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Lutas

UFC Rio 3: "quanto mais a torcida canta, mais doido eu fico", diz Aldo

23 ago 2012 - 07h40
(atualizado às 07h57)
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André Naddeo
Direto do Rio de Janeiro

Dentre tantos atributos técnicos e físicos que um detentor de cinturão do Ultimate Fight Championship (UFC) deve ter para sustentar seu domínio entre os pesos-pena, José Aldo não titubeia ao fazer a autoanálise: "sou um cara muito pilhado, meu irmão", diz, batendo o pé, e girando a cadeira, já um pouco impaciente com a série de entrevistas para promover sua luta contra o americano Erik Koch, no UFC Rio 3, no dia 13 de outubro, no HSBC Arena, na zona oeste do Rio de Janeiro.

A "pilha" do lutador brasileiro é reforçada pelo longo tempo fora do octógono: a última luta foi em janeiro deste ano, quando nocauteou, ainda no primeiro round, o americano Chad Mendes, na segunda edição do UFC Rio. A quarta defesa de cinturão dos penas, contra Koch, deveria ter ocorrido em julho, em Calgary, no Canadá. Um estiramento na coxa, no entanto, aliado a um retorno precoce aos treinamentos, comprometeu sua preparação.

"É como se não tivesse acontecido nada, estou 100% recuperado e treinando forte como sempre treinei. Se precisar forçar a perna, forço mesmo. Pode até estourar (o músculo da coxa), mas não estou com medo disso. Sou um cara que deixo a adrenalina subir mesmo", diz, sempre agitado. "Vamos fazer nosso plano e ir para o ataque. Vou cair para dentro", completa.

Nesta entrevista exclusiva ao Terra, José Aldo se considera hoje um lutador de MMA muito mais maduro e se diz "um privilegiado" por lutar novamente no Rio de Janeiro, cidade que considera natal, muito embora tenha nascido em Manaus. "Quanto mais a torcida canta, mais doido eu fico", disse neste bate-papo, no qual o flamenguista de coração comemora ainda o retorno de Adriano à Gávea. Para quem vive as regras de um esporte que exige dietas aliadas com muito vigor físico nos treinamentos, vai um conselho.

"Minha dica para ele seria uma pergunta. Será que ele quer voltar a vencer? Se conseguir se privar dessas coisas de noitada, de festa, que é tudo passageiro na vida, ele vai chegar no campo e mostrar o que sabe fazer", diz, seguro.

Confira abaixo a entrevista com José Aldo:

Terra: você já está curado da lesão muscular, desta vez não teremos adiamento, você está conseguindo se preparar do jeito que gostaria para a defesa do cinturão dos penas?

José Aldo: está tudo ótimo. Há um mês que eu já voltei a treinar. Já passou a fase da fisioterapia, já acabou tudo. Estou totalmente recuperado. Agora é focar na luta. E vamos que vamos!

Terra: a lesão muscular na coxa atrapalhou seu cronograma, já que sua última luta foi apenas em janeiro, quando você venceu o americano Chad Mendes?

José Aldo: não, porque a gente não poupou. A gente tratou, e fez o trabalho de fisioterapia e reforço muscular, tudo certo. Fiz a ressonância (magnética) para garantir que estava tudo bem, e não apareceu nada. É como se não tivesse acontecido nada, estou 100% recuperado e treinando forte como sempre treinei. Se precisar forçar a perna, forço mesmo. Pode até estourar (o músculo da coxa), mas não estou com medo disso.

Terra: desta vez vai, então?

José Aldo: com certeza, meu irmão, estou me sentindo muito bem, não tem como não ir agora. Minha cabeça está boa, acho que isso também é importante. Agora é chegar outubro e dar o meu melhor.

Terra: você passou o dia inteiro com seu adversário promovendo a luta aqui no Rio de Janeiro. O que você pode falar sobre o Erik Koch?

José Aldo: já conheço ele faz tempo, desde a época que a gente lutava WC (Wing Chun, sistema de defesa pessoal chinês bastante difundido no mundo). No próprio Ultimate em que estivemos presentes, o cumprimentei, não teve problema nenhum. Ele é um moleque maneiro, que me respeita. Ele tem um jogo bom de kickboxing, num estilo bem cadenciado, mas é aquela coisa: vamos fazer nosso plano e ir para o ataque. Vou cair para dentro.

Terra: esta será sua quarta defesa de cinturão do UFC, sendo a segunda vez no Rio de Janeiro. Atuar na sua cidade ao lado do torcedor te motiva, ou você preferiria ter menos euforia e atuar longe daqui?

José Aldo: nada, me considero um privilegiado. Defender um título pela segunda vez aqui no Brasil é ótimo. A gente está com a cabeça boa, como eu te falei, vivendo aquele momento da primeira vez, da luta de janeiro, que para mim foi bastante especial. Estou vivendo tudo isso de novo, aquela emoção de ver a arena lotada, todo mundo vibrando e cantando. Eu sou um cara muito "pilhado". Quanto mais a torcida canta, mais doido eu fico para chegar lá e derrubar o cara.

Terra: você teve um primeiro round difícil contra o Chad Mendes, antes de aplicar a joelhada que te deu o nocaute a poucos segundos do fim. Você se considera mais maduro para esse combate, saberá equilibrar melhor sua força e sua estratégia?

