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Eleição no Flamengo: 'O futebol tem que voltar a ter comando', diz Wallim Vasconcellos

Candidato à presidência do Rubro-Negro conversa com o LANCE! e fala sobre os planos de governo caso vença a eleição presidencial para 2016-2018 na segunda-feira

4 dez 2015 08h45
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O LANCE! termina nesta sexta-feira a série especial com os três candidatos à presidência do Flamengo. A eleição está marcada para segunda-feira. Eduardo Bandeira de Mello (Chapa Azul), Cacau Cotta (Chapa Branca) e Wallim Vasconcellos (Chapa Verde) são os postulantes ao cargo para comandar o clube no triênio 2016-2018. A última na sequência de entrevistas exclusivas é com Wallim Vasconcellos. O dirigente chegou a ser vice-presidente de futebol e de patrimônio na atual diretoria, mas saiu do clube para lançar uma chapa dissidente. Ele destacou que o futebol voltará a ter comando caso vença o pleito.

– Temos que continuar o que foi interrompido quando saí do clube. Um ponto principal é o futebol voltar a ter comando – afirmou.

Faça uma apresentação.
Meu nome é Wallim Vasconcellos, sou economista, casado, tenho quatro filhos, minha vida profissional foi no BNDES, passei por algumas empresas quando saí, mas sempre no ramo financeiro. A partir de 2009, comecei a participar da política do Flamengo, na época com Luiz Eduardo Baptista, Gustavo Oliveira, Rodrigo Tostes. Fizemos uma primeira tentativa com o João Henrique Areias como candidato, mas por motivos que não vale tocar, a chapa não foi em frente. Em 2012, voltamos pela situação que o Flamengo estava passando na época, víamos que o clube iria explodir mais para frente, aí juntamos um grupo para concorrer às eleições e conseguimos. A chapa era eu e o Landim, fomos impugnados. Conhecia o Eduardo Bandeira de Mello há 20 anos no BNDES, o convidamos para ser o plano B e ele aceitou. A história é basicamente essa e agora estamos retomando os princípios e valores com os quais ganhamos a eleição em 2012 para continuar o que foi interrompido.

Foto: Lance!

Qual o carro chefe da campanha?
É o futebol. Nos próximos três anos mudaremos a situação. Sofremos nos últimos três anos, mas na minha passagem pelo futebol ganhamos a Copa do Brasil, um Carioca, conseguimos a classificação para a Libertadores. Agora temos que investir no CT, temos dinheiro para terminar os módulos profissionais, para os jogadores ficarem treinando de forma integral com conforto e equipamentos nos primeiros seis meses. Vamos buscar recurso para todo CT que servirá para a base. É primordial a volta do slogan "craque o Flamengo faz em casa". Buscaremos também um estádio, já temos algumas opções de terreno para buscar parceiros junto com a Prefeitura do Rio. O time de futebol em termos de comissão técnica, jogadores, quem vem e sai, no dia 8 de dezembro, ganhando a eleição, sentamos e preparamos. Jogaremos o Campeonato Carioca e não a Sul-Minas-Rio da maneira que está, com o presidente do Atlético-MG sendo o presidente da Liga. O Flamengo, como maior clube brasileiro, precisa liderar essa discussão. Temos pergência com a Federação, mas não adianta dizer que está rompido, tem que pedir desfiliação ou ir lá para deixar na votação tudo registrado nos moldes do Flamengo. Temos que separar o pessoal da instituição. O Flamengo sofre por conta de problema pessoal do Eduardo. O que está sendo feito hoje é fácil trocar, apenas mudar pessoas. O que me preocupa é daqui para frente. Não sei se na próxima eleição teria disposição.

