Brunoro diz que Palmeiras perdeu Kardec por demora de Nobre
Demitido há uma semana do cargo de diretor executivo do Palmeiras, José Carlos Brunoro falou ao jornal O Estado de S. Paulo sobre o período que passou no clube e, apesar de ter assumido a parcela de culpa, afirmou que foi contrário a várias decisões tomadas pela cúpula do futebol. Segundo o ex-dirigente, todas as medidas precisavam passar pela aprovação dele, do presidente Paulo Nobre e do gerente Omar Feitosa - o que acabava causando demoras.
O caso mais expressivo citado por Brunoro foi o da renovação fracassada com Alan Kardec, que acabou se transferindo para o rival São Paulo. Segundo ele, o Palmeiras "perdeu muito tempo" porque a palavra final sempre precisava ser de Nobre. Brunoro disse que poderia ter "batido o pé e acertado logo" com o jogador, ou abandonado a negociação, para mostrar que não concordava com o andamento dela.
Outros temas nos quais Brunoro, segundo ele próprio, foi voto vencido dentro do Palmeiras, incluem: a decisão de não emprestar de graça os jogadores encostados no elenco, que chegou a ter quase 40 atletas; a postura de não reduzir o valor pedido para acertar com um patrocínio máster, que o Palmeiras não conseguiu o ano todo; e o investimento reduzido nas categorias de base e no departamento de marketing. "Tudo para eles era gasto", reclamou.
Por fim, Brunoro disse que Nobre "precisa amadurecer" na presidência do Palmeiras, já que chegou em um "modelo político bem complicado". Para o ex-dirigente, o mandatário alviverde precisa confiar nas pessoas certas, porque algumas, sobre as quais o próprio Brunoro já avisou Nobre, "podem prejudicar o trabalho dele". Quem são elas? "Não posso falar. No momento certo, ele vai perceber".