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E-mails escancaram 'acordo' Brasil-África pela Rio-2016

Documentação foi apresentada pelo Ministério Público Federal

5 out 2017
13h46
atualizado às 13h51
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Um conjunto de e-mails localizado pelo Ministério Público Federal (MPF) deixa ainda mais escancarada a relação e existência de "acordo" entre brasileiros e africanos em prol de apoio na votação que elegeu o Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

(Foto: MAURO PIMENTEL / AFP)
(Foto: MAURO PIMENTEL / AFP)
Foto: LANCE!

As conversas registradas no documento apresentado nesta quinta-feira mostram, por exemplo, contato entre o senegalês Papa Massata Diack e Carlos Arthur Nuzman. Papa é dono da conta para onde foram destinados depósitos que chegam, segundo investigado até o momento, a pelo menos US$ 2 milhões. Papa também é filho do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), Lamine Diack, com direito a voto no Comitê Olímpico Internacional (COI)

Mensagem enviada em 2009 pelo senegalês a Nuzman mostram uma cobrança diante da constatação de que o dinheiro ainda não tinha caído na conta.

"Nós estamos na sexta feira, 11 de dezembro de 2009, e meu banco Societé General de Senegal ainda não recebeu nenhuma transferência SWIFT de sua parte. Eu tentei falar com Leonardo Gryner diversas vezes mas não houve resposta. Você poderia verificar com ele (Gryner) se ele pode confirmar 100% que as transferências foram feitas a meus endereços em Dacar ou em Moscou", foi o que escreveu Papa.

Mas a mensagem do dia 11 não foi a única. Em 21 de dezembro de 2009, Papa escreveu novamente a Nuzman. Desta vez, citou que o clima entre os africanos não estava tranquilo por causa da ausência do pagamento.

"Nós temos enfrentado de nosso lado todo tipo de constrangimento de pessoas que confiaram no nosso comprometimento em Copenhague. Por favor me dê uma posição final e oficial a respeito de como podemos resolver esse assunto com a satisfação de todas as partes", escreveu o cartola africano, referindo-se a Copenhague, local do anúncio do Rio como sede olímpica.

Antes das duas conversas, Leonardo Gryner, também preso nesta quinta-feira, enviou uma mensagem a Diack por meio da qual pede desculpas pela demora nos pagamentos. O texto é de 26 de novembro de 2009.

"Quero pedir desculpas pelo atraso no cumprimento da última parte do nosso acordo. Estamos trabalhando todos os dias para finalizar essa operação. Como te contei em Copenhague, nós temos um patrocinador diferente para essa última parte. O patrocinador está tendo problemas com a transferência e estamos tentando ajudá-lo. (...) Queremos confirmar uma vez mais que vamos cumprir nosso acordo como combinado", escreveu Gryner, em uma mensagem com título "Rio-2016".

Para o Ministério Público Federal, está muito claro o envolvimento de cada um dos citados no esquema de propina para que o Rio fosse sede olímpica.

- São e-mails absolutamente reveladores. Eles se desculpam por não terem conseguido realizar o pagamento. Papa deixa muito claro que o compromisso é de Copenhague. No contexto, é obvio que diz respeito. O esquema pode ser muito maior. Os e-mails já mostram que o esquema é maior do que apresentamos inicialmente. Os e-mails de Papa Diack fazem referência a "nossos amigos", que "nossos amigos estão tristes" - disse Fabiana Schneider, procuradora da República.

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