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Futuro de jogador do Paraguai na Copa do Mundo é incerto após expulsão inédita

20 jun 2026 - 21h50
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Não ficou claro o que ‌Miguel Almirón, do Paraguai, disse a Mert Müldür, da Turquia, após ele ter escondido a boca com a mão, mas esse pode ter sido seu último gesto nesta Copa do Mundo.

Na noite de sexta-feira, Almirón se tornou o primeiro jogador a ser expulso na Copa do Mundo por violar uma nova regra rigorosa que proíbe cobrir a boca durante discussões em campo. O Paraguai ⁠ficou com 10 jogadores para se defender dos ataques implacáveis da Turquia durante um tempo inteiro.

A regra ‌proposta pela Fifa e aprovada pela International Football Association Board (Ifab) em abril, surgiu após Gianluca Prestianni, do Benfica, ser acusado de proferir insultos discriminatórios contra Vinicius Jr., do Real Madrid, sob a ‌proteção de sua camisa durante uma partida da Liga dos ‌Campeões que o árbitro interrompeu ao invocar o protocolo antidiscriminação da Uefa.

Prestianni, que negou ⁠a acusação, recebeu uma suspensão de seis partidas da Uefa por conduta discriminatória que foi considerada homofóbica.

Em uma partida acirrada e repleta de discussões acaloradas, o cartão vermelho recebido por Almirón antes do intervalo foi ofuscado pela impressionante vitória do Paraguai por 1 x 0 em San Francisco, que manteve viva a campanha vacilante do país sul-americano na Copa do Mundo e condenou a Turquia a ‌uma eliminação precoce.

A expulsão do ex-jogador do Newcastle significa que ele será desfalque na decisiva partida final ‌do Paraguai contra a Austrália, ⁠pelo Grupo D, em ⁠22 de junho.

Almirón publicou uma foto de sua equipe comemorando a vitória por 1 x 0 no Instagram, mas ⁠não fez nenhuma menção à sua expulsão.

"Quero agradecer o ‌esforço dos meus companheiros de ‌equipe, que deram tudo de si em cada jogada. Obrigado, obrigado, obrigado. Tenho orgulho de fazer parte desta seleção", escreveu, ao lado de uma imagem dos jogadores paraguaios em êxtase, amontoados uns sobre os outros ao apito final.

O técnico do Paraguai, Gustavo Alfaro, que elogiou ⁠o espírito de luta de seus jogadores, disse que aceitou a aplicação das regras.

"A primeira coisa que eu disse a ele quando entrou no vestiário foi: 'mude essa cara, nós vencemos, não se sinta culpado por nada. O que aconteceu só fez com que o espírito de luta dos seus companheiros de equipe se destacasse ainda mais'", afirmou.

Alfaro ‌tem se empenhado em proteger seus jogadores das duras críticas sofridas após a goleada de 4 x 1 na estreia contra os co-anfitriões Estados Unidos, que agora são os líderes do ⁠grupo.

"Ele estava sofrendo muito porque achava que, para um jogador com a experiência dele, essas coisas não podem acontecer", disse, sobre Almirón.

"Mas aconteceu. É isso. Estamos aqui para apoiá-lo, para ajudá-lo a seguir em frente, para incentivá-lo."

A nova medida tem exceções, no entanto, como permitir que os jogadores cubram a boca durante conversas amigáveis com companheiros de clube que jogam em times adversários.

A regra estava entre várias introduzidas antes do evento, como contagens regressivas de cinco segundos em lançamentos laterais e tiros de meta, limites de tempo para que jogadores substituídos saiam de campo e obrigatoriedade de os jogadores permanecerem à beira do campo por um minuto após receberem atendimento no gramado.

Alfaro disse que algumas das novas regras podem prejudicar o jogo e que um cartão amarelo para Almirón teria sido suficiente.

"O meu receio é que o futebol perca sua essência", acrescentou. "Não vamos nos tornar escravos do regulamento."

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