Abel vê injustiça Palmeiras descansar menos que o Novorizontino para final
Adversário da final, Tigre do Vale teve um dia a mais de recuperação em relação ao Verdão, que jogou sua semifinal neste domingo
Depois da vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, que garantiu o Palmeiras na final do Campeonato Paulista, Abel Ferreira deixou o discurso protocolar de lado. Em tom direto, o treinador português questionou o calendário e reclamou da diferença no tempo de descanso em relação ao Novorizontino, adversário na decisão estadual.
A final começa na quarta-feira (04/3), com o jogo de ida, e será definida no domingo (08/3). Para Abel, o problema está na forma como as datas foram organizadas. Enquanto o Novorizontino atuou no sábado (28/2) e teve o dia seguinte livre para recuperação, o Verdão entrou em campo no domingo (01/3), chegando à decisão com um dia a menos de descanso.
"O futebol brasileiro não deixa as equipes recuperarem, não vou defender ninguém, vou defender aqui o que é a minha ideia e verdade que eu defendo. Eu não acho justo uma equipe que vai jogar com outra, quando estamos jogando para decidir, como foi o caso de Corinthians x Novorizontino, uma equipe ter mais um dia que a outra de descanso", afirmou.
"No mínimo tem que ter três (dias). A única coisa que eu peço é quem organiza e decide, se quiser olhar para o espetáculo, se quiser olhar e valorizar o espetáculo, e não só valorizar a audiência, se quiser olhar de forma equilibrada, audiência/espetáculo, tem que dar no mínimo três dias", completou.
Palmeiras competitivo
No mesmo desabafo, o técnico do Palmeiras abriu espaço para falar sobre seu comportamento competitivo, tema recorrente desde que chegou ao Brasil. O técnico explicou que a rotina pesada, com jogos em sequência e pouco sono, influencia diretamente sua postura durante as partidas.
"É por isso que trabalhamos e muitas vezes deixamos a família em casa, chegamos em casa às 3, 4 da manhã, não gostava, não quero, sinto falta de privação de sono e por isso que muitas vezes sou chato e irritado, em uma semana em que você tem três, quatro jogos, são quase três noites sem dormir, não consigo dormir depois dos jogos. Isso depois reflete naquilo que são meus comportamentos, sobretudo em competição."
Exemplos de Abel Ferreira
Para ilustrar o raciocínio, Abel citou Ayrton Senna, um de seus ídolos, ao diferenciar a pessoa fora das pistas do competidor.
"Já estou há tempo suficiente no Brasil e achava que vocês já me conheciam o suficiente, mas não me conhecem. Mas eu vou lhes dizer, eu quero mesmo falar sobre isso. Um dos meus ídolos vocês sabem quem é, Ayrton Senna, e naquilo que tem a ver fora da competição, foi dos maiores corações que eu já vi, mas competindo bateu em pilotos e ganhou um campeonato mundial metendo o cotovelo na cara do Prost. Não me venham falar, competindo eu não sou um exemplo, eu estou competindo, não estou na igreja, estou competindo."
Abel ainda usou uma metáfora curiosa para reforçar a ideia de transformação durante a disputa.
"Muitas vezes não sou o melhor exemplo, mas sabem o Pateta? Que é um cara espetacular, mas quando pegava no carro se transformava. Às vezes eu até sou Pateta, mas quando quero ser Pateta, eu sou. É o que acontece quando estou competindo, eu odeio perder, mas é contra o meu pai, minha mãe, minhas filhas, eu odeio perder. Às vezes me chateio com os meus auxiliares quando jogo paddle, é competir. Eu vou repetir as vezes que forem necessárias: competindo, não sou o melhor exemplo. Modéstia parte, quando não estou em competição, revejo tudo, como o Ayrton Senna faz e fazia, por ele e pelos outros."
Agora, com a vaga assegurada, o Palmeiras tenta administrar o desgaste e transformar o discurso em combustível para buscar mais um título estadual.
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