Patrocínios 'gordos' e bolsas permitem dedicação exclusiva à vida de paratleta
Esqueça a velha impressão de que os atletas paralímpicos vivem em um mundo alheio a patrocínios robustos enquanto seus compatriotas do mundo olímpico roubam todos os holofotes.
Embora o Brasil ainda caminhe para alcançar uma estrutura que lhe permita se tornar potência mundial, não faltam empresas interessadas em se associar aos principais heróis nacionais. O resultado é visto no bolso de muitos deles.
Tricampeão dos Jogos Parapan-Americanos de Toronto (CAN) antes mesmo do último dia de disputas, neste sábado, o país reforçou nos últimos 10 anos uma tendência de profissionalização do esporte para deficientes. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) estima que pelo menos 60% da delegação de 272 atletas que estão no Canadá já vive bem e exclusivamente da carreira.
Não há um balanço preciso, mas alguns personagens são bastante representativos do cenário atual. O nadador Daniel Dias, responsável por oito medalhas de ouro no evento canadense, sendo as últimas na prova dos 200 metros livre S5 e no revezamento 4x100 medley 34 pontos, conta com oito patrocinadores, além de bolsas do governo federal. Se somados, os ganhos do paulista alcançam a casa dos R$ 100 mil por mês.
– Vivo da natação e tenho conforto. Acredito que vire uma tendência. Há muitos atletas surpreendendo e que já conseguem patrocínio nas cidades onde vivem – afirmou Daniel, de 27 anos, apoiado por Mackenzie, Embratel, Panasonic, Gocil, Furnas, Ottobock, Governo do Estado de São Paulo e Petrobras.
Uma das principais fontes de renda dos atletas é a Bolsa Pódio, do Ministério do Esporte. Os valores variam entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por mês. Os contemplados precisam seguir uma série de recomendações do governo federal para receberem o benefício. Em Toronto, 74 esportistas fazem parte da lista.
A Caixa Loterias, patrocinadora oficial do CPB, investe atualmente no movimento R$ 30 milhões por ano até 2016. O Governo de São Paulo, por meio do Time São Paulo, também financia a preparação de atletas e arca com R$ 120 milhões para a construção de um novo centro de treinamentos na capital.
De quebra, sete dos 29 atletas do programa Time Nissan atualmente são do esporte paralímpico.
– Hoje em dia, temos de nos dedicar tanto quanto os atletas olímpicos. Falta ainda a mesma visiblidade que eles, como na televisão. Nossos resultados são até melhores – disse Talisson Glock, nadador das classes S6, SB6 e SM6.
OS DESTAQUES DO BRASIL
Daniel Dias
Dono de 26 medalhas em Parapan, o nadador de 27 anos é o nome do esporte paralímpico atualmente. Conta com oito patrocínios e recebe incentivos como as Bolsas Atleta e Pódio.
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André Brasil
Aos 31 anos, o nadador das classes S10 e SM10 tem apoio do Pinheiros, Delliote Brasil, Governo de São Paulo, Kansas, Hammerhead e Atletas do Futuro, além de bolsas.
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Verônica Hipólito
A velocista da classe T38 tem apenas 19 anos, mas já integra o time da Petrobras, assim como Daniel. Em 2013, ela ganhou destaque ao faturar o ouro nos 200 metros rasos e prata nos 100 metros do Mundial Paralímpico de Lyon (FRA)
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Talisson Glock
Aos 20, o nadador já é uma realidade. Ouro nos 200 metros medley SM6 e 100m costas S6 em Toronto, ele é patrocinado por Caixa, Time São Paulo e recebe a Bolsa Pódio.
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Alan Fonteles
O campeão em Londres-2012 da classe T-44, que já venceu Oscar Pistorius, perdeu boa parte dos rendimentos ao tirar um ano sábatico em 2014, mas ainda é apoiado pela Unimed.
NÚMEROS
178
É o número de esportistas da delegação brasileira no Parapanque recebem a Bolsa Atleta
74
É o número de atletas da delegação em Toronto que recebem a Bolsa Pódio
* O repórter viaja a convite do CPB