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Manchester City é considerado culpado de todas acusações de violações das regras financeiras, confirma Premier League

29 set 2026 - 13h28
(atualizado às 15h05)
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Resumo
A Premier League considerou o Manchester City culpado de graves violações financeiras cometidas entre 2009 e 2018, além de não cooperar com as investigações. Uma comissão revelou que o clube usou contratos falsos e fundos dos proprietários para mascarar custos e inflar receitas em mais de 900 milhões de libras, burlando regras de gastos. O caso é tido como o mais impactante da história da liga, e as sanções ainda serão definidas. Declarando-se inocente, o clube anunciou que recorrerá da decisão.

O Manchester City foi considerado culpado de todas as acusações relacionadas a graves ‌violações das regras financeiras da Premier League ao longo de nove temporadas, bem como de três das quatro acusações relativas à falta de cooperação com a investigação, informou a liga nesta terça-feira.

O City foi acusado em fevereiro de 2023, após uma investigação de quatro anos sobre supostas violações ocorridas entre as temporadas de 2009/10 e 2017/18.

O clube, que nega qualquer irregularidade, afirmou em comunicado que entraria com recurso "com base no fato de que o ⁠parecer contém erros materiais evidentes, de direito, de princípio e de fato, e não é confiável".

"CONTRATOS FALSOS"

Uma comissão independente constatou ‌que o City elaborou contratos "falsos" que deturpavam os acordos reais com vários parceiros comerciais e se baseava em acordos semelhantes com outros para inflar suas receitas e reduzir custos artificialmente, informou a liga.

Constatou-se que vários patrocinadores foram ‌obrigados a pagar apenas parte dos valores registrados nos acordos relevantes, ‌sendo o saldo custeado pelos proprietários do clube, a Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd (ADUG).

A comissão ⁠também identificou acordos financiados pela ADUG que permitiram ao City registrar despesas operacionais mais baixas.

Esses esquemas inflaram a receita do City e reduziram seus custos em mais de 900 milhões de libras (US$1,2 bilhão), criando a aparência de que o clube cumpria as regulamentações financeiras, afirmou a liga.

O relatório também constatou que várias testemunhas do clube apresentaram provas falsas nas audiências, que duraram 42 dias, e que algumas delas induziram a comissão ao erro de forma ‌consciente.

A comissão concluiu que o City teria violado os limites de gastos tanto da Premier League quanto da Uefa "em um montante ‌muito substancial" caso os contratos tivessem ⁠sido relatados com precisão.

"A decisão ⁠principal... detalha como o clube violou sistematicamente as regras da Premier League por quase uma década", disse Richard Masters, presidente-executivo da ⁠Premier League.

Masters descreveu o caso e a decisão como "os mais significativos ‌da história da Premier League", mas ‌disse que elementos-chave permaneceram sem solução, principalmente a sanção a ser imposta.

"Agora que temos a decisão da Comissão, estamos empenhados em avançar rapidamente pelo restante do processo, para proporcionar certeza à Liga, aos nossos clubes e aos torcedores", disse ele.

CITY VAI RECORRER

O City declarou estar decepcionado e surpreso com o parecer da comissão.

"O ⁠clube é inocente das acusações feitas pela Premier League e existe um conjunto abrangente de provas irrefutáveis que sustentam todas as suas posições relacionadas a este caso", afirmou o clube.

"O Manchester City FC agora recorrerá às vias de apelação à sua disposição, com base no fato de que o parecer contém erros materiais evidentes, tanto de direito, quanto de princípio e de fato, e não ‌é confiável."

O clube tem até 2 de outubro para interpor recurso.

O anúncio foi feito perto do final da assembleia geral da EFC (Clubes Europeus de Futebol), em Copenhague, deixando os representantes dos clubes ingleses checando seus celulares nos ⁠minutos finais.

Representantes do Arsenal e do Nottingham Forest se recusaram a comentar quando abordados.

Um representante do Manchester United também se recusou a comentar quando contatado pela Reuters.

O chairman da EFC, Nasser Al-Khelaifi, não se pronunciou sobre o caso e elogiou o trabalho do presidente-executivo do clube, Ferran Soriano, como membro do conselho da EFC.

"Seu conhecimento, como vocês sabem, ao longo de toda a sua carreira é fantástico. É por isso que acho que eles também fizeram muitas coisas positivas", disse Al-Khelaifi.

A ministra britânica do Esporte, Lisa Nandy, disse que o relatório da liga era "incrivelmente contundente" e pediu uma conclusão rápida e justa do caso.

"Isso não está causando apenas muita preocupação aos torcedores do Manchester City. Obviamente, também está causando muita preocupação a todos os torcedores da Premier League", disse ela à BBC.

"A Premier League é uma das nossas joias da coroa. Precisamos que a investigação seja concluída de forma rápida e justa, mas rápida principalmente porque precisamos defender a integridade do esporte."

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