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COI proíbe perfis oficiais de mostrarem atletas ajoelhados

Decisão vem após ato antirracista na partida entre Grã-Bretanha e Chile no futebol feminino

21 jul 2021 16h03
| atualizado às 16h28
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Jogadoras britânicas se ajoelham antes de partida contra o Chile pelos Jogos Olímpicos
Jogadoras britânicas se ajoelham antes de partida contra o Chile pelos Jogos Olímpicos
Foto: Kyodo / Reuters

O COI, Comitê Olímpico Internacional, e os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio decidiram banir a postagem de fotos de atletas se ajoelhando durante o evento em seus perfis oficiais. Segundo informações exclusivas do jornal The Guardian, a mensagem foi compartilhada pela alta cúpula na noite de terça-feira, horário de Tóquio, mencionando especificamente o jogo entre Grã-Bretanha e Chile, válido pela primeira rodada do futebol feminino.

A partida realizada em Sapporo nesta quarta ficou marcada pela imagem dos dois times se ajoelhando antes do apito inicial. O ato antirracista e contra o ódio online foi visto na TV e seguido pelas seleções dos Estados Unidos, da Suécia e da Nova Zelândia. Apesar disso, o gesto não esteve presente em nenhum dos perfis oficiais de Tóquio 2020 e nem do COI. As páginas de Facebook e Twitter dos Jogos, assim como a do Instagram, com mais de 500 mil seguidores, não cobriram o momento.

O insider do jornal inglês considerou a decisão estranha, já que a organização responsável pela Olimpíada celebra imagens icônicas de protesto, como a dos americanos Tommie Smith e John Carlos erguendo seus punhos fechados na edição de 1968, na Cidade do México. Os atletas dos 200 metros rasos ficaram famosos ao fazerem o gesto dos 'Panteras Negras' durante a cerimônia do pódio e protestarem contra o tratamento injusto dado aos negros nos Estados Unidos.

Recentemente, o COI relaxou a Regra 50, que proibia os atletas de fazer qualquer tipo de "demonstração ou propaganda política, religiosa e racial em qualquer local, arena ou outras áreas Olímpicas". O protesto pacífico é permitido aos participantes, desde que feito sem interrupções e com respeito aos competidores. Sanções ainda são previstas para aqueles que protestarem no pódio.

A decisão de se ajoelhar foi apoiada pelo chefe de delegação britânico, Mark England. "Certamente, o time de futebol feminino tem uma opinião muito forte sobre o abuso online, sobre o racismo, a campanha Kick It Out (que busca igualdade e inclusão no futebol) e sobre se ajoelhar, e nós as apoiamos totalmente nisso", afirmou. England adicionou que todos ficaram "enojados" com a situação envolvendo a seleção inglesa após a derrota na final da Eurocopa 2020.

O COI não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Apenas o presidente Thomas Bach, durante uma coletiva, deu uma resposta breve quando perguntado sobre o ato de britânicas e chilenas. "É permitido. Não é uma violação da Regra 50. Isso é o que está expressivamente permitido nessas diretrizes."

Estadão
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