0
Logo do Palmeiras
Foto: terra

Palmeiras

Saiba como mudança no contrato com a Crefisa afeta Palmeiras

A pedido da Receita Federal, ajuda da patrocinadora na compra de jogadores não será mais registrada como 'compra de propriedade de marketing', mas como 'empréstimo'

24 jan 2018
08h02
atualizado às 08h59
  • separator
  • comentários

Por determinação da Receita Federal, Palmeiras e Crefisa tiveram de fazer alterações nos contratos que registram os aportes da empresa para compra de jogadores. Isso resultará em mudanças importantes. O LANCE! explica abaixo.

O que mudou?

Até o fim do ano passado, funcionava da seguinte forma: a Crefisa comprava uma propriedade para expor suas marcas (a carteirinha dos sócios-torcedores, por exemplo) e o clube usava o dinheiro para adquirir o jogador. Ou seja, as partes firmavam contratos de compra e venda.

- Quem paga a aquisição é o Palmeiras. A Crefisa e a FAM adquirem propriedades de marketing, geram recursos, e com esses recursos o Palmeiras pode comprar jogador, reformar o clube social ou o que achar prioridade no momento. Nós temos essa possibilidade de, com a venda de propriedades, usar o recurso até para compra de atletas, que é o que temos feito. É uma oportunidade que contribui muito para a saúde financeira do clube, e é exatamente por isso que fazemos. Essas propriedades que vendemos são várias: imagem de atleta, placas na Academia, TV Palmeiras - explicou o presidente Maurício Galiotte, em entrevista ao LANCE! no ano passado.

Quando o atleta fosse vendido, o Palmeiras repassava à patrocinadora exatamente o valor aportado. Se o atleta saísse de graça ao fim do contrato ou se fosse vendido por menos do que custou, o prejuízo seria da empresa.

Agora, os valores colocados pela parceira são considerados "empréstimos". Isso significa que o Palmeiras precisa devolver o dinheiro de qualquer maneira.
O clube, então, assume os riscos das operações.

Por que mudou?

Em sua contabilidade, a Crefisa colocava os valores usados na compra de atletas como "despesa". Como esse dinheiro seria devolvido na hora da venda dos atletas, a Receita entendeu que não se tratava de "despesa", mas de "empréstimo". O que muda é a tributação. A empresa levou uma multa superior a R$ 30 milhões em setembro do ano passado (já quitou).

Como funciona a devolução do dinheiro?

Agora, o dinheiro precisa ser devolvido com uma pequena correção. A taxa será baseada no CDI, bem abaixo dos juros bancários.

O Palmeiras precisa devolver todo o dinheiro aportado pela patrocinadora para compra de jogadores, mas só quando eles forem vendidos. Se não forem vendidos até o fim do contrato ou se saírem por valor menor do que o investido, o clube terá dois anos para ressarcir a Crefisa. Se houver lucro na operação, ele ficará com o Verdão.

Quem são os jogadores pagos pela Crefisa?

Os jogadores que o Palmeiras comprou com dinheiro da Crefisa são: Luan (R$ 10 milhões), Fabiano (R$ 6,7 milhões), Bruno Henrique (R$ 14 milhões), Guerra (R$ 10 milhões), Thiago Santos (R$ 1 milhão), Borja (R$ 33 milhões), Deyverson (R$ 18 milhões), Dudu (R$ 10 milhões) e Lucas Lima (R$ 17,5 milhões). O valor total é R$ 120,2 milhões.

Há ainda o caso de Juninho: a Crefisa abriu mão de receber os R$ 5 milhões a que teria direito na venda de Vitor Hugo e autorizou o Palmeiras a utilizar esta quantia na compra do zagueiro do Coritiba (bancou metade do valor).

Todos estes contratos já estão nos novos moldes.

O efeito nos cofres

Este novo modelo de contrato não é, a princípio, catastrófico para o Palmeiras. A situação financeira do clube é boa: as receitas de 2017 superaram os R$ 500 milhões, o superávit beirou os R$ 60 milhões e foi possível reduzir drasticamente a dívida com o ex-presidente Paulo Nobre (caiu de R$ 146 milhões para cerca de R$ 20 milhões). Zerar as dívidas do clube é uma promessa de Maurício Galiotte.

Na prática, porém, o Palmeiras agora tem uma nova dívida, superior a R$ 100 milhões. O credor é a Crefisa. Isso pode ser um problema no futuro, principalmente se o presidente que estiver no cargo não for aliado político de Leila Pereira.

Como agora corre o risco de ter prejuízo nas operações, o clube deve colocar o pé no freio na hora de fazer contratações conjuntas com a patrocinadora. Por enquanto, o único reforço para 2018 contratado com dinheiro da Crefisa foi Lucas Lima. Em contrapartida, as demais dívidas estão perto do fim. Cada vez mais, o clube pode centralizar suas receitas no futebol.

Obviamente, só foi possível reduzir tanto a dívida com Nobre e ao mesmo tempo montar um time estrelado porque a patrocinadora colaborou para trazer os reforços. Com seus recursos próprios, mesmo o patrocínio máster exorbitante, não seria possível fazer as duas coisas simultaneamente.

LANCE!

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade
publicidade