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Organizadores da Copa do Mundo divergem em situação de Thomas Partey, de Gana

Após visto negado no Canadá por processo judicial, atleta ganês obtém liberação dos EUA para o Mundial; entenda o caso

28 jun 2026 - 16h52
(atualizado às 16h52)
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Jogador da Inglaterra, Spence, não apertou a mão de Partey –
Jogador da Inglaterra, Spence, não apertou a mão de Partey –
Foto: Reprodução / Jogada10

A realização da Copa do Mundo em três nações diferentes expõe profundos desafios logísticos e diplomáticos decorrentes de políticas migratórias divergentes. Como reflexo imediato dessa falta de unificação, as autoridades do Canadá barraram a entrada do volante ganês Thomas Partey para a estreia em Toronto, visto que o atleta omitiu no formulário de visto que responde a um processo por crimes sexuais no Reino Unido.

Embora o governo de Gana tenha protestado veementemente contra a decisão, as autoridades canadenses mantiveram o veto de forma intransigente. Em contrapartida, dias depois, os Estados Unidos liberaram a entrada do jogador sem restrições para a segunda rodada em Boston, permitindo que ele atuasse no confronto contra a Inglaterra. Diante do ocorrido, o atleta quebrou o silêncio e minimizou o episódio ao declarar.

"Acho que isso faz parte do futebol. Acontecem coisas que você não consegue controlar. Para mim, agora está tudo bem e estou pronto para jogar".

Jogador da Inglaterra, Spence, não apertou a mão de Partey –
Jogador da Inglaterra, Spence, não apertou a mão de Partey –
Foto: Reprodução / Jogada10

Essa disparidade de critérios entre os coorganizadores acendeu um intenso debate sobre os limites da soberania nacional perante os regulamentos da FIFA. Ao analisar o cenário, o advogado Cristiano Caús, do escritório CCLA Advogados, esclarece que os acordos esportivos possuem natureza estritamente civil.

Situação com Gana

Segundo o especialista, esses pactos não anulam as leis internas de segurança de cada Estado, o que justifica a postura adotada por cada nação. Ele garante textualmente.

"A co-organização da Copa do Mundo não obriga, sob nenhuma hipótese jurídica, os Estados Unidos e o Canadá a seguirem o mesmo protocolo de admissão ou a unificarem suas decisões migratórias. Os acordos firmados com a FIFA são de natureza civil e desportiva. Eles não possuem o poder de revogar ou mitigar a soberania nacional de um país. O Canadá barrou a entrada do atleta com base estritamente em sua legislação interna de segurança e inadmissibilidade criminal, devido às investigações que ele enfrenta no Reino Unido. Já os EUA aplicaram seus próprios critérios discricionários para liberar o visto. Juridicamente, a soberania estatal e as leis de imigração de cada país-sede sempre estarão acima de qualquer regulamento de competição", garante Caús.

Paralelamente à flexibilidade concedida a Partey, o governo estadunidense adota uma postura rigidamente hostil contra a seleção do Irã em razão de profundas tensões geopolíticas. Consequentemente, Washington impôs uma restrição severa que obriga a delegação asiática a entrar no território apenas 24 horas antes dos jogos e a deixá-lo imediatamente após o apito final.

Visando amenizar esse desgaste, o México prontamente acolheu o pedido dos iranianos para estabelecer sua base de treinamentos em Tijuana. A própria presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, confirmou essa cooperação em entrevista coletiva.

"Os Estados Unidos não querem que a seleção iraniana fique para pernoitar Então, eles nos perguntaram: 'Podemos pernoitar no México?" Nós dissemos que sim, sem problemas", contou.

Casos evidenciam divergência

Esses dois pesos e duas medidas adotados pelos Estados Unidos evidenciam como os interesses políticos externos moldam os bastidores do esporte. O advogado Cristiano Cáus conclui que a propalada neutralidade das entidades esportivas é fictícia diante do poder de polícia estatal, conforme pondera a seguir.

"A dualidade de critérios na concessão de vistos a delegações estrangeiras, como ocorre historicamente com o Irã, comprova categoricamente que o esporte de alto rendimento continua subordinado aos interesses diplomáticos e políticos externos. A suposta 'neutralidade política' defendida pelas entidades esportivas é uma ficção jurídica que desaba diante da realidade prática. A FIFA e o COI são associações privadas e não têm poder coercitivo sobre as fronteiras de um Estado soberano", comenou, completando:

"Quando um governo decide impor barreiras ou facilidades burocráticas baseando-se em tensões geopolíticas, ele está exercendo o seu poder de polícia e sua política externa. O direito desportivo internacional não tem força para anular as decisões de segurança de uma superpotência. O esporte, no cenário global, opera sob a total conveniência da diplomacia dos países que o sediam", concluiu Cristiano Caús, advogado do CCLA Advogados

Cenário atual

Por fim, todo esse cenário turbulento presenciado na América do Norte acende um crucial sinal de alerta para a Copa do Mundo de 2030. Uma vez que o torneio do centenário envolverá jogos na América do Sul e sedes oficiais na Europa e na África, a comunidade internacional prevê desafios burocráticos e legislativos ainda maiores devido à histórica fragmentação dessas fronteiras continentais.

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Jogada10
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