O futebol sempre é o termômetro da administração, mas é notório que o Flamengo está aquém do que o nome representa. Qual a fórmula e o planejamento para poder equalizar, já que a austeridade é vista como primordial?
Primeira coisa a ser feita é o futebol ter comando. Sem falsa modéstia, a coisa começou a desandar desde que saí de lá. Se você não for firme, não adianta. Tem que colocar a cara nas derrotas. Hoje tem dez pessoas que comandam o futebol do Flamengo, com cada uma dando os seu pitaco. O jogador não sabe quem manda. Ninguém fala. Quando eu perdia, eu colocava a cara. Precisa dar explicação para a imprensa e torcida. Acertando tudo para melhorar e não se vê isso no clube atualmente. Isso voltando, melhora muito. E tem também que contratar alguns jogadores para posições importantes. O Guerrero sozinho, mesmo ele sendo um jogador muito bom, não adianta. O elenco precisa de uns quatro jogadores. O time está abatido, tem que ver o motivo, parece que estão rendendo mais fora de campo do que dentro.

O senhor falou da falta de comando no futebol hoje em dia no Flamengo, então acabaria com o modelo de Comitê Gestor?
Não acabaria, mas teria no máximo quatro pessoas. Para as grandes mudanças, como mudança de treinador e definição. Hoje o Comitê atua para tudo, agora terá uma função mais reduzida, não tirando a importância. Presidente, vice de futebol, vice de finanças e diretor executivo seriam os membros. Fora isso, não tem motivo para ter dez pessoas darem pitaco no futebol, não pode dar certo, as pessoas pensam diferente.

O Flamengo terá condições de brigar por títulos nacionais em 2016? E nos anos seguintes?
O Flamengo já deveria estar brigando neste ano. Acho que por certa incapacidade do presidente em tomar decisão, que não demitiu o Vanderlei Luxemburgo antes, o clube demorou a reagir. Se ganhasse metade dos jogos, estaríamos no G4. Aumentaria a chance de conseguir patrocínio, já que a exposição internacional pela Libertadores seria muito importante para a chapa que vencer a eleição presidencial.

Qual o planejamento para a estrutura do clube? E para o Ninho do Urubu?
O módulo profissional do Ninho do Urubu ficará pronto em seis meses. Já temos o dinheiro, R$ 5 milhões. Os outros R$ 25 milhões para o CT em um todo, buscaremos recursos. É legítimo o Flamengo ter um CT de seu tamanho. Até final de 2018, estará concluído. Para a sede da Gávea, fizemos um plano de reformulação, mas por falta de recursos não apresentamos aos sócios. Vamos melhorar a parte social, piscina, parque, local para as crianças, quadra de tênis, salão, ginásio... Vamos investir. Óbvio que o dinheiro sempre é um limitador, mas temos que ter criatividade para superar obstáculos. O Flamengo tem que ter uma arena, tem um projeto com uma rede de lanchonete, mas vamos estudar.

Em um clube que o passivo tributário é grande e tem muitas dívidas trabalhistas, qual é o plano para desta vez tentar sanar de vez e ter o dinheiro para cumprir o orçamento?
Depende do tipo de variável que não deve ser representativa, mas pode fazer revisão no orçamento. Ele não é feito apenas para ser cumprido, bater exatamente o número, é apenas para uma noção. Por isso que se ajusta. Mas há pontos que dependem da ação da diretoria. Por exemplo, patrocinador atrasar pagamento. Com o mercado horrível, por que ninguém liga e conversa sobre a situação? O Flamengo tem que ser ativo e não passivo em qualquer tipo de história. Precisa antecipar o problema e depois resolver da melhor forma. Com o Brasil em crise, se fosse eu, bateria na porta de cada patrocinador.

Apenas o contrato de patrocínio da Adidas não termina no fim deste ano. Com o Brasil em crise, como resolver as renovações?
Vou tentar renovar todos os contratos. Esse problema é fundamental a ser resolvido. Primeira coisa que farei é ligar para todas as empresas e tratar as renovações. Você tem três situações: renovou, renovou com um valor menor e não renovou. Se não tem outras opções, pode aceitar até a renovação por um valor inferior. Em momento de crise, não pode trocar o certo pelo duvidoso. Baterei na porta de todas as empresas.

Falta capacidade de pensar em formas criativas de ganhar dinheiro para o Flamengo?
Não falta criatividade. Fizemos várias ações com o sócio-torcedor, por exemplo. Não adianta fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas sem estar correto. Existem persas possibilidades de fazer receita com o clube e isso precisa ser trabalhado. Queremos fazer um museu, foi colocado no estatuto do Flamengo recentemente a palavra cultura. Mas no dia que tivermos o nosso estádio, poderei fazer tudo, museu, complexo comercial, criando um potencial de receita diário, não apenas em dia de jogo. Isso fará com que se tenha garantia de ter um maior número de tudo, inclusive de sócio-torcedor.

