Hernanes possui um diferencial em relação aos outros craques do Campeonato Brasileiro: é ambidestro. Nascido no Recife, agradece o pai até hoje por aconselhá-lo a treinar chutes e controle de bola com as duas pernas. Criou exercícios próprios para praticar sozinho, contra uma parede, depois dos treinamentos, os fundamentos que o deixaram eficaz tanto com a esquerda quanto com a perna direita. Nada por sorte divina ou talento nato. Consequência apenas da percepção e do treinamento exaustivo em busca da diferenciação.
Talvez por conta desta particularidade, Hernanes já povoou quase todos os setores do campo. Quando foi lançado no time principal por Paulo Autuori, em 2005, o jogador era o famigerado polivalente, atuando tanto no meio de campo como na lateral direita. Emprestado para o Santo André em 2006, jogou de meia, quase atacante, e foi devolvido no final de ano desacreditado por uma temporada irregular.
Ressurgiu depois de uma excursão do São Paulo pela Índia, no início de 2007, e com a saída de Josué firmou-se como volante do técnico Muricy Ramalho ao lado de Richarlyson, sendo apontado como principal jogador da conquista do pentacampeonato nacional. Em 2008, jogou mais avançado em algumas partidas, ganhou chances na Seleção Brasileira e foi eleito o “Craque do Brasileirão”.
Hoje, é difícil definir a posição do jogador no meio-campo são-paulino. Ganhou a camisa 10 e, com mais liberdade do que nos outros anos, chegou a ser sacado por Muricy tamanha a má fase no primeiro semestre. Recuperou-se com a chegada de Ricardo Gomes e é considerado o termômetro do time: se joga bem, a equipe vai no embalo; se não está inspirado, o sofrimento é certo.