MotoGP: Grid resiste a correr no Catar, mas organização mantém etapa
Pilotos demonstram resistência em viajar para Losail, mas organização reafirma intenção de realizar a etapa
A MotoGP mantém os planos de realizar o Grande Prêmio do Catar entre os dias 6 e 8 de novembro, apesar das preocupações de pilotos e integrantes das equipes com a instabilidade política e militar no Oriente Médio. Em reunião realizada nesta quinta-feira (29), no circuito de Sepang, na Malásia, a organização voltou a defender a realização da prova, mesmo diante da resistência de parte significativa do grid em viajar para a região.
Segundo informações do jornalista espanhol Oriol Puigdemont, mais de três quartos dos pilotos se posicionaram contra a viagem, temendo uma possível escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Embora a tensão tenha diminuído em relação aos primeiros meses da guerra, a situação ainda é considerada instável, o que levanta dúvidas sobre as condições de segurança para todos os profissionais envolvidos no evento.
A decisão de manter a etapa foi reforçada após uma nova conversa entre os pilotos e Carmelo Ezpeleta, CEO da MotoGP Sports Entertainment Group (MGPSEG), empresa responsável pelos direitos comerciais do campeonato. O encontro ocorreu um dia depois de outra reunião entre os competidores e representantes das equipes, também em Sepang.
De acordo com o espanhol, os pilotos deixaram a conversa com a percepção de que a corrida deverá acontecer conforme o calendário, mesmo que algum deles decida não viajar por conta própria. Durante a reunião, Ezpeleta teria lembrado que os contratos dos pilotos estão vinculados às respectivas equipes e que eventuais penalidades pelo não cumprimento das obrigações poderiam recair sobre as estruturas.
A resistência dos competidores não é recente. Na semana anterior, na Austrália, os pilotos solicitaram garantias formais e por escrito sobre os procedimentos de segurança e a proteção oferecida às pessoas que estarão no Catar caso a situação se agrave durante o fim de semana da corrida.
A organização argumenta que a responsabilidade por essas garantias pertence às autoridades catarianas, e não diretamente à promotora do campeonato. Foi informado também que o governo do Catar enviou um documento se comprometendo a responder diante de uma eventual emergência, mas os pilotos ainda esperam esclarecimentos mais específicos sobre as medidas previstas.
A preocupação com a viagem não se restringe apenas aos pilotos. Nos bastidores, a maior parte dos profissionais das equipes também demonstra resistência em participar da etapa de Losail, embora as opiniões variem entre os integrantes do paddock.
Yamaha e Honda, por exemplo, planejam enviar contingentes reduzidos de funcionários ao Catar. Além disso, algumas emissoras de televisão que detêm os direitos de transmissão já sinalizaram que não pretendem enviar equipes de profissionais ao circuito.
Carlos Ezpeleta, diretor-executivo adjunto da MGPSEG, também deve apresentar aos representantes do paddock os detalhes das garantias oferecidas pelo país. A expectativa é que as informações ajudem a esclarecer como seria feita a proteção dos profissionais e quais procedimentos seriam adotados caso o cenário geopolítico se deteriorasse.
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