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Klopp pede novo olhar sobre bandeira alemã e defende "patriotismo positivo" na seleção

18 set 2026 - 11h32
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Resumo
Em sua primeira convocação pela seleção alemã, o técnico Jürgen Klopp defendeu um "patriotismo positivo", pedindo a recuperação dos símbolos nacionais para que não fiquem restritos a grupos extremistas. O treinador associou o orgulho de ser alemão a valores de acolhimento e diversidade, ressaltando o papel do esporte na união coletiva. Sua lista com 44 atletas refletiu essa pluralidade, em um esforço de comunicação que busca inspirar otimismo e afastar a bandeira do país de conotações negativas.

Novo técnico defende orgulho nacional inclusivo, pede novo olhar sobre a bandeira nacional e diz não querer "deixar o patriotismo para as pessoas erradas".Jürgen Klopp aproveitou sua primeira convocação como novo técnico da seleção alemã para defender o que chamou de "patriotismo positivo" e pedir que os símbolos nacionais não sejam associados a grupos extremistas.

"Gostaria de recuperar a bandeira para mim, ou melhor, para nós", afirmou. "Quero que ela seja sempre exibida de uma forma que não faça ninguém pensar: 'O que há de errado com você?'. Pelo contrário, que as pessoas simplesmente sintam que você está feliz e entende como é privilegiado por ter nascido, crescido ou se mudado para este país maravilhoso."

A declaração foi interpretada como uma referência à recente eleição estadual na Saxônia-Anhalt, vencida com ampla vantagem pelo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Klopp comentou o resultado de forma cautelosa. Disse que algumas pessoas provavelmente aprovaram o desfecho da votação, enquanto muitas outras reagiram com preocupação. Ressaltou, porém, que não é especialista em política e que não pretende transformar suas coletivas de imprensa em debates políticos.

Ainda assim, afirmou que não quer "deixar o orgulho nacional para as pessoas erradas".

Para evitar interpretações ambíguas, o treinador desenvolveu a ideia de um "patriotismo positivo".

"Posso ter orgulho de ser alemão e, ao mesmo tempo, ser aberto, diverso, gentil e acolhedor", afirmou. "Acredito, sinceramente, que somos um país maravilhoso."

O técnico, de 59 anos, acrescentou que montou sua convocação observando os talentos disponíveis no futebol alemão, e não aquilo que estaria faltando. Segundo ele, a mesma lógica poderia ser aplicada ao olhar sobre o país.

Reaproximação com símbolos nacionais

A mensagem ecoa um discurso feito pelo ex-treinador da seleção alemã, Julian Nagelsmann, após a eliminação da Alemanha na Eurocopa de 2024.

"Estar juntos precisa voltar a ser mais importante. Não podemos nos deixar consumir pela inveja nem enxergar tudo de forma negativa", disse Nagelsmann na ocasião.

A campanha da Alemanha na Eurocopa de 2024 reacendeu momentaneamente o orgulho em torno da bandeira nacional, algo que já havia ocorrido durante a trajetória da seleção feminina até a final da Euro de 2022. O exemplo mais marcante, porém, continua sendo a Copa do Mundo de 2006, disputada no país, frequentemente apontada como o principal momento de reaproximação dos alemães com os símbolos nacionais desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Na Alemanha nazista, símbolos nacionais como a bandeira foram extensivamente usados como ferramenta de propaganda e nacionalismo extremo, embora se tratasse de uma bandeira diferente da utilizada pela Alemanha democrática de hoje. Para muitos, portar a bandeira remete ao nacionalismo impulsionado nesse período da história.

O papel do esporte

Klopp destacou ainda a capacidade do esporte de criar senso de comunidade, embora tenha reconhecido que sua importância é menor do que a de áreas essenciais da sociedade.

"É mais importante termos médicos. É mais importante termos enfermeiros. É mais importante termos profissionais de inúmeras áreas", afirmou.

Segundo ele, o futebol pode contribuir ao fortalecer vínculos coletivos e demonstrar o potencial agregador do esporte.

O treinador citou como exemplos recentes o sucesso do tenista Alexander Zverev, o título mundial da seleção alemã masculina de hóquei sobre grama, a realização da Copa do Mundo feminina de basquete no país e os resultados obtidos por atletas alemães no Campeonato Europeu de Atletismo.

"Essa é a nossa missão. Precisamos criar o ambiente adequado. Sei disso. Mas, para isso, precisamos de pessoas dispostas a embarcar nessa ideia", afirmou.

Comunicação alinhada

A apresentação de Klopp também foi marcada por uma estratégia de comunicação cuidadosamente construída.

A convocação reuniu 44 jogadores, incluindo 11 estreantes, composição que o treinador apresentou como um reflexo da diversidade da sociedade alemã da qual diz se orgulhar.

Na relação com a imprensa, adotou um tom mais inclusivo do que na entrevista coletiva anterior, quando havia estabelecido limites claros e afirmado que deixaria o cargo caso a cobertura avançasse sobre sua vida pessoal.

Ao justificar a lista extensa e repleta de jovens atletas, Klopp disse que não pretendia ensinar jornalistas a avaliar jogadores, mas indicou como faria essa análise. Nas entrelinhas, a mensagem soou como um apelo para que a cobertura contribua para o desenvolvimento da nova geração da seleção, em vez de ser excessivamente crítica ou negativa.

Outro detalhe chamou atenção: o treinador usou um boné com a inscrição "one of 83 million" ("um entre 83 milhões"). A expressão faz referência à população aproximada da Alemanha e a uma piada recorrente segundo a qual todo alemão se considera, de alguma forma, um "Bundestrainer", um técnico da seleção nacional.

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