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Famílias Grael e Rezende lutam pelo topo medalha por medalha

Irmãos Grael veem legado da família seguir com bicampeonato de Martine; filho de Bernardinho, Bruninho tenta 2º ouro e repetir feito do pai

3 ago 2021 20h11
| atualizado às 22h56
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A família Grael tem história na vela e também em Olimpíadas. No total, são nove medalhas olímpicas, contando as façanhas dos irmãos Torben e Lars, além de Martine, bicampeã da categoria 49er FX em Tóquio. Quem também sabe o que é vencer em Jogos Olímpicos é Bernardinho, ex-técnico da seleção brasileira de vôlei (feminina e masculina) e próximo comandante da França, visando a Olimpíada de 2024, em Paris.

Torben Grael e Marcelo Ferreira, velejadores brasileiros.
Torben Grael e Marcelo Ferreira, velejadores brasileiros.
Foto: Divulgação/COB / Estadão

O treinador de 61 anos acumula sete medalhas olímpicas no currículo e teve a oportunidade de compartilhar parte dessa experiência com o filho Bruno Rezende, o Bruninho. Essas duas famílias dividem um ponto em comum: a tradição de ganhar medalhas em Olimpíadas para o Brasil.

Família Grael

Vamos começar falando da família Grael, de Torben. Ao lado de Robert Scheidt, o velejador é o atleta com mais condecorações na história brasileira em Olimpíadas, com cinco. Em 1984, o pai de Martine foi prata na classe Soling em Los Angeles, ao lado de Nelson Falcão. Quatro anos depois, repetiu a parceria e conquistou o bronze na classe Star. A edição de Barcelona-1992 não foi das melhores para Torben, ele passou em branco, mas depois disso, não deixou de subir mais no pódio. Em Atlanta-1996 e Atenas-2004, trouxe o ouro para casa na classe Star com Marcelo Ferreira como parceiro, e em Sydney-2000, conseguiu o bronze.

Antes da Olimpíada de 2008, em Pequim, o velejador anunciou que não participaria do evento e se dedicaria somente à vela oceânica. Sua parada como atleta não o impediu de manter uma relação próxima com a Confederação Brasileira de Vela. Desde 2016, nos Jogos do Rio, Torben é coordenador da entidade e pôde testemunhar o sucesso da filha no esporte. Assim, o atleta totaliza oito presenças em Olimpíadas, sendo seis dentro do barco e duas fora dele.

Seu irmão, Lars, conquistou duas medalhas em Jogos Olímpicos. Ambas foram de bronze e na classe Tornado. Primeiro, ele atingiu o feito na edição de 1988, em Seul, com Clínio de Freitas ao seu lado, e depois ficou de novo na terceira colocação em Atlanta, oito anos mais tarde, junto com Kiko Pelicano, seu cunhado.

Torben e Lars já estiveram juntos em três Olímpiadas, mas o histórico da família na vela olímpica começou nos anos 1960 com os tios Axel e Erik Grael. Atuando como atletas nessa época, os dois não conseguiram medalhas. Em 1984, Erik foi coordenador de Torben na edição de Los Angeles.

Aos 30 anos, Martine é a responsável por carregar o legado dos Grael nos Jogos. Ao lado de Kahena Kunze, a velejadora nascida em Niterói conquistou em Tóquio sua segunda medalha de ouro olímpica. Após vencer na classe 49er FX em casa, a dupla repetiu o feito no Japão. Porém, o caminho até a vitória não foi fácil.

Martine Grael e Kahena Kunze no pódio após conquistarem medalha de ouro na Olimpíada de Tóquio
03/08/2021 REUTERS/Carlos Barria
Martine Grael e Kahena Kunze no pódio após conquistarem medalha de ouro na Olimpíada de Tóquio 03/08/2021 REUTERS/Carlos Barria
Foto: Reuters

Quem sabe disso é Torben. "É um momento muito especial. Foi uma Olimpíada em que não foi tudo suave, tudo correu bem, tudo deu certo. Elas tiveram aquela primeira regata em que estavam ganhando, tiveram problema e acabaram em 15º. Estava difícil. Mas elas foram remando, foram remando, conseguiram chegar na última regata empatada na liderança. E hoje elas foram realmente especiais. Elas são muito boas com pressão e mostraram outra vez isso", disse o ex-velejador.

Em Paris-2024, Martine vai atrás do tricampeonato, em um momento que a vela passa por mudanças. A federação internacional espera rejuvenescer a modalidade ao introduzir novos barcos e retirar categorias mais antigas, como a classe 470, de Robert Scheidt.

Família Rezende

Bernardinho e Bruninho também tem muita história para contar em Olimpíadas. O técnico e pai do levantador fez parte da geração de prata em Los Angeles-1984, onde o Brasil teve sua primeira conquista expressiva do voleibol nacional. Depois, como técnico, comandou as duas seleções brasileiras principais. Iniciou na feminina, onde foi bronze em Atlanta-1996 e Sydney-2000. Na sequênica, conseguiu dois ouros e duas pratas com a masculina. Foi campeão em Atenas-2004 e Rio-2016 e vice em Pequim-2008 e Londres-2012.

Bruninho comemora ponto do Brasil na vitória sobre os Estados Unidos
Bruninho comemora ponto do Brasil na vitória sobre os Estados Unidos
Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters

Em 2024, na edição de Paris, terá a missão de conquistar o inédito ouro para os franceses, isso se eles não vencerem a competição no Japão, na qual estão na semifinal pela primeira vez. Das sete medalhas que ganhou, Bernardinho pôde dividir o momento com o filho em três.

Aos 35 anos, Bruninho é duas vezes medalhista de prata e uma de ouro com o Brasil. Nas conquistas do pai como treinador no masculino, só não esteve presente em 2004. Em Tóquio, o ex-levantador do Taubaté e de malas prontas para a Itália, onde vai jogar pelo Modena, foi um dos portas-bandeira da delegação brasileira, ao lado de Ketleyn Quadros, do judô.

No programa que apresenta no canal SporTV, Bernardinho se emocionou com o momento em Tóquio di filho. "Fico imaginando a emoção da mãe dele, dos avós dele. Realmente, é um momento único", disse. Bruno está muito próximo de alcançar sua quarta medalha em Olimpíadas. Após bater os donos da casa por 3 sets a 0, a seleção comandada por Renan Dal Zotto enfrenta o Comitê Olímpico Russo na semifinal do torneio. Ou seja, faltam apenas dois jogos para que o filho iguale o número de condecorações do pai no vôlei masculino olímpico.

10 a 9

Comparando as duas famílias, a briga é acirrada. O clã Grael se aproximou dos Rezende depois do ouro de Martine e está a uma medalha de igualar a disputa: 10 a 9. No entanto, Bruninho deve aumentar a vantagem, pois a chance do Brasil levar pelo menos um bronze no vôlei na Olimpíada de Tóquio é enorme.

Há quem considere que os Grael estão na frente da contagem. O motivo seria que Bernardinho conquistou a maioria de suas medalhas no banco de reservas e não na quadra. De qualquer forma, o torcedor brasileiro agradece a contribuição dos Grael e dos Rezende para a história olímpica do Brasil e segue acompanhando competição particular desses dois clãs.

 

Estadão
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