José Aldo: acho que sim. Acredito que desta vez vou saber chegar de maneira melhor do que a outra vez, quando eu estava muito mais na pilha e sem ter ideia de como seria o evento. Agora a gente já sabe como as coisas funcionam aqui, então a gente pode melhorar ainda mais a performance. Mas tem aquela coisa que eu também te disse: não tem jeito, eu sou um cara que deixo a adrenalina subir mesmo. E quando ela sobe, meu irmão, não tem choro, eu caio para dentro mesmo, como sempre faço.

Terra: então você vai para resolver logo a luta? Nocaute? Primeiro round?

José Aldo: com certeza. Eu vou para acabar com a luta o mais rápido possível. Nocaute ou finalização não importa. O fato é que esse cinturão não pode sair do Brasil, nem da nossa academia.

Terra: conta como é sua rotina no dia da luta. O que você faz? Faz um passo a passo.

José Aldo: acordo cedo, e tomo um bom café da manhã. Geralmente eu gosto de fazer isso com os amigos, com a família, para dar uma descontraída. Mas depois do almoço, meu irmão, a cara fecha. É um momento que a gente fala de virar o boné para trás e focar. Não ouço música, nada. Eu gosto de ficar vendo os highlights dos lutadores que eu gosto, para entrar no clima de vez até chegar a hora da luta. Acho que todo mundo quando vê o José Aldo entrando rumo ao Octógono sente que ele está pronto, só esperando a hora de entrar e fazer o seu trabalho.

Terra: você conquistando mais uma vitória, e "limpando" a divisão, como se diz na gíria, o que você vislumbra para o seu futuro no UFC? A ideia de mudar de categoria ainda passa pela sua cabeça?

José Aldo: essa ideia já esteve mais forte no passado, mas foi algo que não chegou a se concretizar. Meu treinador Dedé (Pederneiras) achou que eu ainda tinha muito o que fazer na categoria. Então, por enquanto estou tranquilo, na minha, mantendo o foco nos penas, mas quem sabe futuramente a gente não pensa de novo em subir, acho que é um desafio que eu ainda tenho que enfrentar futuramente.

Terra: o Brasil hoje tem quatro cinturões do UFC. É um sonho possível imaginar os brasileiros dominando todas as categorias?

José Aldo: isso é possível, sim. Não é algo para se sonhar. Mas é difícil, né, cara, existem outros grandes lutadores de outros países por aí. O Jon Jones, por exemplo, é um cara muito difícil de bater. É um cara grande pra caramba, com uma envergadura muito boa. Mas vamos ver, temos o Glover (Teixeira, rival de Rampage Jackson no UFC Rio 3) pintando aí, o (Renan) Barão está dominando a categoria dele (galo), então, já são quatro cinturões com a gente. Acho que podemos e devemos querer mais.

Terra: o Rampage Jackson disse em entrevista ao Terra que o Lyoto Machida fez uma grande luta contra o Jon Jones (pelo cinturão do meio pesado), e que deveria ter uma segunda chance, pois a luta para ele caiu meio que em cima da hora e ele teve pouco tempo para treinar e acabou derrotado. Você concorda?

José Aldo: com certeza, cara, botaram ele em cima da hora, na maior furada. Tinha alguém que ia lutar, não saiu, e botaram ele. Então, por mais que ele seja experiente e já tenha passado pelo outro lado, de ser um campeão, foi muito em cima da hora para ser desafiante de um cara como o Jon Jones. O negão é alto, tem uma baita envergadura, está por cima e você coloca ele desse jeito? Enfim, eu vejo o Lyoto bastante experiente. Ele sabe o jeito que o Jon Jones luta, e se conseguir uma preparação correta acredito que tenha plena condições de nocautear o Jon Jones.

Terra: a gente estava falando há pouco de mudança de categoria, e já tem gente dizendo que o Jon Jones vai subir para os pesos-pesados em 2013. Você acha que ele se daria bem concorrendo com o Júnior Cigano, dentre outros atletas?

José Aldo: poderia ser uma boa para ele. A envergadura é boa, o peso é fácil, porque é só ganhar mais massa muscular. Agora ele tem que ver que vai pegar adversários grandes também se fizer isso. Por mais que seja difícil golpear ele, se ele mudar, vai ser um desafio e tanto para a carreira dele.

Terra: o José Aldo tornou-se um espécie de comentarista do Flamengo também e, sendo assim, como você avalia o retorno do Adriano?

José Aldo: eu vejo o "Imperador" ainda como o melhor atacante do Brasil. Não tenho dúvida disso. Não surgiu um nome como o Adriano. Tem o Luís Fabiano aí, mas acho o "Imperador" ainda mais completo, dentro da área ele é ótimo. Ele querendo jogar, vai arrebentar. Se ele ficar no "shape fininho", é botar o Vagner Love aberto numa ponta e vamos que vamos. Acho que dá para sonhar com o sétimo título brasileiro.

Terra: lutador de MMA tem que ter muita disciplina com treinos e alimentação. Que conselho você daria para o Adriano, que tem falhado justamente neste aspecto?

José Aldo: primeiramente, minha dica para ele seria uma pergunta. Será que ele quer isso para ele, quer voltar a vencer? Porque ele querendo, meu irmão, se conseguir se privar dessas coisas de noitada, de festa, que é tudo passageiro na vida, ele vai chegar no campo e mostrar o que sabe fazer. Não tenho dúvida disso.

José Aldo novamente terá a oportunidade de defender o cinturão no Rio de Janeiro
José Aldo novamente terá a oportunidade de defender o cinturão no Rio de Janeiro
Foto: Mauro Pimentel / Terra
Fonte: Terra
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