Árbitro relata reclamação de Abel Ferreira em súmula; técnico do Palmeiras diz que vai "colocar algemas"
Wilton Pereira Sampaio, juiz que apitou o clássico entre Palmeiras e Corinthians no último sábado, justificou o cartão amarelo dado a Abel Ferreira na súmula da partida. O técnico do Verdão foi advertido com somente 13 minutos de jogo.
Segundo o árbitro, no documento oficial publicado no site da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o treinador foi punido por "desaprovar com palavras ou gestos as decisões da arbitragem — reclamar contra as decisões de arbitragem".
Na entrevista coletiva após o confronto, que terminou com vitória alviverde por 2 a 1, Abel falou sobre a recomendação de tolerância zero com reclamações, determinada a partir desta temporada pela entidade que rege o futebol brasileiro.
"Tem que perguntar para quem decidiu e por que decidiu. Não quero falar muito mais dos árbitros, já chega. Também fui torcedor e quando via técnico no banco, quieto, ficava me indagando. Parece que não corre sangue? Mas, se as leis são essas… o errado sou eu", desabafou Abel.
"Vou colocar uma algema e colocar as mãos nas costas. Fazer o que o João (Martins, auxiliar que colocou um esparadrapo na boca durante o jogo, reclamando de censura) fez, não posso, tenho que ficar falando. Isso é para vocês debaterem. Não adianta", completou o técnico do Palmeiras.
Veja as outras respostas do técnico do Palmeiras na entrevista coletiva após o Derby:
Elenco e sequência da temporada
"O resultado na Bolívia não estava à espera, de irmos lá e perder por 3 gols. Jogo a jogo. Dar oportunidade aos jogadores, tivemos Veiga fora, tentamos arranjar soluções. Preparar os moleques, que são bons, mas que vão cometer erros, vão jogar e vamos ajudar. Felizmente temos uma base muito sólida, experiente, conhecem o Palmeiras e sabem, a exigência. Acima de tudo é isso, quando chega nesse nível, queremos rendimento. Aprender a lidar com momentos de euforia e, depois, com os momentos de critica. Se conseguirem lidar com as frustrações mentais, estão prontos para nos ajudar sempre que for preciso."
Análise do jogo
"Vocês acham mesmo que são os treinadores que falam para abdicar da bola, passar a bola ao adversário e vamos apenas nos defender? Eu não acredito. Como treinador, não acredito nisso. Do outro lado há um adversário, que nesse caso é o Corinthians. O fim do jogo é isso, dinâmico. Vou ter que ver depois para analisar."
Chapéu de Navarro na partida
"Não gosto disso. Melhor maneira de respeitar é fazer o máximo de gols possível, é isso que peço. Não peço para jogar atrás da linha, jogar em transição, dar a bola ao adversário. Nessa equação, há uma coisa que vocês (imprensa) esquecem de colocar: o adversário. No primeiro tempo, eles foram dominados. No segundo, tivemos uma recuperação deles. Antes de darmos vida a eles com um gol imprevisível, tivemos a chance do Navarro e sabíamos que o terceiro gol matava o adversário. Eles cresceram, tiveram boa chance com o Paulinho. Dentro do jogo, há vários jogos e temos que aproveitar para matar quando podemos. Um gol de escanteio… futebol é isso. Grama alta, escanteio bem batido."
Dicas para a direção do Corinthians, que troca de técnico pela quinta vez durante a estadia de Abel no Brasil
"Não vou dar dicas, mas gosto muito de jogar contra o Corinthians. Lá ou cá. São jogos quentes, bem disputados, o público vibra independentemente da rivalidade. Corinthians sem Palmeiras, Palmeiras sem Corinthians: não seria a mesma coisa. Um precisa do outro. Essa rivalidade… esses dias vi um filme, "O Casamento de Romeu e Julieta". Apesar da rivalidade toda, é possível um corintiano e um palmeirense viverem juntos. Minha função não é dizer o que o Corinthians tem que fazer, não sou presidente, dirigente para dar dica. (Corinthians) tem um gramado que eu particularmente gosto, queria que todos os gramados fossem igual ao do Corinthians. Mas adoro jogar em casa, nossos torcedores nos ajudaram mais uma vez. Não tiveram que cantar "time da virada, time do amor" (risos). No fim, foi preciso (apoio) porque estávamos sofrendo e nossa torcida é top mesmo, contra tudo e contra todos. Obrigado a vocês (torcedores), vocês são determinantes a conseguir os resultados. Ganhar Derby não dá título, não dá nada. Eu gosto de competir contra os melhores. (Corinthians) é um grande clube, grande torcida. Nós palmeirenses queremos sempre jogar contra eles. Um sem o outro, não é a mesma coisa. É preciso sal e pimenta na comida."