Qual o ponto que o senhor considera mais vulnerável da administração do Flamengo?
Estou preocupado com os três próximos anos se a atual diretoria ganhar. Tem certa influência de vários grupos na administração do Flamengo, o que é ruim. Você tem que ouvir todo mundo, podem ser dadas boas sugestões, mas a diferença de opinião das pessoas de hoje na gestão é o que mais me incomoda na atual administração e irá piorar na próxima. O Eduardo Bandeira de Mello não tem o comando do clube, não tem com ele pessoas que pensem da mesma maneira do que ele. É só o começo.

Já existe algum plano para renegociar o contrato com o consórcio do Maracanã?
Não. O contrato vence no final de 2016, mas a dívida não foi paga ainda, mais de R$ 20 milhões. Temos que sentar com o Maracanã. Se o consórcio continuar, tem duas hipóteses. Ou paga e não renova e faz um acordo com o Botafogo para jogar no Nilton Santos enquanto não temos um estádio próprio, ou faz um acordo com o Maracanã em condições boas para o Flamengo. Ganhando, vamos procurar o consórcio para tratar sobre o assunto. Vamos defender o Flamengo.

O tema estádio próprio está sempre como uma das promessas no Flamengo, porém, nunca saiu do papel. Por que o torcedor pode acreditar que o senhor vencendo a eleição será diferente?
Sempre acontece isso mesmo. Comigo será diferente por conta da credibilidade do nosso grupo e do Flamengo. Temos empresários bem relacionados que apoiam a chapa. Sabem fazer estádio junto com um complexo comercial. Estive nos Estados Unidos há pouco tempo e conversei com dois investidores que querem investir no estádio do Flamengo. São possibilidades que pensamos e que são viáveis. Um caldeirão para 50 mil pessoas, aqui na capital... Estou até de olho em dois terrenos para a construção. Neste ano, os jogos no Maracanã tiveram resultados muito ruins. Se tivéssemos vencido, teríamos terminado no G4.

O que fazer para aumentar a credibilidade da marca Flamengo no mercado?
A credibilidade é isso que está acontecendo, mas ao contrário. Não pode tirar a camisa quando faz o gol, tem de dentro e fora do clube usar a camisa, entregar e dar retorno ao patrocinador. Pagar os salários dos jogadores, funcionários, pagar os empresários, cumprir todo tipo de contrato. O que não pode fazer é rasgar um contrato. Credibilidade se constrói durante muito tempo, mas se perde em alguns minutos. É um processo contínuo e que precisa ser levado muito em consideração na hora de trabalhar.

Com o senhor no comando, qual será o investimento nos esportes olímpicos? Como planeja aproveitar o legado olímpico dos Jogos no Rio em 2016?
Temos vários planos. Aproveitar o legado das Olimpíadas na parte dos equipamentos, acordos com os Estados Unidos para termos acesso à tecnologia deles. A prática de incentivos fiscais para continuarmos a trazer recursos para investir nos esportes olímpicos. Acredito que o Flamengo também tem que liderar mudanças nas confederações de outros esportes. Vou usar como exemplo o remo. Temos um campeonato atrativo? Não. Vamos sentar com a federação e os outros clubes e chamar a torcida com promoções, dando camisas, cachorro-quente, dar atratividade. Levar para as emissoras de TV e dar de graça, apenas para ter a transmissão das principais provas. O Novo Basquete Brasil começou assim, pegou e agora é um sucesso. Temos que ter este pensamento de criatividade.

