália) e grandes atuações. O último título conquistado pelo camisa 12 no único clube da carreira foi o Campeonato Paulista de 2008.
FICHA TÉCNICA
Nome: Marcos Roberto Silveira Reis
Posição: Goleiro
Cidade de nascimento: Oriente (SP)
Nascimento: 4 de agosto de 1973
Altura: 1,93 m
Camisa preferida: 12
Jogos pelo Palmeiras: 530
Jogos pela Seleção Brasileira: 29
Clubes: Palmeiras
Títulos: Campeonato Brasileiro (1993 e 1994); Campeonato Paulista (1994, 1996 e 2008); Copa do Brasil (1998); Copa Mercosul (1998); Copa Libertadores (1999); Torneio Rio-São Paulo (2000); Copa dos Campeões (2000); Campeonato Brasileiro Série B (2003).
Pela Seleção: Copa América (1999); Copa do Mundo (2002) e Copa das Confederações (2005)