Adaptação de Artur e Richard Ríos
"Artur conhece esse clube melhor do que eu. Já esteve aqui, passou por vários momentos. Agradeci à direção pela contratação. Entre a venda e a compra, houve um saldo negativo, mas que penso que vale. Jogador que conhece bem o clube, a torcida conhece ele. Quando contrata um jogador daqui (Brasil) que é bom, está mais adaptado. Tem essa mentalidade de ganhar títulos, como já ganhou. Em relação ao Richard Ríos, como eu disse, foi uma peça de reposição. O clube não contrata jogadores para o Abel, e sim para o Palmeiras. Foi preciso fazer uma reposição do Atuesta, que machucou o joelho. Fomos buscar, com um perfil que eu gosto em tudo: sério, competitivo, mentalidade vencedora. É com calma, mas estamos contentes com o trabalho e a integração."
Escolha do 11 inicial
"Eu sou uma caixinha de surpresas (risos). Faço tudo para que vocês (imprensa) não saibam quem vai jogar. Por isso não digo a escalação aos jogadores, só digo para estarem preparados. A comissão trabalha para fazer o melhor com os recursos que têm. Veiga tem um papel determinante, jogador coletivo, trabalha para a equipe, defende. É isso que digo ao Dudu. Nós precisamos que todos entendam que são importantes no ataque e na defesa. Poderia ter levado (Veiga) ao jogo contra o Tombense, mas conversando com todos, entendi que seria melhor continuar a treinar e adquirir condição física. São riscos que temos que correr, mas é sempre bom ter Rony de volta, Veiga, o próprio Artur que pode nos ajudar dentro e fora. Até agora, estamos contentes mas não satisfeitos com o que temos feito."
Fica ou não fica no Palmeiras?
"Por todas as minhas falas, acho que você sabem que gosto de estar aqui. Minha família está aqui comigo, mas tenho que falar com quem manda lá em casa. Dificilmente, em qualquer dos projetos, deixei os jogadores quando tínhamos objetivos. Dificilmente. Mas ainda tenho um ano e meio de contrato. Futebol é muito dinâmico, tudo pode acontecer — inclusive me mandarem embora, se vocês (imprensa) fizerem muita pressão. Posso ser vendido ou cumprir meu contrato, que era minha primeira intenção. Disse isso a Leila (Pereira, presidente do Palmeiras) quando renovei. Se foi o (Maurício, ex-presidente) Galiotte que me trouxe, quem me convenceu a continuar foi a Leila. O que ela decidir, por mim está bem. Já tive a oportunidade de deixar esse elenco por muito mais dinheiro, mas enquanto eles tiverem fome… vim aqui para continuar a ganhar junto com eles. Enquanto eu sentir esse desejo, essa vontade, essa atitude no olhar deles, dificilmente vou sair do Palmeiras. Enquanto eu sentir o desejo desses guerreiros… sou um treinador de relações. Sou esquentado quando quero, calmo quando quero. Gosto muito de estar aqui e dificilmente vou deixar esse elenco enquanto eles mostrarem essa vontade, esse desejo. São irmãos de guerra. Não são da minha família, mas gosto muito deles."
Irmãos de guerra
"Rony, Dudu, Veiga, Zé Rafael, Gustavo Gómez, Weverton. Seis homens de grande caráter dentro do jogo, que sabem que independentemente do que acontece, temos que estar focados no que temos que fazer. Com jogadores assim, fica muito mais fácil, em momentos de turbulência, manter a calma que nos permite ter a cabeça fria para tomar boas decisões. O que admiro neles é o caráter dos homens, é isso que gosto neles."
Expectativa para o clássico
"Não é um jogo qualquer, é contra um dos maiores rivais. Nós, assim como nosso rival, não tivemos o tempo que queríamos de preparação. Mas aí pelo menos foi igual, os dois não tiveram tempo, hoje isso não fez diferença. Jogos de Copa, as duas equipes passaram, Corinthians veio motivado… é verdade que trocou de treinador, mas sabemos que os jogadores da dimensão que eles têm, têm experiência, tarimba. Foi muito difícil, como é sempre. São jogos difíceis, equilibrados. Especial para vocês, para os torcedores e sabemos disso, mas a mensagem é a mesma. A função é a mesma: fazer o máximo de esforço, ser consistente para ganhar mais 3 pontos. Foi isso que pedi."
Situação complicada na Libertadores?
"Culpa dos jogadores, quem manda subir o sarrafo? Agora eles que aguentem. (Jogo contra o Bolívar) foi uma decisão minha (de poupar), e agora vamos fazer o que sempre fazemos. Viagem dura (para o Equador, contra o Barcelona), difícil. É ter os jogadores mentalmente focados e chegar no final para procurar ganhar o jogo. Vai ser um desafio difícil."