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Morre Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro

Medalhista de bronze em Munique 1972, japonês naturalizado brasileiro fez história no esporte e ajudou a formar gerações de judocas.

17 out 2026 - 09h24
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Resumo
Chiaki Ishii, pioneiro do judô brasileiro e primeiro atleta do país a conquistar uma medalha olímpica na modalidade — bronze em Munique-1972 —, faleceu aos 85 anos. Nascido no Japão e naturalizado brasileiro em 1969, ele também obteve o primeiro pódio mundial do país em 1971. Além das conquistas históricas nos tatames, Ishii construiu um vasto legado como mestre, formando medalhistas olímpicos e integrando o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil por sua imensa contribuição ao esporte nacional.
Chiaki Ishii, judoca nipo-brasileiro que faleceu em 16 de outubro, aos 86 anos -
Chiaki Ishii, judoca nipo-brasileiro que faleceu em 16 de outubro, aos 86 anos -
Foto: Divulgação/CBJ - Confederação Brasileira de Judô / Esporte News Mundo

O judô brasileiro perdeu uma de suas figuras mais importantes nesta sexta-feira (16). Chiaki Ishii, primeiro atleta do país a conquistar uma medalha olímpica na modalidade, morreu aos 85 anos. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido no Japão, Ishii entrou para a história do esporte nacional ao conquistar o bronze na categoria meio-pesado nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Antes disso, em 1971, já havia alcançado um resultado inédito para o Brasil ao subir ao pódio do Campeonato Mundial de Judô, realizado em Ludwigshafen, na então Alemanha Ocidental.

A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) lamentou a morte do ex-atleta e destacou sua importância para o desenvolvimento da modalidade no país.

— O judô brasileiro está de luto. A Confederação Brasileira de Judô lamenta profundamente o falecimento do Sensei Chiaki Ishii. Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo, pela dedicação incansável ao judô e por um legado incalculável dentro e fora do tatame. Seu exemplo continuará inspirando por muitos e muitos anos — publicou a entidade.

Da chegada ao Brasil ao pódio olímpico

Natural de Ashikaga, no Japão, Chiaki Ishii decidiu deixar seu país depois de não conseguir a classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964. Após viajar por diferentes regiões da América do Sul, estabeleceu-se no Brasil e trabalhou na agricultura em uma colônia japonesa em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

Com o destaque conquistado por sua técnica e velocidade no tatame, naturalizou-se brasileiro em 1969. A partir de então, passou a representar o país em competições e acumulou títulos nacionais, sul-americanos e pan-americanos.

O primeiro grande feito internacional veio em 1971, quando conquistou a medalha de bronze no Mundial de Judô. No ano seguinte, Ishii voltou a fazer história ao vencer cinco lutas em sua campanha nos Jogos de Munique e garantir o terceiro lugar na categoria meio-pesado.

O resultado marcou a primeira medalha olímpica do judô brasileiro e abriu caminho para as gerações seguintes. Desde então, a modalidade ampliou sua presença nos pódios olímpicos e se consolidou como uma das principais fontes de medalhas do Brasil.

Legado ultrapassou as conquistas como atleta

A contribuição de Ishii para o esporte não terminou com sua trajetória competitiva. Depois de deixar as competições, ele se dedicou à formação de novos judocas em sua academia, localizada na Lapa, em São Paulo.

Entre os atletas que passaram por seu trabalho estão Walter Carmona e Rafael Silva, conhecido como Baby, ambos medalhistas olímpicos. Suas filhas, Tânia e Vânia Ishii, também seguiram o caminho do judô e representaram o Brasil nos Jogos Olímpicos.

O presidente da CBJ, Paulo Wanderley, ressaltou o papel do ex-atleta na construção da história da modalidade brasileira.

— Chiaki Ishii foi um pioneiro que acreditou no potencial do Brasil e ajudou a mostrar ao mundo a força da nossa modalidade. Sua história não está apenas nas medalhas que conquistou, mas também nos atletas que formou, nos ensinamentos que compartilhou e no caminho que abriu para tantas gerações — declarou.

Reconhecimento no esporte brasileiro

A trajetória de Chiaki Ishii também foi reconhecida pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). Em 2019, ele passou a integrar o Hall da Fama da entidade. Quatro anos depois, recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva no Prêmio Brasil Olímpico, homenagem concedida a atletas que construíram um legado relevante para o esporte nacional.

Ishii também recebeu a graduação de Kodansha 9º Dan, uma das mais altas graduações do judô, além da Ordem ao Mérito da CBJ, considerada a principal honraria da entidade.

Sua história permanece ligada ao pioneirismo olímpico brasileiro e à formação de atletas que deram continuidade ao trabalho iniciado por uma das principais referências do judô nacional.

Esporte News Mundo
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