MotoGP: Viñales volta sem vaga para 2027, mas mantém esperança “Não estou pronto para desistir”
Espanhol retorna após lesão, destaca evolução física e deixa futuro em aberto na categoria enquanto busca uma vaga para a próxima temporada
Maverick Viñales está de volta ao paddock da MotoGP no Japão depois de dois meses afastado das pistas, mas seu retorno acontece em meio a uma situação incerta para seu futuro. Sem uma vaga garantida para a temporada de 2027, o espanhol admite que chegou a imaginar que não voltaria a competir neste ano, mas agora pretende aproveitar as últimas etapas do campeonato para se recuperar fisicamente por completo e tentar manter seu espaço na categoria.
O piloto da Tech3 não compete desde julho, na Alemanha, quando os problemas em seu ombro esquerdo voltaram a limitar seu desempenho. Desde então, Viñales passou por um novo tratamento e participou de um teste no Red Bull Ring, onde teve a oportunidade de avaliar sua condição física antes do retorno oficial.
Segundo o espanhol, a força do ombro melhorou entre 10% e 15% desde a etapa de Sachsenring. A evolução, embora importante, ainda não significa que o problema esteja totalmente resolvido.
“Não está resolvido.” explicou Viñales.
“A cada mês existe uma pequena melhora.”
O piloto afirmou que o problema foi particularmente evidente na Alemanha, onde a sequência de curvas para a esquerda levou seu ombro ao limite.
“Meu ombro estava completamente fatigado, então eu não tinha mais força.”
Para tentar acelerar a recuperação, Viñales iniciou um tratamento diferente, baseado em aplicações de PRP, e perceu resultados positivos. Ele explicou que o procedimento é realizado em ciclos e que pretende continuar o tratamento entre as corridas ou até depois do encerramento da temporada.
Apesar de reconhecer que o ombro provavelmente não voltará a ter exatamente a mesma condição de antes, o piloto acredita que poderá competir normalmente. A situação também pode ser favorecida pela chegada da nova geração de motocicletas da categoria.
No teste do Red Bull Ring, Viñales teve contato tanto com uma versão adaptada da atual moto de 1.000cc quanto com o protótipo de 850cc que será utilizado a partir de 2027. E a impressão com a nova motocicleta foi bastante positiva. Ele explicou que o teste não permitiu uma comparação completamente direta entre as duas motos, já que utilizou pneus diferentes e não contou com o dispositivo traseiro normalmente usado nas corridas. Mesmo assim, a primeira impressão com a nova geração foi bastante clara.
O espanhol contou que conseguiu completar 11 voltas consecutivas com o protótipo de 850cc sem sentir o mesmo nível de desgaste físico. Para ele, há algumas características que lembram uma Moto2, mas com um motor mais potente. A experiência foi importante diante de sua situação médica.
Isso também aumentou a confiança do espanhol de que seu ombro poderá suportar as exigências da próxima geração da categoria. Viñales considera que as motos de 850cc serão fisicamente mais fáceis de pilotar, algo que pode favorecer sua recuperação. Porém, o problema é que a Tech3 já definiu sua dupla para 2027, com Luca Marini e Senna Agius. Com isso, Viñales está atualmente sem lugar no grid da próxima temporada.
Mesmo diante desse cenário, o espanhol não trata sua passagem pela MotoGP como encerrada. Pelo contrário, ele afirma que ainda possui objetivos dentro da categoria e pretende continuar procurando uma oportunidade.
Viñales reconheceu que, com a movimentação da KTM, acabou ficando sem espaço e que a decisão chegou tarde demais para que se pudesse encontrar outra alternativa. Ainda assim, acredita que a situação pode mudar.
“Não há mais espaço, infelizmente. Com a mudança da KTM, fiquei de fora e foi tarde demais. Não tive chance."
“Mas você nunca sabe o que pode acontecer no futuro.”
É justamente nesse ponto que o piloto mantém uma porta aberta. Segundo o espanhol, o paddock da categoria rainha pode mudar rapidamente e novas oportunidades podem aparecer ao longo da temporada.
“Muitas coisas acontecem aqui. Talvez uma porta possa se abrir.”
Antes de pensar em uma eventual vaga, ele coloca como prioridade recuperar completamente sua condição física. A intenção é voltar a pilotar no limite e mostrar que ainda tem condições de competir em alto nível.
“Meu primeiro objetivo é me recuperar, estar completamente em forma para poder dar o máximo. Depois veremos.”
“Não estou pronto para desistir, então vou tentar.”
Caso uma vaga como piloto titular não apareça imediatamente, Viñales também considera outras maneiras de permanecer. Questionado sobre a possibilidade de assumir uma função de piloto de testes ou reserva, ele foi direto: pretende aproveitar qualquer oportunidade que surgir. A situação chegou a ser ainda mais incerta algumas semanas atrás, depois de passar um tempo afastado, Viñales admitiu que chegou a acreditar que não retornaria às pistas em 2026.
O espanhol explicou que não tinha certeza de que seria chamado novamente para participar dos testes e que, por isso, essa oportunidade no Red Bull Ring teve uma importância especial. O teste serviu não apenas para avaliar a moto, mas também para que o próprio descobrisse em que estágio estava sua recuperação.
Sem essa preparação, Viñales acreditava que chegaria às próximas corridas sem condições de completar uma prova inteira. Ele chegou a admitir que antes do teste, sua expectativa para um eventual retorno era bastante pessimista.
Agora, a situação é diferente. O retorno ao Japão representa uma oportunidade para medir novamente a resposta do ombro e recuperar gradualmente o ritmo de competição. Viñales sabe que ainda não está 100% fisicamente, mas acredita que as próximas corridas podem ser fundamentais para determinar seus próximos passos.
“Vir para o Japão é difícil, mas também é uma boa preparação. Ainda temos muitas corridas”, afirmou. “Quero ver se consigo me recuperar ao máximo e então fazer bons resultados.”
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