Qual o plano para melhorar o programa de política de sócio-torcedor, que segue longe dos mais de 40 milhões de torcedores?
Já pensou o Flamengo com 1% da torcida como sócio-torcedor? Quatrocentos mil pessoas? Dava para trazer o Neymar (risos). O sócio-torcedor depende de muita coisa. Estamos vendo algumas ações para melhorar O mais barato é R$ 29,90, não posso fazer a R$ 10. O que pensamos para fazer é um plano especial de sócio-torcedor fora do Rio de Janeiro, para incentivar o torcedor que quer apenas ajudar e mora no outro lado do Brasil. Além disso, um programa de milhagem e algum produto de primeira necessidade que tenha desconto. Faremos ajustes, pois queremos passar o número de sócio-torcedor para mais de 200 mil até o final do triênio 2016-2018.

Acha válido o sócio-torcedor votar na eleição do clube?
Essa discussão do sócio-torcedor votar temos que ver experiência. Não sou contra analisar nada, mas nunca pensei nos prós e contras sobre este assunto. A minha vontade pessoal é de ter três milhões de pessoas votando para o presidente do Flamengo. Meu sonho é colocar urna eletrônica pelo Brasil, seria muito bom. Mas precisa ser analisado, ver questão de estatuto, que não pode ser eleito. Acredito que não é inaceitável, mas temos que estudar bem para não falar besteira. De novo, entretanto, reitero que quem decidirá isso são os conselheiros.

É a favor de uma reforma estatutária que dê ao presidente um período maior do que dois mandatos em sequência no comando do Flamengo?
Não. Acredito que presidente tem que ter apenas um mandato. Até que seja de quatro anos, melhor do que um de apenas três anos com direito de tentar a reeleição.

O que fazer para deixar o Centro de Inteligência em Mercado e o Centro de Excelência em Performance sem erros?
Futebol é uma coisa engraçada. Você pega as estatísticas, ele é muito bom fora e aqui não joga nada. O Carlos Eduardo jogava muito fora, e aqui fez nada, se bem que não estava com muita vontade. A estatística não é tudo. Tem que aguentar a pressão da torcida. E grande parte não aguenta. Mas isso é apenas uma ferramenta de auxílio, não basta olhar os números. Tem que fazer uma análise completa, olhar cara a cara. Alguma coisa precisa ser feita. O planejamento tem que ser bem feito, com perfil definido do que queremos. Com isso você minimiza a possibilidade de errar na hora de fazer as contratações para o time.

Por que acredita ser o mais capacitado entre os candidatos para presidir o Flamengo?
Acho que sou mais capacitado porque estou com o grupo mais capacitado. O grupo que estruturou, montou esse projeto no início é praticamente a original chapa azul em 2012. Temos unidade de pensamento para o que deve ser o Flamengo. Esse é o segredo.

O Flamengo vem vivendo um crise de egos. O que fazer para que isso não interfira não apenas dentro de campo, mas na gestão do clube?
Enquanto as pessoas pensaram antes em si do que no Flamengo, não vai dar certo. O poder altera a personalidade das pessoas. Trabalhei no BNDES por muito tempo e as pessoas que estão em cima acham que ficarão por lá a vida inteira. É engraçado um ponto. Vários conhecidos meus entraram para o governo recentemente. Eu ficava bravo, mas depois perdia o poder e passava a falar comigo. Aí eu passava direto. Tem que falar com as pessoas. A maioria não reconhece que é arrogante. A questão do ego temos no Flamengo, temos exemplos que não vou citar, mas o clube tem que ser prioridade. E isso não é válido apenas para o Flamengo, é para toda a vida.

O que fazer com a base?
A base já passou por uma reformulação enquanto estive lá. É um trabalho de crescimento necessário. Contratamos olheiros para acompanharem os campeonatos de base. Mas isso você precisa de dinheiro e dormitório. Quando eu cheguei era tudo quebrado. Muitos foram embora com o tempo. No dia que o CT estiver pronto, teremos 120 dormitórios e dará para fazer todo o nosso planejamento para ser feito o desenvolvimento das categorias de base. E o Zico irá nos ajudar para estruturar este trabalho na base.

Deixe seu recado ao torcedor.
Meu recado é que o torcedor leia as entrevistas e procure o máximo de informações sobre cada chapa. Não apenas o presidente, mas todos os vices. Se você achar que a Chapa Verde é a melhor para o Flamengo, vote. Achamos a melhor escolha.

Lance!
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