Opinião: 'Chato de galocha', Abel Ferreira é ‘palmeirense como a gente' apesar de desprezo de organizada
Técnico enfrenta pressão pelo desempenho ruim da equipe na volta da Copa do Mundo
O Palmeiras é líder do Campeonato Brasileiro, está nas oitavas de final da Libertadores, nas quartas da Copa do Brasil, conquistou o Campeonato Paulista, mas, para a torcida organizada, o técnico Abel Ferreira precisa ser demitido.
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Hoje, o clube recebe o Cerro Porteño, às 19h, na partida de ida por uma vaga nas quartas da Libertadores. A chave é favorável. No papel, a equipe alviverde é favorita para chegar até uma nova final, que seria a quarta desde que Abel chegou à Academia de Futebol em 2020. Essa será a 339ª partida do português no banco de reservas palestrino.
É verdade que o futebol do Palmeiras não empolga e faz tempo. Porém, essa obsessão da arquibancada é reflexo de como o futebol virou algo doentio no Brasil. O último time brilhante foi o Flamengo, de Jorge Jesus, mas, diferente do que a crítica prega, foram apenas seis meses de alto nível.
Sob o comando de Abel, o Palmeiras teve grandes fases e partidas memoráveis a ponto de o técnico português ganhar música própria da torcida organizada: “Cabeça fria, coração quente, Abel Ferreira é palmeirense como a gente”.

Média de 2,00 pontos por jogo em 398 partidas oficiais.
A canção não é mais cantada no estádio desde a eliminação para o Corinthians na Copa do Brasil do ano passado quando o treinador discutiu com a torcida e ironizou as vaias.
Porém, a verdade é que a Mancha Verde, principal organizada do clube e que pediu a saída do treinador em nota oficial no começo da semana, pode até não gostar, mas Abel é, sim, “palmeirense como a gente”, muito mais do que eles gostariam.
Quando chegou, Abel impressionou pelo conhecimento da história do clube e rapidamente conquistou os torcedores pela maneira como defendia o clube por todo. O sentimento de pertencimento era nítido.
Aqui é importante ressaltar que o torcedor palmeirense sempre se sentiu desprestigiado na mídia como um todo -com a maioria corintiana. Com isso, Abel passou a ser um grande antídoto.
No início, as coletivas de Abel eram uma delícia. O técnico dava coletivas com grandes análises técnicas e táticas. Porém, com o tempo, parece que foi ficando de saco cheio das críticas. No começo, a acusação de soberba veio parte por xenofobia, mas, agora, é um fato que Abel virou um chato de galocha.
No entanto, ele é o "nosso" chato de galocha. É aquela coisa, só "eu" posso falar mal. A famosa Turma do Amendoim, que atormentou Luiz Felipe Scolari, é um bom resumo do que é a torcida do Palmeiras, uma torcida exigente e reclamona, assim como o seu técnico. O problema é que a 'geração Enzo' acha que Abel é incriticável, não é. Ele é o maior técnico da história do clube, mas, ainda assim, vai errar e acertar.
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