Manchester City é considerado culpado de todas acusações de violações das regras financeiras, confirma Premier League
A Premier League considerou o Manchester City culpado de graves violações financeiras cometidas entre 2009 e 2018, além de não cooperar com as investigações. Uma comissão revelou que o clube usou contratos falsos e fundos dos proprietários para mascarar custos e inflar receitas em mais de 900 milhões de libras, burlando regras de gastos. O caso é tido como o mais impactante da história da liga, e as sanções ainda serão definidas. Declarando-se inocente, o clube anunciou que recorrerá da decisão.
O Manchester City foi considerado culpado de todas as acusações relacionadas a graves violações das regras financeiras da Premier League ao longo de nove temporadas, bem como de três das quatro acusações relativas à falta de cooperação com a investigação, informou a liga nesta terça-feira.
O City foi acusado em fevereiro de 2023, após uma investigação de quatro anos sobre supostas violações ocorridas entre as temporadas de 2009/10 e 2017/18.
O clube, que nega qualquer irregularidade, afirmou em comunicado que entraria com recurso "com base no fato de que o parecer contém erros materiais evidentes, de direito, de princípio e de fato, e não é confiável".
"CONTRATOS FALSOS"
Uma comissão independente constatou que o City elaborou contratos "falsos" que deturpavam os acordos reais com vários parceiros comerciais e se baseava em acordos semelhantes com outros para inflar suas receitas e reduzir custos artificialmente, informou a liga.
Constatou-se que vários patrocinadores foram obrigados a pagar apenas parte dos valores registrados nos acordos relevantes, sendo o saldo custeado pelos proprietários do clube, a Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd (ADUG).
A comissão também identificou acordos financiados pela ADUG que permitiram ao City registrar despesas operacionais mais baixas.
Esses esquemas inflaram a receita do City e reduziram seus custos em mais de 900 milhões de libras (US$1,2 bilhão), criando a aparência de que o clube cumpria as regulamentações financeiras, afirmou a liga.
O relatório também constatou que várias testemunhas do clube apresentaram provas falsas nas audiências, que duraram 42 dias, e que algumas delas induziram a comissão ao erro de forma consciente.
A comissão concluiu que o City teria violado os limites de gastos tanto da Premier League quanto da Uefa "em um montante muito substancial" caso os contratos tivessem sido relatados com precisão.
"A decisão principal... detalha como o clube violou sistematicamente as regras da Premier League por quase uma década", disse Richard Masters, presidente-executivo da Premier League.
Masters descreveu o caso e a decisão como "os mais significativos da história da Premier League", mas disse que elementos-chave permaneceram sem solução, principalmente a sanção a ser imposta.
"Agora que temos a decisão da Comissão, estamos empenhados em avançar rapidamente pelo restante do processo, para proporcionar certeza à Liga, aos nossos clubes e aos torcedores", disse ele.
CITY VAI RECORRER
O City declarou estar decepcionado e surpreso com o parecer da comissão.
"O clube é inocente das acusações feitas pela Premier League e existe um conjunto abrangente de provas irrefutáveis que sustentam todas as suas posições relacionadas a este caso", afirmou o clube.
"O Manchester City FC agora recorrerá às vias de apelação à sua disposição, com base no fato de que o parecer contém erros materiais evidentes, tanto de direito, quanto de princípio e de fato, e não é confiável."
O clube tem até 2 de outubro para interpor recurso.
O anúncio foi feito perto do final da assembleia geral da EFC (Clubes Europeus de Futebol), em Copenhague, deixando os representantes dos clubes ingleses checando seus celulares nos minutos finais.
Representantes do Arsenal e do Nottingham Forest se recusaram a comentar quando abordados.
Um representante do Manchester United também se recusou a comentar quando contatado pela Reuters.
O chairman da EFC, Nasser Al-Khelaifi, não se pronunciou sobre o caso e elogiou o trabalho do presidente-executivo do clube, Ferran Soriano, como membro do conselho da EFC.
"Seu conhecimento, como vocês sabem, ao longo de toda a sua carreira é fantástico. É por isso que acho que eles também fizeram muitas coisas positivas", disse Al-Khelaifi.
A ministra britânica do Esporte, Lisa Nandy, disse que o relatório da liga era "incrivelmente contundente" e pediu uma conclusão rápida e justa do caso.
"Isso não está causando apenas muita preocupação aos torcedores do Manchester City. Obviamente, também está causando muita preocupação a todos os torcedores da Premier League", disse ela à BBC.
"A Premier League é uma das nossas joias da coroa. Precisamos que a investigação seja concluída de forma rápida e justa, mas rápida principalmente porque precisamos defender a integridade do esporte."
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